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Coluna - Destaques - Superliga - 21 de abril de 2020

Erich Beting: “Fim de Superliga expõe vôlei frágil”

Veja a coluna publicada na Máquina do Esporte

Em 2009, levantamos uma polêmica discussão dentro da Revista Máquina do Esporte. Com o título de “Abandono”, mostrávamos que a época de ouro do vôlei parecia chegar ao fim. Naquele ano após a crise de 2008, as empresas de grande porte que apoiavam a modalidade tiraram seus investimentos, gerando uma debandada de clubes e reduzindo a força do produto da Superliga. Dez anos depois, a necessidade de se cancelar o campeonato sem ter um campeão declarado mostra que o alerta de 2009 parece não ter sido seguido por nossos gestores.

Esporte tido como exemplo nos anos 90 e começo da década de 2000, o vôlei expôs agora toda a fragilidade que existe em sua estrutura. Visto como um dos maiores responsáveis pelo seu sucesso, o Banco do Brasil é também o maior vilão da modalidade. O patrocínio milionário do banco, que faz com que a CBV seja de longe a entidade que mais fatura com vôlei no mundo, é hoje responsável em grande parte também pelo esporte não conseguir se tornar independente a ponto de não resistir a mais de um mês de paralisação de suas atividades.

Não que a situação dos outros esportes seja mais alentadora, mas o caso do vôlei é emblemático. Tendo uma entidade esportiva com faturamento de quase R$ 90 milhões ao ano, a modalidade não consegue manter um campeonato nacional de primeira divisão e prefere cancelá-los. O modelo de negócio do vôlei está muito errado e não é de hoje. E não apenas no Brasil. Com um calendário que privilegia os confrontos entre seleções, o esporte não consegue desenvolver sua base nacionalmente. O Brasil tem uma seleção fantástica e vitoriosa, mas são apenas 12 atletas que estão lá. Qual a base formadora do esporte?

Além da questão esportiva, isso leva a uma pressão econômica. A verba de patrocínios precisa ser concentrada na confederação, já que a seleção é o maior produto. E os clubes ficam espremidos com quatro a seis meses de atividade ao longo da temporada. Isso significa menos verba e, mais ainda, menos condições de formar talentos. A vida de um clube de vôlei é medida de ano em ano. Ou melhor, de semestre a semestre. O patrocínio tem prazo de validade. Começa em novembro, termina em abril. Não dura mais do que isso, já que não há evento e exposição aos atletas.

Agora, a pandemia expõe aquilo que dizíamos há dez anos. O vôlei está abandonado como produto e negócio. A CBV deita no berço esplêndido de um acordo milionário com o BB e os clubes, que fazem o dia a dia do esporte, apenas sobrevivem.

Texto de Erich Beting, publicada na Máquina do Esporte

 

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