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Entrevista - 26 de agosto de 2020

Weber: “Superliga é o melhor campeonato do mundo, tecnicamente falando”

Dentre as muitas novidades do EMS/Taubaté/Funvic para a temporada que se inicia do voleibol brasileiro, uma das principais estará do lado de fora da quadra. Aos 54 anos, Javier Weber retorna ao vôlei brasileiro e pretende levar o time paulista a mais uma sequência de conquistas e crescimento.

Em entrevista ao site oficial do clube, o argentino Weber falou sobre as dificuldades deste início de temporada, atrasado por conta da pandemia do Covid, analisou as mudanças que o voleibol brasileiro sofreu desde sua última experiência como treinador por aqui, das expectativas e metas que pretende alcançar no Taubaté.

A temporada teve seu início atrasado por conta da pandemia, o que afetou calendário e programação de treino de todas as equipes brasileiras. Como fazer para recuperar esse prejuízo e readaptar os cronogramas de uma temporada regular?
O tempo perdido foi muito grande devido a todos os problemas que a pandemia trouxe. Nós ainda estamos treinando de forma limitada, com grupos reduzidos, e ainda focados em recuperar a situação física de cada um dos atletas. Estamos com programas individuais de recuperação e condicionamento para cada jogador, para atender as necessidades de cada um nesse momento de retorno, sempre tomando os devidos cuidados de higiene e distanciamento. É um trabalho que tem que ser feito dia a dia, pois cada atleta tem uma condição diferente neste momento, e cada um responde de uma forma diferente aos treinos que estamos fazendo nesta primeira etapa. Foram muitos meses sem treino, e além da parte física, tecnicamente é preciso dar esse tempo de recuperação e readaptação para nosso elenco.

Você teve uma carreira que incluiu vários anos como jogador e também treinador no Brasil. E também manteve uma rotina vitoriosa no voleibol argentino, onde estava até se transferir para o EMS/Taubaté/Funvic. Atualmente, quais as principais diferenças entre essas duas escolas sul-americanas?
Tem uma diferença importante entre o vôlei brasileiro e o argentino atualmente, em termos de jogo. Na Argentina o jogo fica mais no volume, defesa e controle de bola. Aqui no Brasil se joga muito mais na base do ataque agressivo e saque forçado na maior parte do tempo. A minha mentalidade de trabalho é buscar o melhor para o time em cada uma das posições, em função do que cada um tem de melhor individualmente, em termos de personalidade e fundamentos. E quero colocar também um certo estilo argentino neste elenco que temos.

Quais são essas características argentinas que você pretende trazer ao Taubaté?
O que quero trazer do estilo argentino é um pouco mais de defesa, sem dúvida. O trabalho de bola quando ela chega em condições não muito boas, valorizar a segunda bola, e uma organização de jogo em que cada um entenda sua função dentro da quadra e a execute da melhor forma possível.

Como você vê o voleibol brasileiro hoje como um todo?
Vejo com bons olhos. Da época em que eu fui jogador e técnico aqui, para cá, vi uma melhora considerável em termos de estrutura dos clubes. O exemplo do EMS/Taubaté/Funvic é fantástico, é uma estrutura de time profissional mesmo, no nível dos melhores times do mundo. Há 15 anos, por exemplo, quando eu trabalhava aqui no Brasil, era bem diferente. Na Argentina, os clubes cresceram muito tecnicamente falando. O voleibol jogado hoje lá se equipara ao que é jogado aqui no Brasil. Mas o voleibol brasileiro se mantém sempre num patamar muito alto. Eu considero a Superliga brasileira o melhor campeonato do mundo, tecnicamente falando.

Quais são suas expectativas para a equipe quando ela finalmente estiver em quadra?
As expectativas são ótimas, o time foi montado para chegar às finais e brigar pelos títulos. Teremos o Sul-Americano de Clubes e a Superliga, que são as competições principais para nós. Mas buscaremos aproveitar cada momento em quadra também nos outros torneios para fazer esse time jogar seu melhor voleibol. A temporada se configura diferente, claro, pela pandemia, mas tenho confiança de que nosso grupo de jogadores e comissão técnica vão fazer um excelente trabalho. A base que temos hoje é muito forte, estamos falando de vários campeões olímpicos, dois levantadores excelentes, nenhuma equipe no mundo tem dois levantadores como o Rapha e o Bruno no mesmo time. Isso nos dá mais opções de qualidade para situações de jogo que peçam algo diferente. Estou muito satisfeito com a equipe montada.

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