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Coluna - Seleção Brasileira - Tóquio-2020 - 13 de outubro de 2019

Coluna: Copa do Mundo muda status do Brasil

Texto de Daniel Bortoletto com uma análise do desempenho do Brasil na Copa visando a Olimpíada

A Copa do Mundo mudou o patamar da Seleção Brasileira masculina para os Jogos Olímpicos do próximo ano, em Tóquio.

O Brasil entrou na competição rodeado de dúvidas. Sairá de lá com respostas positivas, demonstrações de crescimento coletivo e possivelmente com um título conquistado de forma invicta.

Neste domingo, a Seleção passou pela Polônia, atual bicampeã mundial e segunda colocada na Copa, disputada por pontos corridos. Foi a nona vitória em nove jogos da equipe, deixando o time de Renan Dal Zotto com as duas mãos na taça. Um novo triunfo, nesta manhã, sobre o Japão, confirmará a conquista.

Título à parte, o Brasil provou ter amadurecido coletivamente do início da temporada até agora. E, para mim, isso é o mais importante pensando no objetivo da defesa do título olímpico, em 2020. Vale uma pequena volta no tempo para lembrar da dificuldade nas finais da Liga das Nações, do sacrifício para vencer a Bulgária, de virada, para conquistar o lugar na Olimpíada, e de bater a Argentina, também após estar perdendo a final, para manter a hegemonia no Campeonato Sul-Americano. Nos dois casos, o Brasil ganhou, mas esteve longe de convencer. E isso mudou na Copa do Mundo.

O primeiro motivo para a mudança foi a comissão técnica de Renan Dal Zotto ter conseguido um pouco de tempo, numa temporada longa e extenuante, para trabalhar em Saquarema. Até então, o Brasil mais viajou e jogou do que treinou. E essa Seleção precisa treinar, estar junta, concentrada, por mais que pareça um clichê. A segurança maior da dupla Leal/Lucarelli é um exemplo deste processo de amadurecimento. Os problemas na linha de passe na Liga das Nações colocaram a formação em xeque, mas as dúvidas diminuíram bastante, mesmo com uma performance ofensiva de Lucarelli abaixo do esperado em algumas partidas.

Copa
Brasil em ação na Copa do Mundo, com campanha invicta após nove rodadas (FIVB Divulgação)

A Copa também ajudou o treinador a tirar dúvidas para a formação do elenco para Tóquio-2020. Como é possível levar apenas 12 jogadores, a competição serviu como testes para vários atletas. Na disputa pela posição de líbero, Thales foi mantido praticamente do início ao fim como titular, fazendo as funções de passar e defender, sem revezar com Maique. E sairá do Japão com o passaporte mais perto de ser carimbado. No levantamento, Bruninho e Cachopa parecem certos, até para iniciar uma renovação com o reserva para o ciclo 2021-2024. O quarteto de ponteiros também, com Lucarelli, Leal, Douglas Souza e Maurício Borges. No meio de rede, Lucão e Maurício Souza, campeões olímpicos em 2016, são nomes certos. E Flávio ganhou muito espaço em 2019 e está na briga com Isac pela condição de reserva imediato. E o elenco será completado por Wallace e Alan, os opostos.

Wallace é o único desfalque brasileiro na Copa. Pediu para ficar no Brasil durante a reta final da gravidez da esposa e foi atendido. Qualquer seleção do planeta sentiria uma ausência semelhante. Alan ganhou tempo em quadra, virou destaque do Brasil e é candidatíssimo ao prêmio de melhor jogador da competição. Parece um veterano, sem sentir a responsabilidade e assumindo o protagonismo. A ponto de abrir uma disputa justa pela titularidade com Wallace, um dos melhores do mundo na posição desde o início da década. Não é pouca coisa o que Alan construiu. E também não é pouca coisa o que o Brasil agregou à sua bagagem para a Olimpíada durante a Copa.

TEXTO ESCRITO POR DANIEL BORTOLETTO E PUBLICADO INICIALMENTE NO LANCE!

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