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Destaques - Praia - 19 de fevereiro de 2019

Um papo com o campeão olímpico Bruno Schmidt

O “Mágico” Bruno Schmidt disputa, nesta semana, em Fortaleza (CE), a primeira competição ao lado de Evandro, o novo parceiro.

O torneio válido pelo Circuito Brasileiro começará a mostrar a cara de uma dupla muito bem cotada mesmo antes de estrear. Para o campeão olímpico em 2016, ao lado de Alison, os elogios recebidos desde o anúncio são um afago no ego, mas não tiram o foco do objetivo principal: garantir uma vaga nos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio (JAP).

– Não gosto de ficar me atentando muito aos bastidores. É óbvio que é legal, que eu adoro as pessoas depositando confiança, torcendo, e tudo mais. Mas eu sou um cara que me cobro muito, quero muito potencializar minha dupla, meu time… Então, sem dúvida, essa receptividade dos bastidores foi ótima, pego como combustível para seguir o trabalho. Agora, nesse curto tempo que a gente tem, é focar no time, não se botar em obrigação de nada, saber lucrar com o momento que a gente está, usando isso como uma energia a mais, uma força extra. Adoro corresponder às expectativas da pessoas, mas isso às vezes não ajuda muito – disse Bruno, com exclusividade ao Web Vôlei.

Confira abaixo o papo com o craque brasileiro do vôlei de praia:

Particularmente para você, romper uma parceria (com Pedro Solberg) e formar uma nova no meio do ciclo olímpico é uma decisão difícil de ser tomada?
Não foi uma decisão fácil. Estamos perto dos Jogos Olímpicos e a partir de agora cada etapa já conta. Nunca é fácil, porque todas as duplas que jogam o Circuito Mundial realmente se planejam para isso. Então você desfazer uma parceria e apostar em um novo trabalho não é fácil. Até brinco, já que dizem que é a parte chata do vôlei de praia. Como é tudo muito pessoal, os envolvimentos e os acertos são diretos entre os atletas com seus técnicos. E acaba que as pessoas não entendem, ficam chateados, mas a gente tem de botar acima de tudo nossas vontades, nossos sonhos, o profissionalismo que a gente trabalha. Então acho que isso acontece em todo lugar, essa chateação. Mas eu estou muito feliz com a mudança. Toda mudança me motiva a ajudar a buscar o melhor, a me reinventar. Estou feliz com isso, principalmente.

Quanto tempo você imagina ser necessário para a dupla chegar a um entrosamento ideal?
Todo mundo fala que o entrosamento é extremamente necessário. Óbvio, se não fosse assim as duplas não treinariam juntas. Mas não tem um tempo certo. Algumas duplas já no primeiro treino, no primeiro torneio, conseguem sair entrosadas. Acho que mais do que entrosamento, o envolvimento emocional em relação à motivação é mais importante. Nesses meus mais de 10 anos jogando vôlei de praia em nível competitivo, eu tenho muito disso. Se fosse um ponto importantíssimo, não sei se eu estaria arriscando assim em cima da hora. Mas eu acho que muito mais do que isso é a motivação. O entrosamento você vai ajustando, mas a parte emocional e a vontade, não. Às vezes uma dupla treina junto há mais de dois anos e o negócio já fica pesado, a parte emocional começa a cair, a vontade, a cumplicidade, a resiliência, a boa vontade um com outro vai baixando, vai tirando os resultados. Então eu digo que mais importante que o entrosamento é a vontade de jogar não só por você, mas pelo seu parceiro. É entender os momentos de dificuldade que ele pode passar e tentar ajudar ao máximo. Acho que isso é mais do que 50% do vôlei de praia. E é nisso que estou apostando.

Bruno e Evandro treinam desde o início do mês (Divulgação/CT Leblon)

Quais características do jogo do Evandro você acredita encaixarem melhor com o seu estilo de jogo?
Com relação às características de jogo, obviamente, o Evandro é um dos atletas que mais vem se destacando, evoluindo, um atleta do porte no Circuito Mundial. O vôlei de praia vem evoluindo bastante, vem chegando realmente muito próximo ao que o vôlei de quadra é: atletas muito altos, bloqueadores muito grandes, haja visto os times que estão rotineiramente fazendo finais, semifinais, são times com bloqueadores muito grandes e um sistema de bloqueio/defesa muito ajustados. Então estou apostando muito nisso. Fora isso, costumo dizer que o time tem de se municiar, tem de ter as armas para apresentar o jogo, tanto ofensivamente quando defensivamente. E nesse ponto eu estou bem confiante. São dois atletas que sacam bem, o Evandro é um cara de 2,10m de altura, tem muita saúde, muita vontade de vencer. É um bloqueador de 2,10m, é o nosso melhor atacante, é o melhor saque do mundo já há umas três ou quatro temporadas. Então ele vai usando as armas dele, eu vou usando as minhas, para nos tornarmos o mais competitivo possível. As qualidades do Evandro são muito importantes para encaixar um bom time para mim.

Como você analisa o cenário do vôlei de praia masculino mundial nesta metade de ciclo olímpico?
A gente sempre acompanhou o vôlei de praia e via aquela hegemonia Brasil x Estados Unidos, o que não acontece tanto hoje em dia. Eu falo isso não preocupado, falo isso de maneira feliz, porque vejo que hoje em dia o vôlei de praia alcançou todos os países. Para se ter uma ideia, hoje a Rússia e a Noruega são os principais times de vôlei de praia. Isso realmente é bem inovador. Quando eu falo que hoje o time número 1 é a Noruega, e logo depois vem a Rússia, as pessoas acham que eu estou brincando, que estou fazendo ironia. “Então dois países de neve dominam o vôlei de praia hoje?” Isso me motiva muito. O cenário é esse. E um dos motivos de eu estar apostando nessa mudança com o Evandro e vice-versa é a gente poder formar um time mais competitivo para jogar contra esses adversários. O Circuito Mundial hoje renovou muito, evoluiu. A Holanda tem dois dois times muito bons, a Noruega é a líder do Circuito Mundial, a Rússia está com dois times muito bons também, os Estados Unidos sempre são os Estados Unidos, a República Tcheca tem um time muito bom. O cenário é muito competitivo. O Brasil também. Do primeiro ao sexto times temos representantes muito competitivos. Todo mundo está trabalhando demais, investindo. O Brasil não pode ficar fora disso.

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