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Destaques - Entrevista - 22 de janeiro de 2019

Alexandre Oliveira, um campeão da Superliga antes de cobrir vôlei na TV

Das quadras de vôlei para as transmissões da modalidade. Do título da Superliga como atleta para um treino com a Seleção Brasileira durante um Campeonato Mundial.

Assim Alexandre Oliveira poderia iniciar a redação do próprio currículo. O jornalista dos canais Globo e SporTV conhece como poucos os dois lados da moeda: ter sido jogador de um dos principais clubes do Brasil à época, com a conquista do principal campeonato do país, tendo atuado ao lado de craques renomados, e depois estar ao lado da quadra, passando para o telespectador a visão jornalística de um jogo, de uma competição.

Nesta entrevista ao Web Vôlei, Alê relembra as dificuldades do início da carreira, o trabalho com grandes nomes do vôlei mundial, a conquista da Superliga pela Unisul, o baque de perder a vaga no time para um jovem talento chamado Bruninho, as dificuldades para conciliar esporte e a faculdade de jornalismo, além também de toda a trajetória com o microfone nas mãos.

Um dos poucos jornalistas do planeta que podem incluir no próprio currículo ainda a colaboração dada para a conquista de um título mundial da Seleção, em 2010, na Itália.

Confira abaixo a entrevista!

Muitos bons jogadores não conseguem fazer a transição da base para o profissional e ficam pelo caminho. Como foi esse momento para você?

É bastante complicado mesmo porque é ali que você vai ter que mostrar que vai jogar, vai atuar com pessoas bem mais velhas e tal e que estão jogando há muito mais tempo. Ali você tem de mostrar algum talento. Comigo foi assim. Desde o primeiro ano de juvenil, eu já jogava no adulto, já treinava no adulto, participando no adulto. No meu primeiro ano de juvenil eu estava no Telesp e o time adulto era Maurício Jahu, Domingos Maracanã, Anjinho, que também era juvenil, mas era último ano na categoria, Dentinho, o levantador. Bastante gente boa jogando. E eu era usado no adulto para sacar, sacava viagem forte na época e me levavam para fazer isso. Já no segundo ano, eu já era o terceiro levantador do adulto, mas entrava muito mesmo para passar. Não existia líbero, e eu sempre passei bem, tinha boa recepção. Tinha essa entrada no time adulto. Aí no meu terceiro ano de juvenil eu fui jogar em Franca, montaram um supertime lá e tal, eu iria ganhar em dólar. Mas aí o time atrasou seis meses de salário, um monte de cara foi embora. Aí a Federação Paulista aumentou o ano do juvenil e eu ganhei mais um ano na categoria. Voltei para o Palmeiras, que era o Palmeiras/Parmalat, quando o Renan (Dal Zotto) foi ser técnico pela primeira vez. Como eu andei muito, passei por muitos clubes, joguei como juvenil, tive poucas chances no adulto, porque jogava Talmo como titular, recém-campeão olímpico, e o Paulo Coco era o segundo levantador. O Paulinho era um bom levantador. Não tive a menor chance. Aí recebi uma proposta de jogar em Araraquara, no adulto, no início do Náutico lá, que fez uma certa história. Então essa entrada foi de certa forma tranquila. O problema, no caso, é que eu passei os três anos seguintes só que em times de primeira divisão. E eu só fui voltar para a Superliga quando eu fui jogar em Florianópolis, para jogar no Intelbrás. Mas acho que a minha transição foi tranquila. Eu só me arrependo de ter ido para Franca. Perdi muita oportunidade. Eu não fui Seleção de base, muito provavelmente eu teria ido… Enfim, foi uma decisão errada. Ajudou por um lado para ganhar experiência como jogador, mas é muito complicado mesmo. É como você ter de escolher a profissão que vai fazer o resto da vida. Será que vai dar certo? Tipo, você vai e passa para jornalismo. Aí começa a estudar e diz: “Putz, será que é isso que eu quero? Acho que não é para mim, e tal”. A pressão é grande, você tem de jogar bem. Isso é muito ruim, porque você joga e precisa ir bem para poder jogar no ano seguinte. Então se você não é uma estrela, não é um cara de Seleção, você sofre muito. Essa virada é muito decisiva na sua carreira.

Me conte um pouco do seu início profissional. Quando teve a certeza de que ser jogador era uma realidade?

