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Fora de Quadra - 23 de maio de 2020

Encontro de gerações entre os xarás William

Live aconteceu nesta sexta-feira

Um encontro virtual de William´s. Capitão da chamada Geração de Prata, William Carvalho, e o campeão olímpico, William Arjona, conversaram, nesta sexta-feira, em live da CBV, sobre o que mais entendem: levantamentos. Mas também falaram sobre o vôlei de antigamente e o atual, relembraram histórias, se divertiram e se emocionaram.

O encontro começou com o William mais jovem da dupla fazendo uma declaração de reconhecimento e gratidão ao jogador que participou de uma geração precursora no voleibol brasileiro.

– Jogo com a camisa 7 por sua causa. Um dos primeiros jogos de vôlei que assisti na vida foi na Pirelli. Meu pai também se chamava William e ele disse ´vou te levar para assistir um cara que você vai adorar´. E desde que eu entrei no vôlei tinha como meta estender esse nome e esse número o máximo que eu pudesse. Pensei: se um dia eu chegar na seleção brasileira, se um dia eu conseguir jogar uma Olimpíada, quero que ninguém esqueça do número 7 e do nome William. E eu acho que consegui – disse Arjona.

– Não só conseguiu, como elevou ao mais alto nível a camisa 7. Sempre que estou assistindo jogos onde você está eu falo isso aos meus amigos e fico super envaidecido. É um prazer muito grande estar nesse bate-papo com você. Costumo dizer que muito mais importante do que as medalhas que conquistamos, são as coisas que conquistamos fora da quadra. Na minha geração, foi a massificação. O legado que é muito legal – respondeu William Carvalho.

Os xarás conversaram sobre as diferenças no vôlei praticado na época de um e de outro. No papel de entrevistador, William Arjona teve curiosidade em ouvir um de seus ídolos sobre o assunto.

– Fisicamente, o Brasil cresceu demais. Na minha época, os caras lá fora já eram grandes, mas o time brasileiro cresceu. Um pouco antes da nossa geração, nós fazíamos tudo que se fazia no mundo. A partir do momento que crescemos fisicamente, passamos os caras porque talento sempre tivemos. Nosso voleibol passou a ser uma referência. Na minha geração, o mais alto tinha 1,98m, que eram o Maraca e o Fernandão. Hoje, com 1,98 são os ponteiros. Os centrais têm 2,15m, 2,12m. Por isso, tivemos que implementar a criatividade e a velocidade com que jogávamos para driblar o tamanho dos adversários – explicou William Carvalho.

Em meio ao bate-papo, Arjona pediu um conselho ao mais experiente.

– Devo improvisar jogadas que vocês faziam naquela época. Quero fazer desmico, between, degrau, aquelas bolas bonitas que víamos e que não existem mais – disse o levantador, que recebeu apoio: – Acho que em determinados momentos do jogo é possível dar essa improvisação, usar jogadas que usávamos no nosso tempo.

William Arjona ainda desafiou o Capita a falar sobre os levantadores que mais gosta de ver jogar. William Carvalho retornou ao seu tempo, dando destaque a quem era o titular na época em que chegou ao time da Pirelli, um dos mais tradicionais da história do voleibol brasileiro.

– Sempre fui fã dos brasileiros. Não só dos levantadores, como os atacantes. Sempre achei que nós éramos monstros perto dos estrangeiros. Quando cheguei na Pirelli, o Décio Cattaruzzi era o levantador. Eu e o Zé Roberto éramos molequinhos jogando e ele era o titular do time adulto, o cara em quem nos inspirávamos. Na época jogávamos até no esquema 3×3, com três atacantes e três levantadores. Ele era o cara e, além disso, me ajudou muito quando cheguei no time – contou William.

Seguindo desempenhando bem a função de entrevistador, o levantador, que deixará o Sesi, então quis saber sobre qual escola era a mais seguida pela Seleção Brasileira no tempo de William Carvalho.

– Eu sempre me inspirei muito na velocidade da escola asiática, mas tínhamos mais dificuldades em enfrentar a europeia. Os asiáticos, do mesmo jeito que davam aquelas fintas, eles também tomavam muito fácil e isso é assim até hoje. Era um voleibol plástico. Mas, nós só começamos a ter sucesso quando criamos a nossa escola. O Bebeto e aquela comissão técnica tiveram uma visão incrível em termos de estratégica para a nossa equipe que foi sensacional. Como éramos baixos, a estratégia era tirar a bola da rede e atacar pelo fundo. Com isso, surpreendemos o mundo – relembrou William Carvalho.

Quando perguntado sobre os levantadores que estão em ação atualmente, William Carvalho fez questão de destacar a qualidade do próprio William, além de Bruninho, Rapha e Fernando Cachopa.

– Os mais velhos ainda estão dominando: você, Bruninho e o Rapha. Também bato palmas para o Cachopa, que me surpreendeu jogando na seleção brasileira. Ele foi muito bem e eu tiro o meu chapéu. Sempre digo que o Bruninho tem que ser o titular da seleção hoje em dia. Ele é o mais completo, tem a cabeça muito boa, é muito focado, tem o domínio da situação, é o que mais bloqueia, defende muito bem. E falo mais: dos capitães que tivemos na história da seleção brasileira, eu vejo o Bruninho com um equilíbrio emocional, culturalmente falando de voleibol tão bem, quando vem para uma entrevista, mesmo depois de uma derrota, sempre lúcido, ou falando com o grupo. Nunca trabalhei com ele, mas conheço a mãe e o pai, sei da sua índole e acho ele um cara incrível – afirmou William Carvalho.

Neste momento, William Arjona fez questão de complementar as qualidades e elogios a Bruninho.

– Para o grupo, como capitão, ele tem uma liderança nata, é um jogador vencedor, que quer ganhar sempre, até no par ou ímpar.

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