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Entrevista - 8 de novembro de 2019

Entrevista com Bruno Souza: “Eu respiro vôlei”

Quase um ano depois, Bruno Souza volta ao Web Vôlei para falar sobre a carreira, os planos e a relação com o vôlei

A relação íntima entre Bruno Souza e o vôlei transformou o narrador em um queridinho dos telespectadores do SporTV.

Apaixonado pelo esporte, praticante e muito estudioso, Bruno conquistou espaço com narrações equilibradas entre informação correta, emoção e bordões de sucesso (“Desce fulano de tal, “Fica no bloqueio!”, entre outros). Assim virou referência nas transmissões da emissora.

Para comprovar a popularidade de Bruno, dê uma passada no Twitter durante uma partida exibida pelo SporTV, com a narração dele.

E, atendendo os pedidos de vários fãs de Bruno Souza, o Web Vôlei publica uma nova entrevista com o narrador. Quase um ano atrás, ele foi um dos primeiros entrevistados do portal. E volta para contar o que mudou na vida dele desde então. E não é um saque fake news!

No ano passado, você foi um dos primeiros entrevistados da história do Web Vôlei. E até hoje a conversa repercute aqui e nas redes sociais, com muitos elogios dos telespectadores ao seu trabalho. De um ano pra cá, qual o balanço você faz da sua carreira?

Primeiramente, agradeço por mais uma oportunidade de falar sobre vôlei. O balanço que eu faço é exatamente esse: gratidão. Agradeço demais às pessoas que gostam do meu trabalho e pelos elogios. Isso só faz aumentar a minha responsabilidade de entregar uma transmissão bacana e buscar me preparar cada vez mais. Agradeço também ao SporTV pela oportunidade de trabalhar com o esporte que eu amo. Em 2019 vou ultrapassar a marca de 120 partidas de vôlei de quadra transmitidas (sem contar o vôlei de praia), o que é realmente sensacional.

Poderia escolher um jogo em especial ou fazer um top 3 das transmissões inesquecíveis da sua vida?

Um jogo que me marcou muito foi Brasil x Rússia pelo Campeonato Mundial Masculino 2018. Pelo fato de ser um clássico e pelas circunstâncias. O resultado deixaria o Brasil muito perto de uma vaga na semifinal. A seleção havia perdido de uma maneira muito contundente para os russos na Liga das Nações, então precisava dar uma resposta. A Rússia saiu vencendo por 2 a 0 e o Brasil conseguiu uma grande virada, com o ponto final marcado pelo Douglas Souza. Eu saí acabado da transmissão. Parecia que eu tinha jogado juntos com os caras. Outro jogo que não posso deixar de mencionar foi Minas x Eczacibasi pelo Mundial de Clube, também em 2018. Talvez a maior vitória do Minas, pelo claro favoritismo da equipe turca. Uma semifinal, uma diferença grande de investimento, mas Gabi, Natália e companhia jogaram demais e venceram o time comandado pela Boskovic de maneira inesquecível. Jamais vou esquecer esta partida. Para fechar o top 3, fico com Brasil x Polônia pela Copa do Mundo 2019, por ter sido mais um 3 a 2 emocionante, pelo confronto Leal x Leon em uma partida oficial e por ter encaminhado o título do Brasil na competição, coroando um desempenho formidável de fato. Sem contar que estávamos engasgados com a Polônia pelo histórico recente.

Os telespectadores podem esperar novos bordões para a temporada 2019/2020?

Estou sempre de olho nas redes sociais e pode pintar algo novo sim. Acredito que a gente sempre tem que se reinventar. Mas, sinceramente, não me preocupo com isso. Me preocupo em fazer uma transmissão correta, dar informações precisas, estar atualizado com relação a regras e transferências, isso é o primordial. Fazer tudo isso buscando o equilíbrio entre precisão e descontração, até porque quem liga a televisão busca se informar, mas também se divertir um pouco.

A Superliga está prestes a começar. Quando começou sua preparação para narrar o evento?

A preparação é diária. Pelo volume de partidas transmitidas, estou sempre fazendo relações com o nosso Campeonato Brasileiro. Na Copa do Mundo e nos Estaduais, sempre chamamos a atenção para os atletas estrangeiros que vão disputar esta próxima edição da Superliga. Também procuramos destacar as mudanças de clube (ou permanências) dos atletas brasileiros. Eu respiro vôlei, então a preparação é contínua. Muita leitura, muito estudo para as transmissões. Cada dia eu aprendo um pouquinho mais sobre o nosso vôlei. Não dá para cair na armadilha do “já sei tudo”. Às vezes, me falam: “você trabalha com vôlei, seu trabalho é um hobby”. E eu digo: “Pelo contrário, exatamente por ser o vôlei, que eu tenho que me preparar o dobro, porque se eu cometer um erro, vou me cobrar demais” E eu me cobro muito realmente.

Você é um narrador com muito conhecimento do vôlei. Gostaria de se arriscar como comentarista por aqui e fazer um prognóstico do que esperar das Superligas masculina e feminina?

