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Entrevista - 5 de dezembro de 2018

Destinee Hooker: “Estou mais focada na minha carreira”

O título da Superliga Feminina 2011/2012 marcou a primeira passagem da norte-americana Hooker por Osasco. Criou uma relação de idolatria tão grande, a ponto de o retorno dela nesta temporada – após boa passagem pelo Minas nas duas últimas edições do torneio nacional – ter sido muito comemorado pela torcida. Considerada uma das melhores opostos dos últimos tempos do alto do seu 1,93m de altura, e conhecida pelo temperamento forte, ganhou da torcida o apelido de “Rainha Negra”.

Aos 30 anos, a vice-campeã olímpica em Londres-2012 divide com Paula Pequeno e Camila Brait o posto de jogadora mais querida do projeto, atualmente. Algo que massageia o ego, mas também aumenta a responsabilidade de Hooker, que nasceu na Alemanha e é naturalizada americana.

Hooker com os filhos Keitany e Robert, de 6 e 4 anos, respectivamente (ZDL)

Mãe dos pequenos Keitany e Robert, de 6 e 4 anos, respectivamente, ela hoje leva uma ida mais reservada, longe das redes sociais e de polêmicas com comissões técnicas – que aconteceram em clubes como o Pesaro, da Itália, quando abandonou o time no meio da fase final da Liga dos Campeões, e no próprio Osasco, quando foi afastada por um mês por causa de uma lesão na mão, após dar um soco na mesa durante uma discussão com o namorado pelo celular.

Em 2013, logo após o vice-campeonato olímpico – os EUA perderam a final para o Brasil de Zé Roberto Guimarães -, jogou no voleibol russo e deu um tempo na carreira para cuidar dos filhos. Sentiu falta de voltar às quadras e defendeu clubes em Porto Rico e na Coreia do Sul. Fez boas ótimas temporadas no Minas, recuperou o prestígio da torcida brasileira e a segurança do seu jogo com atuações vibrantes e pontos decisivos.

É com esse espírito de recomeço que Hooker voltou a Osasco. A presença da jogadora americana acabou sendo a cereja do bolo no projeto do do time paulista para a temporada 2018/2019. Para quem perdeu o patrocínio da Nestlé e correu o risco de fechar o projeto, contar novamente com Hooker parece até um sonho. E, para ela, quem sabe, pode se a porta de entrada para retornar à Seleção dos EUA e disputar os  Jogos do Japão-2020.

E ela tem noção do que representa para a fanática torcida, tanto que cita essa relação de amor como um dos fatores para ter aceitado a proposta de Luizomar de Moura, como revela nesta entrevista exclusiva ao Webvolei.

O sorriso aberto da americana (João Pires/FotoJump)

1) O que mais pesou para você aceitar o retorno ao Osasco/Audax?

As razões para eu voltar para Osasco foram o Luizomar, que esteve comigo da primeira vez que eu joguei aqui, pelas meninas, por toda a energia da cidade, da torcida, pelo jeito com que eles me acolheram. Eles me adoram aqui. Me sinto muito bem jogando aqui.

2) Para você qual é a principal virtude do elenco do Osasco?

O time é muito forte, a conexão com as meninas é muito forte. Nós formamos uma família. O dia a dia é tranquilo, tanto que você comete um erro e as meninas dão apoio. Eu não sou fluente em português, mas elas me incentivam, nos tratamos como grandes amigas.

3) Com suas experiências anteriores no Brasil e conhecimento adquirido, vê a atual Superliga como a mais equilibrada que já disputou?

Todo time em que eu joguei teve uma forte relação de saque, bloqueio e ataque. Cada um com sua forma de jogar, claro, mas está sendo tranquilo de me ajustar. Treinamos todos os dias, assistimos aos vídeos de outros times. Esta tem sido sim uma das melhores Superligas, com a presença de nomes como Lloyd, Kosheleva, Fawcett. Acho que todos os times principais escolheram uma jogadora estrangeira forte. Mas sem o resto do time essa jogadora estrangeira não é nada. E isso acontece aqui em Osasco. O time continua bem sem mim. Nós, estrangeiras, somamos aos times.

4) Lloyd, Fawcett, Kosheleva, você, Diouf, entre outras… Jogadoras renomadas, com passagens por seleções, escolheram a Superliga. Você vê o mercado brasileiro cada vez mais atrativo?

Acho que ter jogadoras de outros países torna a competição mais atrativa para os fãs de vôlei, mas eu acredito que elas só contribuem para tornar um time que já é bom em um time melhor. Esse intercâmbio é importante para os dois lados.

Hooker no ataque na segunda passagem por Osasco (João Neto/Fotojump)

5) Como é para você conciliar a rotina de atleta e mãe?

Ser mãe é definitivamente uma benção. Ser mãe é duro, é cansativo, mas eu vejo que agora, mais do que nunca, quero estar no meu melhor, jogar muito bem, para estar mais cedo em casa, para volta para eles. É difícil, há uns dias atrás meu filho estava doente, e eu só pensava em jogar muito bem, para acabar logo o jogo e voltar para ele. Quero ser uma atleta cada vez melhor, quero deixá-los orgulhosos de mim, então não quero perder nunca.

6) Nos últimos tempos, você se afastou um pouco das redes sociais. Vê um excesso dos fãs atualmente, com postagens agressivas, cobranças exageradas?

Estou mais focada na minha carreira, menos nas redes sociais. Não me leve a mal, a energia é ótima, maravilhosa, mas algumas vezes pode ser demais. Quando eu não jogo bem, por exemplo, a última coisa que eu preciso é de má energia, a última coisa que o time precisa é energia negativa… Não gosto de me expor muito, prefiro me expor só para os mais próximos. Não é da conta de ninguém o que eu faço fora das quatro linhas da quadra. Eu me importo com o time, com as minhas companheiras e com Osasco. Eu prefiro me preservar de más energias, maus pensamentos, más vibrações. Essa é a razão pela qual eu prefiro não ser ativa nas redes sociais.

Por PATRÍCIA TRINDADE

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