Carol Gattaz
Home Entrevista Gattaz: “Alguns técnicos brasileiros poderiam se modernizar mais”
Entrevista - 9 de maio de 2020

Gattaz: “Alguns técnicos brasileiros poderiam se modernizar mais”

Em live no canal do YouTube do “A beira da quadra”, na semana passada, a central do Itambé/Minas, Carol Gattaz, falou que a Olimpíada é a sua maior motivação para, aos 38 anos, se manter em forma tanto física quanto tecnicamente. Carol segue em isolamento social na cidade de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e posta, constantemente, vídeos e fotos suas malhando e mantendo a forma durante o período da quarentena.

– Olimpíada é a minha maior motivação, desde que eu entendi que poderia brigar por uma vaga (na seleção). O Minas me proporcionou isso, com um grupo cada vez mais forte – disse a meio-de-rede, que está no clube mineiro desde a temporada 2014/2015.

– Eu percebi que poderia brigar pela vaga. Eu me cuido, estou numa fase boa, achei que a gente jogou bem nesta Superliga, com Thaisa e a Macris…. A gente se esforçou muito. Meu principal objetivo da vida é estar em Tóquio – revelou.

Carol foi a segunda atacante mais eficiente da Superliga Feminina 2019/2020 – até o seu encerramento, em 21 de março, após o encerramento da fase classificatória – com 55% de aproveitamento (175 pontos marcados em 318 ações), atrás apenas da central Thaisa, com 57%.

O Web Vôlei assistiu a live e separou abaixo os principais trechos.

Trabalhou com Zé e Roberto e com Bernardinho

Muito engraçado porque eles são pessoas diferentes no temperamentos, mas são dois caras viciados em trabalho, em resultados, são dois técnicos que gostam muito de treinar. Mesmo o Zé sendo mais comedido em algumas situações e o Bernardo mais explosivo, no dia a dia eles são muito parecidos. Os dois trabalhos são maravilhosos. O Bernardo é um dos melhores técnicos como qual eu já trabalhei, muito perfeccionista, assim como o Zé, que te motiva, te faz melhorar. Por mais que eles sejam diferentes, são iguais. São dois grandes técnicos, dois dos maiores do mundo.

View this post on Instagram

Talvez eu não consiga mensurar o sentimento de GRATIDÃO?? que eu estou tendo com esse Projeto da nossa Live solidária.??❤️ Hoje conseguimos juntar todas as doações,e levar para às instituições. . Quero agradecer de coração a cada um de vcs que doaram,ajudaram,assistiram e se divertiram com a gente na Live.???? Em tempos de incerteza, a única certeza que temos, é que JUNTOS, poderemos vencer muitas batalhas. OBRIGADA❤️ . “Faça o bem,sem olhar a quem.” Né @elainecristtinaoficial . E a data da nossa próxima LIVE SOLIDÁRIA ??já está marcada. ?Anota aí:Dia 30/05 as 18hs.? . As doações vão continuar. Quem quiser doar,pode mandar mensagem para o celular? :17-982223088. (Quem doar por aqui,será para doações na próxima Live. Estamos escolhendo algumas outras instituições para doar) . Ou se quiserem doar direto para às instituições que ajudamos: Madre Teresa de Calcutá:17-32354645 Comunidade Católica Mar a Dentro:17-997938575

A post shared by Carol Gattaz (@carolgattaz) on

Trajetória no Minas até o título da Superliga

Eu cheguei ao Minas em 2014. Na época, estava acontecendo uma transição. O Minas estava até então sem patrocínio e tinha conseguido um. E eu não fui a primeira opção deles na posição. Eles contrataram a Walewska. E chegou em setembro, já eu estava sem esperança, procurando um time e o Minas me ligou e eu fui. E aí começou essa trajetória muito bacana, porque eu me identifiquei muito com o clube, com o jeito do clube, a família que é isso daí. Sou muito apaixonada pelo clube e pela torcida. E coloquei o objetivo de ser campeã pelo Minas. Mesmo nos anos em que não tínhamos um patrocínio tão forte para brigar pelo título e tudo mais, continuei com esse objetivo. E culminou com a temporada passada, a 18/19, em que a gente ganhou quase tudo. A gente foi quase às escuras. Não sabíamos até quando esse time chegaria. Cada ano a gente subia um degrauzinho, e eu pensava “tá quase, tá quase” e chegou o momento (o título da Superliga 2018/2019). Um dos melhores momentos da minha carreira.