Cara, acho que sempre foi. Desde o momento em que fui federado, fui contratado, jogar fora, eu me achava realizado, ia para hotel, era profissão, preenchia a ficha como atleta e tal. Tinha bastante orgulho disso. Eu via como profissão, vivi o esporte dentro da minha casa, com meu pai como bom espectador, bom telespectador, principalmente. Minha infância foi vendo muito jogo de futebol, jogo de vôlei, meu pai via Fórmula 1, eu via junto. Então isso ficou em mim, tenho bastante respeito pela profissão. Acho que eu fui me sentir profissional, que eu poderia viver daquilo quando fui jogar em Araraquara, já adulto, acho que me senti mais seguro. Mas eu vivi muito a questão desta forma: tenho de jogar bem esse ano para jogar no ano que vem. Só foi mais tranquilo quando eu comecei a trabalhar na televisão, porque comecei a trabalhar lá e ainda jogava. Quando a gente ganhou a Superliga por exemplo, em 2003/2004, era assim. E daí como não tinha mais a pressão de jogar bem para seguir jogando no ano que vem, porque eu já tinha um trabalho, foram os anos mais prazerosos para mim. Ia jogar com amor, com paixão, jogava porque gostava. Aquilo me fazia muito bem. Então eu tive essa possibilidade de fim de carreira.

Em ação contra o Minas, do campeão olímpico Ricardinho (Arquivo Pessoal)

Você é um campeão da Superliga pela Unisul. Quais as principais recordações daquela campanha?

Eu entrei na TV para trabalhar omo jornalista. Entrei num programa chamado Patrola, um programa jovem, escolhido pelo público. O telespectador escolhia quem deveria ser o apresentador do programa, por voto, voto por telefone, e eu fui campeão e acabei sendo o apresentador daquele programa. Depois eu mudei e virei apresentador da previsão do tempo. Apresentava o Bom Dia, fazia o plantão dos jornais locais, então foi encaminhando assim. Aí quando eu entrei nesse Patrola, que era um programa jovem, eu estava no time da Intelbrás. Aí eu meio que parei de jogar, quando acabou a Superliga. Pensei: “O que que eu vou fazer?”. Aí eu fiz um projeto de vôlei de praia para jogar pela faculdade e ganhar bolsa. E apresentei para o Renan. Eu e o Tito, um dos meus melhores amigos, arquiteto. Escrevi o texto e o Tito diagramou. A gente levou para o Renan. Ele elogiou um monte, mas com necessidade de ter gente para jogar na quadra, ele colocou a gente na quadra. “Joguem na quadra, no time, e eu dou a bolsa para vocês”, ele falou. Para a gente foi perfeito. Eu estava na faculdade ainda, tinha um semestre para terminar e isso me ajudou bastante. Então, nesse primeiro ano, quando eu entro no time, eu jogo como líbero. O argentino Weber era o técnico, o Marlon era levantador titular, tinha o Evandro, que está no Sesi, como segundo levantador. E o Evandro tinha sido meu reserva no Intelbrás. Aí eu fui como líbero e estava jogando bem. Achei que eu estava indo bem como líbero, só que daí um dia eu pedi para falar com o Weber. Falei: “Weber, seu estiver bem mesmo, melhor que o outro, você vai me colocar para jogar? Me deixa treinar como levantador, deixa eu fazer o que eu sempre quis”. Em uma semana e meia, eu já estava entre os 12, já estava pronto para jogar. Aí tem um momento que é engraçado, que vai cruzar lá no futuro. A gente estava jogando a semifinal contra o Suzano, se não me engano o quarto jogo. Se a gente perdesse estaria fora. Tínhamos de vencer e levar para a quinta partida. Aí o Marlon torce o pé no primeiro set e a gente perde a parcial. Começa o segundo, não dá mais para ele, e aí eu entro. A gente ganha o jogo em 3 a 1. Depois ganhamos o quinto jogo e fomos para a final, mas acabamos perdendo para a Ulbra, de Ricardinho, Marcelo Negrão, um time bem legal. Mas isso deixou um gosto bom, de chegar numa final. No ano seguinte, a Unisul contratou o Milinkovic, o Marcelinho como levantador. Time tinha Dirceu, Badá, André Heller, Jeff como líbero. E foi uma campanha espetacular. A gente não perdia para ninguém, sempre ganhando por 3 a 0, 3 a 1. O Milinkovic jogando demais, fazia muito ponto, atacava a bola muito rápido. O Marcelinho tranquilo, André Heller voando. O time era muito legal, fazia churrasco sempre, todos sempre juntos. Era um grupo muito engraçado, e isso foi muito marcante. Tem uma história do Milinkovic… A gente foi na nutricionista. Eu entrava muito na inversão do 5-1 nos jogos. A nutricionista falou: “Não pode comer pizza, tem de comer direitinho”. A gente ganhando o jogo e no penúltimo ponto o Milinkovic abraçou a gente e falou: “Hoje tem pizza, que se foda a nutricionista”. Uma maneira de mostrar que o time estava junto. Ganhar a Superliga foi um momento mágico, de sonhar com aquilo no ano anterior e conquistar no seguinte. A gente ganhou da Ulbra, lá em Porto Alegre. Foi uma campanha impecável, muito marcante, um time que respeitava muito o técnico. O que o Weber falava a gente fazia. No ano seguinte, ele falava: “No ano passado, os caras faziam tudo o que eu pedia. Se eu falasse para eles darem cabeçada na parede, eles davam”. Então era um time que entendeu que para ganhar tinha de fazer isso. Foi bacana fazer parte dessa equipe.