Sem ficar em cima do muro, na Superliga Masculina, acredito que quatro equipes brigam pelo título, tendo por base o investimento feito: Taubaté, Cruzeiro, Sesi/SP e Sesc/RJ. Campinas e Itapetininga podem surpreender. Muito curioso para ver os trabalhos de Ribeirão Preto e América. O Minas é sempre o Minas, não dá para descartar. Cenário equilibrado mais uma vez. No feminino vejo também quatro equipes com chances de título: Praia Clube, Sesc/RJ, Osasco e Sesi/Bauru. Minas e Barueri podem surpreender, assim como o Pinheiros. A dupla Fla-Flu merece destaque também, mas pelo menos neste início correm por fora. Sempre me baseando, como disse, no investimento feito pelas equipes.

Como você e a equipe de comentaristas e narradores do SporTV se organizaram para cobrir um torneio longo como as duas Copas do Mundo em um fuso complicado para nós?

É um período de muito trabalho realmente. Procurei me isolar e dormir o máximo que eu conseguia até o horário das partidas. Quando chegava em casa, eu já ia direto para a cama. Depois, fazia todo o estudo do próximo jogo. É um período no qual a disciplina conta muito e o apoio da família também. Minha esposa me ajudou bastante com a nossa filha (de apenas 5 anos), com alimentação, e diminuição dos ruídos em casa na hora em que eu estava tentando dormir. Mas, não tem jeito, o organismo funciona de uma maneira diferente.

Carlão, Bruno Souza e Nalbert (Reprodução)

Pensa em fazer um perfil no Instagram? Os amantes do vôlei pedem muito nos grupos de whatsapp, por exemplo.

Por enquanto, sem Instagram. Só no Twitter mesmo. Mais para me informar e divulgar as transmissões do que para postar algo da vida pessoal. Precisamos viver mais a vida real do que a virtual. Já dedico muito tempo ao trabalho. Não gosto de expor a minha vida pessoal na internet. Assuntos relacionados ao vôlei e às transmissões do SporTV estão lá no Twitter: @bsouzasportv. Será um prazer receber os amigos e fazer novos por lá. Sempre pelo crescimento e pela paixão ao vôlei. As pessoas dão muita importância ao narrador, se preocupam muito com quem vai transmitir o jogo. Nós não somos mais importantes do que o Lucarelli, a Jaqueline, o Zé Roberto. Penso que somos apenas porta-vozes do espetáculo, sem querer ser mais do que isso. As pessoas deviam se preocupar mais em desfrutar o jogo, curtir quem realmente importa, que são os atletas. Um lance genial na quadra vale muito mais do que um “bordão”.

Tem gostado da experiência com podcast?

Muito. Mais tempo para desenvolver os assuntos relacionados ao vôlei. Uma outra linguagem também. Temos feito grandes entrevistas no “Jornada Das Estrelas”. Dar voz aos personagens é algo fundamental e muito prazeroso também. Fiquei muito feliz ao ser contemplado com o projeto do Podcast. O programa não é meu, existe uma equipe muito competente que pensa o roteiro e viabiliza os convidados. Agradeço ao Esporte da Globo pela experiência, em especial a dois profissionais que me auxiliam demais: Bruno Felberg e Juliana Mattos. Fizemos grandes entrevistas no “Jornada Das Estrelas”: ouvimos Leandro Vissotto, Bruninho, Lucarelli, Fabíola, Ágatha e Duda, Alison, Sheilla, entre outros grandes nomes da modalidade. Acessem.

Com maior exposição, certamente há um reconhecimento maior fãs de vôlei em lugares públicos. Como é sua relação com a torcida?

Temos feito poucos jogos nos ginásios, por enquanto a relação fica estabelecida mais nas redes sociais mesmo. Procuro sempre ser educado e responder às dúvidas. Como falei anteriormente, eu só tenho a agradecer. Contudo, jornalista não é celebridade. Claro que ser reconhecido é legal, mas os verdadeiros protagonistas são os atletas. A vaidade é uma armadilha perigosa para quem trabalha na televisão.

Ainda consegue jogar vôlei nas horas vagas?

Sim. Sou fominha. Quando a escala permite, estou sempre no clube. O nosso grupo se reúne duas vezes por semana (eu tento sempre estar presente nos dois dias) e a galera é boa de bola. Pessoas de todas as idades, é bem democrático. Há um ano e meio, mais ou menos, voltei a jogar sério. O quarteto na quadra é bem gostoso de praticar. Fiquei feliz com a melhora no meu nível técnico, estou até levantando direitinho. Assim como no trabalho, na quadra eu também me cobro bastante. Sou um pouco marrento também, tiro onda com o pessoal mesmo. Nas duas últimas semanas fiquei provocando a galera porque venci 13 sets seguidos. Tem feito muito bem para a minha saúde, não só física, mas mental também. Revi antigos e fiz novos amigos. Alguns bordões surgiram lá, de dentro da quadra, inclusive. Fico perturbando o Carlão para ele ir lá bater uma bola com a gente, nem que seja só para jogar de líbero. Seria incrível dividir a quadra com o nosso capitão.

Você se espelhava em quem na narração antes de constituir o seu próprio estilo?

Cresci acompanhando os profissionais do SporTV, foi neles que me espelhei. É um orgulho muito grande poder chama-los atualmente de colegas. São até hoje grandes referências para mim: Luiz Carlos Jr., Sergio Mauricio, Eusebio Resende e Daniel Pereira. Outros dois caras também foram fundamentais no meu aprendizado: Lucas Pereira e João Guilherme. Sou grato a todos eles.

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