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Entrevista - Internacional - 9 de julho de 2019

Ary Graça elogia e anuncia novidade para o desafio

Segundo o presidente da FIVB, tecnologia chegou para ficar. Ela agora passará a marcar "dois toques"

Presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), Ary Graça fez um balanço sobre o uso da tecnologia no esporte. O desafio (challenge em inglês) é utilizado nas principais competições na quadra e na praia. Nos últimos dias, o “VAR” foi protagonista nas finais da Liga das Nações feminina, em Nanquim, na China, e no Campeonato Mundial de vôlei de praia, em Hamburgo, na Alemanha.

Na quadra, um pedido de Karch Kiraly, com o placar apontando 14 a 13 para os Estados Unidos, no tie-break da final contra o Brasil, foi fundamental para o título. O técnico americano viu um toque de Carol na antena na tentativa de bloqueio. O ponto foi paralisado no meio da disputa e a tecnologia confirmou o erro e consequentemente a conquista dos EUA.

O brasileiro ainda anunciou uma novidade para as próximas competições:

– Agora mesmo ele vai ganhar mais uma função, vai passar a ser usado para a marcação de dois toques na bola – revela o presidente da FIVB.

Confira a entrevista divulgada nesta terça-feira pela entidade.

O que foi decisivo para que a FIVB adotasse a tecnologia e o sistema do desafio?
A constatação de três fatores determinantes: não é possível abrir mão de um recurso que o mundo moderno disponibiliza, o olho humano não consegue mais acompanhar a velocidade que o jogo de vôlei ganhou ao longo do tempo e, principalmente, o que deve decidir uma partida é a ação do atleta e não uma decisão da arbitragem.

No começo houve resistência?
Claro, tudo o que é novo sempre é visto com certa desconfiança. Os árbitros foram os primeiros a reclamar, mas não foram só eles. Hoje, isso já mudou. Os árbitros entram em quadra para apitar um jogo mais seguros porque sabem que podem contar com o recurso do olho mecânico para tirar dúvidas. É um jogo mais transparente, mais limpo e mais justo.

Na decisão da Liga das Nações Feminina o “desafio” determinou o último ponto do tie-break, que deu o título aos Estados Unidos.
Sim e não houve nenhuma reclamação por parte da Seleção Brasileira, para quem o árbitro tinha dado o ponto que empataria o set. A imagem deixava claro o toque da jogadora na antena. Os atletas são os primeiros a concordar quando a tecnologia é utilizada para fazer justiça a um erro humano. Para qualquer equipe perder um jogo e até mesmo uma medalha olímpica, como já aconteceu, por uma falha da arbitragem, é um castigo não merecido.

Ary
Ary Graça na sede da FIVB, em Lausanne (SUI)

E por que no futebol o VAR levanta tanta polêmica?
Por alguns motivos. Em primeiro lugar, no futebol a tecnologia é usada para lances de interpretação. Em segundo lugar, não há a possibilidade da própria equipe pedir a participação do VAR, o que na minha opinião faz uma grande diferença. É muito importante dar às equipes a chance de verificar o que consideram um erro. Técnicos e jogadores saberem que podem recorrer à tecnologia no momento em que se sentem prejudicados é muito bom. Isso faz com que eles participem do processo e se sintam mais seguros.

Quais são os números do desafio no vôlei?
A estatística dos pedidos de desafio aponta que 40% dos pedidos são positivos, ou seja o reclamante tem razão, ou ainda, o ponto seria concedido de forma equivocada. Esse número é a média global, incluindo competições do masculino e feminino, na quadra e na praia, em Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais e na Liga das Nações.

A tecnologia no vôlei ainda pode evoluir?
Sempre. Investimos em tecnologia todo o tempo. Dentro e fora de quadra. A tecnologia não se limita ao desafio, usamos em muitas outras coisas. Mas o próprio “desafio” pode evoluir. Agora mesmo ele vai ganhar mais uma função, vai passar a ser usado para a marcação de dois toques na bola.

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