Alê levantando a bola rápida pelo meio (Arquivo pessoal)

Em qual momento o vôlei começou a perder espaço para o jornalismo?

O vôlei só perdeu espaço para o jornalismo quando eu não tive mais opção de jogar. Na temporada 2005/2006, o último time que eu joguei chamava-se Unisul/Cimed. No ano seguinte abriu: um virou Unisul e outro time Cimed. E eu estava em Florianópolis, com dois times de vôlei na Superliga. Pensei: “Vou jogar, né!. Alguém vai me chamar, não é possível”. O time da Cimed foi dirigido pelo Renan. O Giovane tinha jogado no ano anterior comigo na Unisul Cimed e ele tinha ido para a Unisul. Mas o time da Unisul não me chamou para jogar. E o time da Cimed era mais que eu tinha jogado, era mais o pessoal dos outros anos. Aí eles queriam investir no Bruninho como levantador. Aí o Chico Lins, que era um dos supervisores, me ligou e falou: “Olha, a gente não vai contar com você este ano. A gente vai investir no Bruninho, pois precisa de um levantador full time com a gente”. Como eu trabalhava na TV, eu não viajava. Eu tirava férias nos playoffs e jogava as finais. E sempre jogava os jogos em casa. Treinava todos os dias, mas em um período só, porque de manhã eu trabalhava. Eu entendi, claro, mas fiquei muito triste com a situação. Foi nesse momento que o vôlei perdeu espaço para o jornalismo. Quando eu parei de jogar, comecei a comentar os jogos que aconteciam em Santa Catarina pelo SporTV. Dei um jeito de continuar próximo do vôlei e daí recebi uma proposta da Record. Avisei ao pessoal do SporTV que eu poderia sair, agradeci a oportunidade. Aí os caras entraram no circuito, fizeram uma proposta e me trouxeram para cá, onde eu estou até hoje. Mas o vôlei nunca perderia espaço para o jornalismo.

Você foi o “homem do tempo” em Santa Catarina, certo? Foi uma escolha ou aquela oportunidade que apareceu e você agarrou?

Eu estava na faculdade e a Márcia, que é esposa do Carlos Eduardo Lino, comentarista do SporTV, era da minha turma. Um dia ela chegou para mim e falou: “Olha, tem um programa lá, o Patrola, que está sem apresentador e acho que você tem a cara do programa”. Acabei indo e a história acaba naquele concurso e tal que já contei. Na faculdade, eu fui fotógrafo do jornal laboratório e de primeira fiz capa. Pensei: “Achei o meu negócio”. Foi a única foto. Descobri que eu tinha astigmatismo, não conseguia focar nada, usava técnica errada, eu era um péssimo fotógrafo. Aí eu fui pauteiro voluntário na TV, fui repórter na TV Universitária, fazia muita coisa de rádio, muita narração nos trabalhos da faculdade. Então apareceu esse negócio na televisão e eu fui. Aí eu fui apresentador do Patrola, fui o homem do tempo no Bom Dia Santa Catarina, apresentava os bordões do jornal da hora do almoço, apresentei o RBS Notícia… Foi uma experiência incrível, porque fiz de tudo. Na previsão do tempo, no finalzinho que eu parei de jogar, criei um quadro que era “Previsão de Verão”. Ia para rua zoar as pessoas e fazer qualquer assunto virar previsão do tempo. Foi bem legal, isso me deu uma velocidade de raciocínio para escrever e pensar em alternativas. Mas foi totalmente oportunidade. Se aparecesse qualquer outra coisa eu teria feito. Foi o que apareceu no meu caminho. Eu não planejei trabalhar na TV. A TV aconteceu naturalmente.

