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Destaques - Especiais - Internacional - 1 de abril de 2019

Schwanke: técnico brasileiro conquista o “mundo árabe”

As diferenças culturais e religiosas entre Brasil e Oriente Médio, o calor extremo durante alguns meses do ano, a língua. Nada disso tira o sono do brasileiro Carlos Schwanke, em sua sétima temporada como treinador na região.

Atualmente no Al-Rayyan, do Qatar, ele também já passou pela Arábia Saudita (Al-Hilal) e pelo Bahrein (Dar Kulaib e seleção do país). Conhece muito bem as peculiaridades e a forma de trabalhar, venceu as dificuldades de adaptação e se transformou em um colecionador de títulos.

Nas três temporadas pelo vôlei catari, ele conduziu o time à conquista de nove títulos (entre campeonatos e copas locais e torneios regionais). Até o meio do ano, buscará mais três: a Copa do Qatar, a partir de quarta-feira, a Copa do Emir, em maio, e entre elas o Campeonato Asiático, contra clubes do Japão, Irã, Austrália, Tailândia, entre outros.

“Estamos ganhando tudo nesta passagem pelo Rayyan e estou mostrando minha base como técnico. A estrutura é bacana, os resultados apareceram, consegui implementar minha forma de jogar, de treinar. Está sendo muito proveitosa essa passagem”, disse Schwanke ao Web Vôlei, em Doha.

Entre as sete temporadas no Oriente Médio, Schwanke teve a primeira experiência como técnico no Brasil, por Montes Claros. Na transição da carreira como jogador para a de treinador, foi assistente de Marcos Pacheco na Cimed, tendo participado da conquista de um tricampeonato da Superliga.

“Tive uma chance no Brasil, em Montes Claros, e não foi como eu queria. Continuei atrás dos meus sonhos. No Bahrein, meu time não tinha tanta expressão, nunca havia ganhado nada. Mas vi potencial nos jogadores. Eram quase sempre de uma mesma vila, onde todos jogavam voleibol, desde as crianças até os adultos. Era impressionante. Fiquei muito cativado com isso. Ganhamos a liga lá, foi uma temporada histórica, que me levou para a seleção do Bahrein e joguei a Copa Árabe de seleções. Logo depois, três times do Qatar me procuraram e acertei com quem me deu mais estabilidade, um contrato mais longo. Sabia que tinha time de com potencial para ser trabalhado. E isso para mim é essencial – comentou.

Em Doha, Schwanke convive com uma comunidade brasileira numerosa, facilitando a ambientação. No dia da entrevista, ele encontrou vários jogadores de futebol, entre eles Lucca (ex-Corinthians e Internacional), Wagner (ex-Vasco, Fluminense, Cruzeiro) e Rodrigo Tabata (naturalizadoe ídolo da seleção do Qatar).

“Esse mundo aqui é complicado. Os brasileiros se encontram mais facilmente pela dificuldade que é morar no mundo árabe. No Bahrein também era legal e aqui no Qatar temos uma comunidade bacana”, disse.

Para as competições finais da temporada, o Rayyan se reforçou com o jovem oposto Rychlicki, 2,06m, nascido em Luxemburgo e que vem de um bom Campeonato Italiano. Na temporada passada, quem esteve no time de Schwanke foi o francês Ngapeth.

“Ele é gente boa demais. Um craque em quadra, raciocínio rápido, diferenciado mesmo. Não tem um potencial físico como outros grandes nomes do vôlei atual, mas compensa com habilidade. É uma pessoa de grupo. Isso que eu acho sensacional. Estava sempre alegre, sempre treinando com disposição. Às vezes chegam uns caras aqui já cansados pela temporada europeia, não se esforçam tanto. Mas Ngapeth chegou aqui com disposição, treinou bem, se adaptou nos 20 dias e foi muito importante”, finalizou o treinador brasileiro.

Os planos para o futuro passam pelos resultados nesta reta final de temporada. O Asiático, que leva o campeão ao Mundial de Clubes, é uma das metas. E o inédito título pode fazer Schwanke alçar voos mais altos.

“Sou novo ainda, tenho 45 anos,preciso buscar meu espaço. E aos poucos estou conseguindo”.

Por Daniel Bortoletto

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