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Destaques - Entrevista - 14 de janeiro de 2020

Facundo Conte: “Chegada ao Brasil aconteceu na hora certa”

Em entrevista ao site Volleyball.it, o ponta argentino Conte fala sobre a carreira

Estar perto de casa, usar camiseta e chinelos sem se preocupar com o inverno rigoroso, ser o atual campeão nacional, estar empolgado com a classificação para a Olimpíada… Facundo Conte demonstra estar feliz de vida.

Aos 30 anos, ele acumula passagem por Itália, Rússia, Polônia, China, Qatar e agora Brasil. Em entrevista ao site Volleyball.it, o ponta argentino do Sada Cruzeiro falou sobre a carreira, a classificação da Argentina para os Jogos Olímpicos de Tóquio, a segunda temporada no país (EMS/Taubaté na estreia) e os planos para o futuro.

Confira abaixo alguns trechos da entrevista de Conte.

O peso de ser filho de um craque do passado (Hugo Conte)

Vamos começar a entrevista com uma pergunta difícil (risos). Por muito tempo, isso pesou. Não é uma tarefa fácil, mas ao longo do tempo percebi que era uma sorte e uma honra poder roubar dele os segredos do esporte que eu adoro desde criança. Percebi que o vôlei me fazia sentir vivo. O mais interessante foi descobrir que a maior pressão sempre veio de dentro de mim. Hoje estou tentando administrar essa pressão interna, pois quero me soltar, me divertir, assim como fazia quando criança.

Classificação da Argentina para Tóquio

Estou muito feliz por ter a oportunidade de disputar um torneio como a Olimpíada pela terceira vez. Com o tempo, nossa equipe está melhorando bastante, há uma boa mistura de atletas experientes e outros mais jovens. Todos nós estamos muito motivados.  Estou feliz por fazer parte de uma equipe que luta sempre até o fim. Estamos com tanta fome que acho que faremos uma bela Olimpíada.

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Em ação pela seleção argentina (FIVB Divulgação)

Relação com a Federação Argentina

A situação com a Federação permitiu que a família do voleibol ficasse ainda mais forte. Então, no fim das contas, o que aconteceu foi algo muito positivo e tenho orgulho de fazer parte deste movimento. Em resumo, não concordamos com o relacionamento que a Federação mantém com os jogadores, basicamente, também com o trabalho que está sendo realizado. Na Argentina vemos uma melhora de todos os esportes, exceto o vôlei.  São tomadas decisões erradas, que não permitem que o esporte dê um salto qualitativo. Lembro que meu pai, como muitos outros jogadores da história do vôlei argentino, teve de lutar contra a Federação para manter seus direitos. Infelizmente ainda não conseguimos garantir que a Federação esteja do lado do esporte.

O calendário mundial

Às vezes me parece que esquecemos que os jogadores de vôlei são humanos. Infelizmente, hoje em dia são muitos torneios disputados com equipes secundárias ou, em alguns casos, sem os jogadores importantes. E os atletas sofrem muitas lesões graves. Isso acontece pois são muitas competições. Para aqueles convocados para a seleção, não existem férias. Durante 11 anos, não tive mais de 15 dias de descanso entre a temporada de clubes e a de seleções. Não estou falando apenas de férias, mas sim de descanso. O corpo sofre muito. Na opinião, isso está errado.

Cidadão do mundo (jogou na Itália, Rússia, Polônia, China, Qatar e agora Brasil)

Não sei por onde começar, Experimentei coisas que nunca imaginei: momentos bonitos, outros difíceis, encontros com pessoas maravilhosas… Cada experiência me ensinou muito, foram caminhos maravilhosos até nos momentos mais complicados, que me levaram a experimentar situações legais.

A passagem pelo vôlei brasileiro

A chegada ao Brasil aconteceu na hora certa para que eu pudesse aproveitar ao máximo a experiência. É claro que, com a vitória na Superliga (título de Taubaté na temporada 2018/2019), tudo ficou mais fácil. Mas, acredite, mesmo que tivéssemos perdido, já teria sido uma passagem maravilhosa. O Brasil é um país incrível, com pessoas maravilhosas e muito alegres. Estou muito feliz por ter tido a chance de jogar aqui novamente nesta temporada. Estou mais perto de casa, não apenas geograficamente, mas também humanamente. E não vamos esquecer que eu visto apenas camisas e chinelos (risos)

Voltar à Itália no futuro

O retorno para a Itália é algo que ainda permanece aberto para mim. Saí quando ainda era muito jovem. Gostaria de experimentar o Campeonato Italiano novamente, mas desta vez como “adulto” (jogou na Itália entre 2007 e 2012).

Conte por Conte em três palavras

Acho que ninguém pode ser descrito em três palavras. Cada um de nós é muito mais do que isso. Se eu tivesse de me resumir em três palavras, diria que são: alegre, apaixonado e autêntico.

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