Quando e como o esporte entra na sua vida como repórter?

Quando eu estava lá na previsão de tempo, de vez em quando eu pedia para fazer umas matérias de esporte. Eu lembro que uma vez eles me colocaram para fazer a retrospectiva do ano do vôlei em Santa Catarina. Então eu fiz, eles acharam bacana e aquilo era mais fácil para mim, porque eu vivi esporte a vida toda. Era mais fácil eu acertar o número de um recorde nos 100 metros do que uma porcentagem econômica da política brasileira. Quando eu vim para São Paulo para ser editor do programa que tinha, que era o Supervolei, e eu era comentarista dos jogo  de vôlei em São Paulo. Mas aí o Supervolei acabou e eu fiquei meio sem função. Aí começaram a me colocar como repórter de esporte, fazendo futebol, outras coisas, e eu virei repórter de esportes. Mais uma vez as coisas foram meio que acontecendo…

Como correspondente da Globo na Europa (Reprodução)

Imagino que cobrir vôlei deva ser uma realização pessoal. Trabalhar com algo que se gosta facilita tudo, não?

Eu acho que cobrir o vôlei é muito legal, pois ainda tem muita gente que jogou comigo, que me conheceu como atleta e faz parte do meio. E isso para mim é muito prazeroso. Tem respeito, vejo que alguns moleques que sabem que eu joguei, gostam de dar entrevista. E isso me deixa muito feliz. Facilita sim. Uma coisa que eu acho que eu faço a diferença é numa transmissão de vôlei. Acho que dificilmente algum outro repórter faz uma transmissão de vôlei como eu faço. Por conhecer tudo, movimento, posicionamento, entender a linguagem do jogo, entender o que os jogos falam, a regra, isso faz a diferença. Mas, fazer uma reportagem, um VT, acho que nem tanto assim. Talvez um detalhe que eu acho tão comum, exemplo, a viradinha de pé para saltar no bloqueio, para você não voar no bloqueio, talvez eu passe desapercebido disso. Mas alguém que não é tão especialista assim pode achar isso legal e a matéria ficar muito melhor do que a minha. Acho que daí não tem diferença. Se o cara for um bom repórter, vai fazer uma boa reportagem. Independentemente se ele jogou vôlei ou não. Mas na transmissão eu acho que acrescento.

Em 2010, estávamos juntos na Itália e vi você treinar em Ancona como levantador da Seleção que seria campeã mundial. Quando você para e pensa naquilo hoje, quais recordações são mais marcantes?

