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Superliga - 18 de janeiro de 2019

Wallace: “Não adianta ser o maior pontuador e o time perder”

Em entrevista ao site da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), o oposto da Seleção e do Sesc RJ, campeão olímpico nos Jogos do Rio 2016 Wallace, 31 anos, falou da sua adaptação ao Rio, Seleção, motivação para conquistar títulos inéditos e a receita para ser, mais uma vez, o maior pontuador da competição, até agora. Neste momento (18 de janeiro), o jogador tem 17 pontos a mais do que o segundo colocado na lista, Sanchez, do Vôlei UM Itapetininga (SP): 200 a 183. Confira, abaixo, a entrevista:

CBV: Jogar vôlei é um prazer ou profissão?

As duas coisas. Não fá para definir um ou outro. Os dois fazem uma grande junção e se tornam algo muito importante na minha vida. Sinto muito prazer em quadra, em jogar vôlei, e essa é a minha profissão, é o que dá o meu sustento. Fato é que sou muito feliz e me sinto privilegiado por poder unir a paixão com a carreira e conseguir viver do vôlei.

CBV: O que mais te motiva dentro de quadra?

Atualmente jogo muito pela mina família, pelo meu filho. Isso realmente me motiva bastante. Quando eles estão no ginásio, então, é muito especial. Além de todo o amor que nós, atletas, temos pelo vôlei, esse lado familiar faz dar aquele gás a mais em todos os jogos.

CBV: Normalmente você é o maior pontuador dos jogos e da competição que estiver disputando. Isso é um objetivo pessoal?

Não. Isso é normal por eu ser um oposto, que é o jogador que acaba recebendo mais bolas, aquele que está em quadra para ajudar no ataque e, consequentemente, pontuar mais. Eu costumo dizer que não adianta ser o maior pontuador e o seu time perder. Prefiro sempre ter um bom percentual de ataque, que é a minha principal função dentro de quadra, para ajudar a equipe da melhor maneira possível.

O oposto conquistou o ouro olímpico nos Jogos do Rio-2016 (Divulgação)

CBV: A final olímpica do Rio de Janeiro foi o jogo mais marcante da sua vida?

Sim. Já havia disputado a final em Londres e, por ter sido a primeira, foi muito especial. Algo que parecia ser de outro mundo. Mas, na última edição, por estar em casa, por toda a pressão que sofremos, a história que atravessamos para chegar até a final, e, claro, pelo título, foi o jogo mais marcante da minha vida.

CBV: Ser um dos atletas reconhecidos no mundo inteiro representa o que pra você?

É legal ter o reconhecimento, a admiração do público porque isso mostra que o trabalho vem sendo bem feito. Esse é o caminho. Mas, sempre me policiei muito para que essa questão nunca suba a cabeça, nunca me deixe deslumbrado. Às vezes fico muito bravo por perder porque a vontade de ganhar é muito grande. Eu me cobro muito, em todos os jogos, e isso é bem difícil. Faço isso por mim, mas por todos do grupo. Acredito que as pessoas enxerguem isso e gostem de ver essa atitude em mim. Talvez seja um dos principais motivos por essa admiração e fico feliz por isso.

CBV: O que ainda falta na sua carreira?

Ah, algumas coisas. Ser campeão olímpico, sem dúvida, é muito especial. Muitos consideram o ápice da carreira de um atleta. E pode ser mesmo, mas eu não me considero satisfeito. Quero mais. Quero conquistar, por exemplos, campeonatos que ainda não tenho. Ainda quero um título de Campeonato Mundial, um da Liga das Nações e uma Copa do Mundo. O restante, acho que já conquistei tudo (risos).

CBV: Como está a vida no Rio de Janeiro? Já está acostumado com o estilo de vida da cidade?

A gente ouve muito falar sobre a violência no Rio e vim receoso. Trazer a família acaba gerando uma preocupação natural diante de tudo que se vê nos jornais, mas conforme o tempo foi passando fui me tranquilizando. Hoje estamos, aos poucos, conhecendo o que tem de melhor e estamos felizes na cidade.

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