Rotina na quarentena

Estou em atividade cantando (risos), brincadeira. Eu treino todos os dias. Tive a sorte de aqui no prédio eles não fecharam totalmente a academia. Claro que não é uma academia de clube, mas tem pesos. Tem horário demarcado e treino sozinha, quando estou na fazenda eu corro, bato uma bola de leve, só para não ficar parada mesmo. mas faço atividade todos os dias.

O que faz para se manter em alto nível

A Wal é uma das minhas referencias. Ela sempre se cuidou muito e por isso está jogando até hoje em alto nível. Quando eu vejo a Walewska naquele porte físico, ela é a minha inspiração. Eu tenho alimentação e descanso regrados. Sei que hoje eu preciso mais da parte física do que eu consigo treinar em quadra, sempre estou dando um pouquinho a mais na musculação. Passo do meu limite para sempre dar um empurrãozinho, estou sempre lendo sobre o assunto para me manter em alto nível.

Lavarini

O Stefano foi se adaptando. No começo, queria colocar umas coisas da Itália no nosso dia a dia, mas depois entendeu que ele tinha de adaptar. O modo dele trabalhar dispensa comentários. É um técnico super moderno que trouxe coisas diferentes, modernas, que a gente se perguntava: “Será que vai dar certo?” E a gente fazia e dava. De repente alguns técnicos brasileiros poderiam se modernizar mais, porque o vôlei se modernizou. Ele estava 100 por cento ligado no vôlei da Turquia, da Rússia, da China… E trouxe muita coisa para a gente. E o Nicola também trouxe isso.

Bloqueio

A gente estuda muito os adversários e sabe as passagens da rede. O técnico passa antes, mas a gente também faz a leitura, é muito dinâmicos. Tem de avaliar o passe A, B, ou C. Se for A, você sabe que tem três opões, se for B, já sabe que tem levantadora que joga com o meio com passe B, outras não, se for C, já sabe que é para as extremidades.

Melhor depois dos 30

Foi depois dos 30 que eu fiquei madura para ser uma central melhor. Depois do Minas, eu comecei a ter mais maturidade e a entender que o jogo de vôlei não é só entrar ali e jogar. Tem de estudar, tem de entender. Depois dos 28, ali, a coisa mudou. Se eu tivesse entendido isso mais cedo, talvez tivesse brigado mais na seleção. Mas, tudo bem. São coisas que a gente entende e tenta passar para as mais novas. infelizmente, vejo as meninas não levando tanto pelo lado profissional…

Bloqueou melhor nesta temporada

É difícil falar, mas eu treino sempre do mesmo jeito que sempre treinei. Não tem nenhum motivo (para ter bloqueado melhor nesta última temporada). Aconteceu, claro que fico preocupada em melhorar meus fundamentos, que são ataque e bloqueio. Hoje em dia a central tem de estar toda hora disponível para atacar. Espero que na próxima temporada eu esteja melhor ainda.

Após a aposentadoria

Ainda não sei. Eu amo jogar. Amo o que eu faço e enquanto eu tiver saúde para jogar vou continuar. Mas, quando parar, pretendo sim continuar no esporte. Ainda Não sei em que área, provavelmente em gestão, enfim, trabalhar no meio do esporte. Pretendo fazer especializações, cursos…

Seu ponto forte

Superação e persistência. Sempre persisti muito no que eu quero, nos meus objetivos.

Jogo marcante

São vários, mas vou falar um dos mais recentes, foi oi primeiro título do Sul-Americano de 2018, que foi muito bacana, porque fazia aos que o Minas não ganhava nada de importante, e a gente sempre bateu na trave, ficando na semifinal de superliga e ali foi importante, ganhamos do Rio, 3 a 2, muito bacana, muito legal. E, claro, a final da Superliga do ano passado me emocionou demais…

Jogadora que foi difícil bloquear nesta temporada

A Polina. Ela é muito alta, muito forte e é muito difícil pegá-la no bloqueio.

 

Veja também

Análise: Perdeu feio sim. Mas não é terra arrasada

A derrota da Seleção Brasileira masculina para os russos foi impactante mesmo. O placar de…