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Coluna - Destaques - 4 de março de 2019

Opinião: Sada/Cruzeiro: maior remontagem não freia fome e mais títulos

A 34ª conquista do Sada/Cruzeiro desde 2010, garantida no sábado, em Belo Horizonte, após vitória sobre a UPCN (ARG), na final do Sul-Americano, poderia ser apenas mais uma. Mas não. Foi especial. E os fatores são diversos:

– Nos dez anos da era Marcelo Mendez, a transição da temporada 2017/2018 para a 2018/2019 foi a mais turbulenta e com maior quantidade de mudanças no time-base. Um dos ícones do projeto, o cubano naturalizado brasileiro Leal foi para Civitanova (ITA). O levantador argentino Nico Uriarte, destaque das finais da Superliga passada, aceitou proposta do rival EMS/Taubaté. E o cubano Simon, mesmo com contrato em vigor, resolver seguir o mesmo caminho de Leal, numa separação litigiosa e até hoje mal digerida internamente dentro do Sada/Cruzeiro. As dúvidas sobre a remontagem eram muitas, a ponto de o técnico argentino pedir paciência nos primeiros meses. “O nosso melhor vai começar na virada de 2018 para 2019”, previu Mendez.

– Os resultados iniciais, principalmente após a eliminação na primeira fase do Mundial, fizeram as dúvidas e a pressão aumentarem antes da virada do ano. A torcida vaiou o time em alguns momentos, algo raro nesta trajetória vitoriosa, e jogadores sofreram com muitas críticas e xingamentos em redes sociais. O levantador Fernando Cachopa foi o principal alvo. Parecia que a hegemonia estava cada vez mais em xeque. “Meu conselho para os mais jovens, como Cachopa e Rodriguinho, foi abandonar as redes sociais. Estava fazendo mal para eles”, revelou o experiente líbero Serginho.

– Era esperada uma dificuldade de adaptação de Taylor Sander e Kevin Le Roux. O americano havia sido pai recentemente e uma mudança de país é sempre complicada em situações assim. O francês vinha de algumas temporadas atuando como oposto e num momento de oscilação com a seleção.

Sander tem crescido de produção (Agênciai7/Divulgação)

– A idade dos dois atletas mais vencedores do projeto também já era questionada. O ponta e capitão Filipe, 39 anos recém-completados, e o líbero Serginho, 41, manteriam o alto nível? E o campeão olímpico Evandro, aos 37, continuaria sendo a bola de segurança na saída de rede?

– Até o acerto de Marcelo Mendez para comandar a seleção masculina da Argentina foi questionado por torcedores. “Dividir o tempo fará mal ao Sada/Cruzeiro. Ele deveria ser dedicar 100% ao time”, foram frases que li em redes sociais.

E, um a um, os questionamentos foram derrubados, culminando com a difícil conquista em BH. Na campanha até o hexa sul-americano, o Sada/Cruzeiro saiu duas vezes de um placar adverso de 2 sets a 0. Na semi, contra o Obras de San Juan, até match point o time salvou.  Foi criando aquela “casca” vencedora, mostrando novamente para os rivais que é o time a ser batido, apesar de todo o processo recente de mudanças. Sander foi o MVP e demonstra estar completamente adaptado e feliz no Brasil. Cachopa ganhou elogios pela atuação na final. Rodriguinho entrou para a seleção do campeonato. Serginho e Filipe seguem sendo peças-chave dentro e fora de quadra. E o presidente do Grupo Sada não vê outro treinador, além de Marcelo Mendez, à frente do projeto.

Mendez, o grande comandante do Sada (Cristiano Andujar)

A conclusão em cima de tudo isso: foi implantado um DNA vencedor no projeto, uma mentalidade, com métodos, com hierarquia. Marcelo Mendez é capaz de parar um treino e mandar repetir 20 vezes uma mesma ação após erro inicial de um jogador. E não importa se ele é garoto ou o craque do time. Vai repetir até entender que aquela falha é inadmissível e não pode se repetir. E, tempos depois, a repetição é outra: levantar troféus e colocar medalhas no pescoço.

Por Daniel Bortoletto

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