Brasil perde para Cuba e aí eu vou para a zona mista para entrevistar o Bernardinho, que está de muletas por conta da cirurgia que ele fez no tendão de aquiles. Naquele momento, o Luiz Carlos Junior está na narração e ele está conversando com Carlão e com Nalbert no Brasil, e com o Marco Freitas na quadra. E assim ele não me chama de imediato. E Bernardinho fica puto: “Eu tô em pé e você não vai me chamar? Eu tô aqui com problema, tenho de ir embora daqui”. Cara, aquilo foi a primeira bronca que ele me deu. Depois tivemos outros problemas. Falei se o senhor quiser ir, o senhor pode ir. Chamei ele de senhor. Naquele momento, o Luiz Carlos diz: “Vamos então com o Alexandre Oliveira, que está com Bernardinho na zona mista”. Aí eu faço uma entrevista com ele, ele tinha perdido o jogo, acho que fiz uma entrevista para cima e tal, dizendo que o Brasil já tinha perdido jogos pontuais em outros campeonatos, mas a vaca não tinha ido para o brejo. Ele foi educado e respondeu na boa. Quando chegamos em Verona para a primeira fase, a Seleção estava usando um jogador italiano para completar os treinos. Mas a Federação Italiana proibiu que um jogador italiano ajudasse a Seleção Brasileira e eles ficaram meio sem gente para treinar no lugar do Marlon, que estava doente. Quando eu chego, falo para o Bernardinho: “Pô, professor, perdi uma chance… Se estivesse aí, quem sabe e tal”. E daí, quando acaba a entrevista depois do jogo de Cuba, eu falo com o Rubinho. “Se precisar aí, se achar que eu posso ajudar, sem problema”. A gente viaja, sai de Verona e vai para Ancona. Quando eu chego para o treino, a equipe da Globo estava lá, vejo que o Bernardinho me aponta com a muleta para o Rubinho. Naquele instante, eu falei assim: “Fudeu! Ele ficou bravo comigo na zona mista e vai pedir para que eu saia do treino”. Eu até olhei para o meu produtor, o Igor Tavares, e vi que ele pensou a mesma coisa. Aí o Rubinho me chama na grade e fala assim: “Você pode treinar?” Aí dá aqueles 2, 3 segundos de silêncio e digo: “Posso. Mas à tarde, não agora, né?”. Agora!, ele devolve. “Não tenho nem uniforme”, rebati. ” A gente arranja, ele devolveu. Me deram o uniforme do Álvaro Chamecki, que era o médico. Aí nesse meio tempo eu aviso o nosso coordenador, o Jorge Bernardo, que estava com a gente, e falo: “JB, avisa à chefia que eu vou treinar com a Seleção”. Aí o JB manda o email e vem a resposta da chefia: Mas quem deu a ideia dessa pauta? O JB explica que um jogador estava machucado e como eu era ex-jogador o Bernardinho sabia disso, me chamou para jogar, não era uma pauta. Era para ajudar. Mas aí o chefe responde. Ótima pauta. Mas eu iria treinar de qualquer jeito, já estava trocado, aquecendo, enfim. E foi realmente marcante porque eu dei a minha vida. Fazia 5 anos que eu não jogava. Eu tinha parado de jogar em 2005. Então fiz um treino incrível, eu acho. Honestamente, para quem não estava jogando e tal,  achei que eu treinei muito bem, acertei bolas, fiz jogadas importantes, defendi. Isso me deixou contente demais, tanto que eu fui sondado para voltar a jogar. Claro que seria uma coisa meio louca, mas eu fui sondado e isso me deixou muito, muito feliz. Quando eu penso hoje, parece meio sonho, eu faço um texto na época dedicado a um filho que eu não tinha. Mas eu dizia que foi um dia que parecia um sonho, foi difícil de acreditar que era realidade, um sonho que se tornou realidade. De vez em quando eu revejo a reportagem. Difícil acreditar. Aliás, no Mundial de 2014, os caras falaram que se eu estivesse lá eu teria treinado, pois o Bruninho tinha machucado o dedo. Imagina? Duas vezes, seria impensável, incrível.

PS: Não achei a matéria que escrevi para o LANCE! naquele dia. Só encontrei o comentário que escrevi para o blog, que estava começando.

Para finalizar, me fale da experiência de ter sido correspondente em Paris no auge do fenômeno Neymar no PSG?

A experiência de ser correspondente é incrível. Profissionalmente valeu muito a pena estar no olho do furacão, com o Neymar sendo esse fenômeno, o jogador mais caro do mundo e todos querendo saber dele. Ele machuca, quebra o dedinho e isso bombou. Eu participei muito da cobertura. Aí tem o episódio do Daniel Alves, que se machuca, é cortado, não é cortado, aí é cortado de vez… Isso é uma mola de visibilidade de trabalho bacana. Fiz jogos de Champions League também. Acho que eu nunca vou esquecer o gol de bicicleta de Cristiano Ronaldo, eu estava no estádio, em Turim. Foi incrível, o estádio aplaudiu de pé…. Meu, foi muito, muito legal, como experiência profissional não tem nada igual. O difícil foi o pessoal. Divorciado, eu tinha uma namorada que ficou no Brasil. Eu trabalhava demais, tinha pouca folga, minha filha, a paixão da minha vida, não foi me visitar nenhuma vez. A mãe não deixou ela ir…. Então isso complicou muito. Juntando com isso, minha filha ficava aqui no Brasil sendo cuidada pelo meu irmão e pela minha cunhada e eles se mudaram de São Paulo. Então não tinha com quem deixá-la e aí eu acabei pedindo para voltar. Mas não me arrependo da volta, estou bem feliz aqui. Mas não dá para comparar o nível de trabalho. Lá tudo que você faz é legal, é diferente. Você está fora do país, a língua, o sotaque, a cultura. Foi uma experiência incrível. Eu tinha mais nove meses para ficar lá. Mas a gente vive de fazer escolhas, né?

POR DANIEL BORTOLETTO

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