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Entrevista - Superliga - 27 de julho de 2020

Bernardinho: “A Nação pode esperar raça e dedicação. Vamos brigar”

Em entrevista à Fla TV que foi ao ar no YouTube oficial do clube no sábado à noite, o técnico do Sesc RJ /Flamengo Bernardinho falou durante quase 25 minutos sobre início da carreira, Seleção Brasileira, família, futuro e o desafio de estar à frente de um projeto que tem como parceria um dos maiores clubes de futebol do mundo e de se aliar à uma torcida que arrasta milhões.

O Sesc RJ é o maior vencedor do vôlei nacional, com 12 títulos brasileiros e quatro troféus de Copa Brasil – o último deles conquistado em fevereiro deste ano.

– Sei que a expectativa é alta. Vamos brigar? Vamos brigar. Somos favoritos? Longe disso. O orçamento de ao menos quatro (clubes) são maiores que os nossos. Mas vamos trabalhar e, principalmente, fincar as bases para crescer. Nosso sonho é grande. Sonhar pequeno dá muito trabalho. Flamengo, quando pensa, pensa em Sul-Americana, Mundial. Pensamos nisso, mas precisa de tempo. Não adianta conseguir um investimento altíssimo, mas que dura dois anos. Não. Tem de ser alguma coisa realmente estruturada para que a gente permaneça por décadas, para que isso faça parte dessa estrutura gigantesca que foi o que me atraiu – disse Bernardinho.

O treinador, bicampeão olímpico (Atenas-2004 e Rio-2016) e tricampeão mundial (2002, 2006 e 2010), revelou que a parceria é um namoro antigo:

– Esse namoro já acontecia ha um tempo, pela minha amizade com o Marcelo Vido (Diretor de Esportes Olímpicos do Flamengo), a esposa dele jogou voleibol, a Luiza Machado, foi Seleção Brasileira, e eles sempre tiveram o projeto de resgatar o vôlei. Sempre teve na base, mas não acontecia. O projeto é pé no chão, responsabilidade, o Sesc RJ é um patrocinador incrível do projeto, que acredita no poder transformador do esporte. A missão do Sesc é educar. Eu não tinha a base no Sesc. A associação (com o Flamengo) vai nos dar a possibilidade de estimular essa base e no futuro alimentar o time. Amanhã eu não vou estar aqui, mas o projeto vai permanecer. Eu quero ver que o vôlei do Flamengo seja visto como o remo é, como o basquete é, sustentado, com pilares – disse.

Bernardinho também ressaltou que o bom trabalho no futebol e nos demais esportes olímpicos do clube nos últimos anos abriu as portas para que ele pudesse acreditar na parceria.

– No passado, a governança falhava, na minha visão como observador, como um gestor de esporte. Esse tipo de ambiente não me atraía, diferentemente do que acontece hoje aqui. Até foi difícil de fazer porque o ambiente, hoje, é muito complexo. E não podemos prometer o que a gente não tem. Mas é o que acontece muitas vezes por aí. Eu gosto de projetos bem estruturados, sérios, e que, depois, gerem resultados. Vide o que o Flamengo fez nesta temporada com o futebol – exemplificou.

Doze vezes campeão da Superliga, Bernardinho fala da receita do sucesso.

– Não sei se tem receita, mas certamente o caminho é trabalho duro. É claro que um pouco de talento vai ajudar bastante. Fiz uma live com Daniel Alves, uma figura espetacular. ele falou uma coisa muito interessante, a eu me identifiquei muito… Ele falou: “Professor, eu aprendi de um professor meu que sucesso é você dar o seu melhor todos os dias. O êxito, você consegue de vez em quando, que é um campeonato, um título” Eu não controlo o talento. Papai do céu deu um pouco de talento para um, para o outro.. ,eu contro o meu trabalho. Eu era um jogador mediano. Cheguei à Seleção, entre os reservas, mas entre milhares de jogadores de vôlei eu fui um dos 12. Certamente eu tinha algo para contribuir. Nada resiste ao trabalho. Se você realmente se dedicar, você vai ficar bom naquilo. Você pode não se transformar num Michael Jordan, mas vai ser um bom jogador – disse o treinador.

Bernardinho analisou a carreira vitoriosa e disse o que mudaria:

– Eu não trocaria nada na minha carreira, mas talvez tivesse me divertido um pouquinho mais. É aquela história acaba hoje eu já estou pensando no amanhã. O pessoal tá comemorando a vitória e eu já estou pensando no outro dia. É da minha personalidade – revelou.

Bernardinho
(FlaTV/Reprodução)

O novo técnico do Sesc RJ/Flamengo disse que ainda tem sonhos para realizar:

– Sou um projeto em construção ainda. O sonho é construir outros times. Fazer desse um projeto de referência. Sei que vai ser trabalho, vai ter pressão, é do jogo, mas… é um desafio. A gente quer depois poder ter um Maracanãzinho lotado.. um passo de cada vez – disse.

Sobre a pressão de ter na arquibancada uma torcida de camisa como a do Flamengo, Bernardinho disse que a Nação pode esperar muita raça e dedicação.

– O que não vai vai faltar é torcedor né (risos). Antes de vir para cá, no dia da apresentação da parceria, eu conversei com o Fabizinha e ela falou que eu tenho a cara do Flamengo. O Zico é um ídolo, como pessoa. Sempre admirei tremendamente a trajetória e ele mesmo. Não sou flamenguista, mas torço pelos grandes times. Uma coisa que a Nação pode esperar é dedicação e raça. Nosso time vai lutar até o último ponto. Ganhar ou perder faz parte do jogo. Mas, vai ter dedicação e muito do meu suor ali dentro. Dentro das normas e das regras, com justiça e lealdade vamos fazer o nosso melhor. Acho que foi isso que o que a Fabizinha quis dizer quando disse que eu era a cara do Flamengo. A minha vida inteira foi na raça, não foi no talento – completou o treinador.

 

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