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Coluna - 31 de março de 2019

Coluna: O “March Madness” da Superliga Feminina

A Loucura de Março, como é conhecida essa época do ano para o basquete universitário americano, ganhou uma versão tupiniquim no vôlei brasileiro.

A última semana foi insana na Superliga feminina, tanto dentro quanto fora de quadra.

A começar pela eliminação de Bernardinho e José Roberto Guimarães nas quartas de final da competição. Os treinadores mais vitoriosos da modalidade no país na história sofreram baques em casa, no terceiro confronto dos playoffs. O Sesc, terceiro colocado na fase de classificação, foi eliminado no Tijuca Tênis Clube pelo Sesi Bauru, sexto, ficando fora da semifinal da Superliga pela primeira vez após 21 aparições consecutivas. Já o Hinode/Barueri (quarto) reforçou o tabu negativo diante do Osasco/Audax (quinto), caindo mais uma vez para o vizinho e rival, repetindo edições recentes do Paulista, Copa Brasil e a própria Superliga.

A queda do Sesc teve a repercussão muito amplificada pela infeliz declaração de Bernardinho, chamando Tifanny de homem. A primeira transexual a atuar na principal competição nacional havia sido a maior pontuadora da partida. O treinador admitiu o erro, ligou para a jogadora e se desculpou. Tifanny aceitou. Ainda assim, a discussão extrapolou as linhas das quadras e virou quase um palanque político. A ex-jogadora Ana Paula, contrária à presença da transexual numa competição feminina, usou as redes sociais para voltar a exigir mudanças. Até um dos filhos de Jair Bolsonaro, sem citar o nome de Tifanny, fez críticas, tema que agrada sua base de apoio de direita.

O curioso é que o assunto Tifanny só volta às manchetes quando ela joga. Nesta temporada, ela foi reserva, mudou de posição, não está entre as líderes nas estatísticas da competição. Bastou um bom momento para voltar a ter a condição de jogo questionada. Já disse e repito: ela cumpre a regulamentação atual, que exige estar dentro de um limite hormonal. Não existe regra burlada.

Além disso, uma nova onda de reclamações sobre o ranking teve início, após a manutenção para a temporada feminina 2019/2020. O sistema, já abolido no masculino, segue em vigor para as atletas top. Clubes só podem ter duas delas no elenco, algo que ajudaria no equilíbrio da competição. Mas a atual Superliga dos homens, a primeira sem o ranking, é a mais igual dos últimos tempos.

É bom destacar ainda que a decisão foi dos clubes (apenas o Dentil/Praia Clube e a comissão de atletas da CBV votaram pelo fim). As jogadoras estão certas em cobrar, demonstrando publicamente a insatisfação. A pressão por mudanças deve ser constante, no dia a dia dos próprios clubes. Só assim elas poderão convencer os próprios empregadores que já passou da hora de acabar com o ranking.

Por Daniel Bortoletto

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