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Destaques - Entrevista - 23 de setembro de 2020

Jaque, sobre Tóquio: “Claro que quero. Quem não quer?”

A bicampeã olímpica Jaqueline, 36 anos, ponteira do Osasco/Audax/São Cristóvão foi a convidada do podcast “Jornada nas Estrelas” comandado pelo narrador do SporTV Bruno Souza, da última sexta-feira. O bate-papo contou com a participação do comentarista Marco Freitas e do campeão olímpico, ex-capitão da Seleção Brasileira e também comentarista do SporTV, Nalbert.

Jaque confirmou que, sim, quer Tóquio, mas ponderou que tudo depende da sua situação física e emocional ao final da temporada. Enfatizou o sonho de ser apresentadora de TV, diz que está investindo em cursos na área e garantiu que leva a vida de forma mais leve, atualmente: “Deixo a vida me levar”.

Confira abaixo os principais trechos do podcast.

TÓQUIO

Eu já tenho 36 anos, não sou mais aquela garotinha que aguentava aquele ritmo pesado de treinos na seleção. Mas é lógico, quem não quer ir? Quem não quer voltar para uma Seleção Brasileira? Tenho que estar bem fisicamente e psicologicamente para pensar em ir. Muita coisa pode mudar até chegar à àquele momento. Estando ou não estando lá, vou torcer muito. Hoje eu não penso nisso porque não estou bem, porque não estou bem fisicamente. Mas não sei como vou estar.. final de Superliga… então deixa a vida me levar e vamos ver, deixa as coisas acontecerem naturalmente.

CHINA FAVORITA

Para mim, China é favoritíssima. Depois tem Estados Unidos, Turquia, Sérvia, Rússia e Itália. Nossa seleção passou por muitas dificuldades, com algumas atletas parando, outras se integrando ao time ganhando uma primeira oportunidade. Hoje eu vejo algumas jogadoras não querendo ir e eu penso “cara, no meu tempo não tinha isso!” Eu espero que essa geração nova dê mais valor à seleção, como a gente deu.

Jaque
(Romeo Campos)

LESÕES

Não sei se vou jogar mais dois, três anos. Quero aproveitar enquanto tiver corpo e mente. Osasco e o Luizomar têm me ajudando muito. Ano passado eu joguei como criança. Parecia que era o meu primeiro ano. Porque eles me deixaram muito tranquila. Tenho as minhas dificuldades, minhas lesões, três cirurgias no joelho, atrofia numa coxa. Estou entre pessoas que entendem esse meu lado.

LÍBERO

Eu tive a oportunidade de jogar como líbero na Seleção, adorei. Foi uma das melhores experiências que eu tive. Eu amo defender e passar. Mais do que atacar, acredita? Muita gente me pergunta se eu quero ser líbero. Um dia eu quero ter a experiência de ser líbero. Nunca fechei as portas. Quando saí da seleção nunca me escutou falar em aposentadoria. Escutou que precisava sair, de dar oportunidade a outras jogadoras. Quando eu aposentar eu vou falar. Eu queria ter uma oportunidade, que seja num clube, de treinar como líbero. Eu tenho 36 anos, mas estou aprendendo diariamente com ao Brait. Na seleção eu aprendi com a Fabizinha. Não tinha ninguém igual a ela e na minha opinião não tem ainda. Eu sou aquela jogadora de sugar, eu pergunto muito, eu quero aprender. Na temporada passada eu tive liberdade de falar: “Brait, pega metade (da quadra), que eu pego metade, pra deixar as nossas atacantes livres para atacar”.

LONDRES 2012 – A DEFESA DO 19 A 18 CONTRA AS RUSSAS, NAS QUARTAS DE FINAL (SERIA A VITÓRIA DAS RUSSAS)

Aquela defesa foi Deus que me colocou naquele lugar, o ataque da Goncharova era para definir (risos), a Sheilla estava inspiradíssima, a Dani estava muito bem também, colocando cada jogadora em seu devido jogo. A partida que eu escolho, que vai ficar marcada até depois que eu morrer acho que é a final contra os Estados Unidos.

VÔLEI PÓS-CORONAVÍRUS

O momento é bem complicado. O Luizomar sempre está à procura de patrocinadores, vejo a luta dele, sempre em reuniões para dar o melhor para o time. A gente vê equipes saindo do campeonato, e é um cenário ao qual estamos nos adaptando. Luizomar está sempre correndo atrás.

CARREIRA INSPIRADORA

Eu saí de Recife com 14 anos de idade. Eu não saí em berço de ouro, sempre tive de correr atrás, minha mãe sempre trabalhou muito para dar o de bom e de melhor pra gente. E eu vim muito nova pra São Paulo e graças a Deus hoje a minha mãe tem tudo, eu posso dar casa, comida e o que eu quiser. Ela sempre me apoiou. Às vezes saia mais cedo do trabalho para me levar para o treino… éramos só nós três, eu, ela e minha irmã. Eu agradeço tudo à minha família. Se eu não tivesse vindo, não teria tido a minha vida, não teria conhecido o Murilo, não teria tido o meu filho. Quando a gente corre atrás dos nossos objetivos, a gente alcança. Antigamente eu só pensava em vôlei. Hoje eu tenho uma família e hoje eu sou feliz. Antes eu era mais calada, tinha medo das coisas. Hoje eu quero viver alegre. Muita gente me manda mensagem diariamente porque às vezes está estressado e vê o meu Instagram e muda o pensamento. E eu fico feliz de levar leveza para as pessoas e mostrar como a gente é.

MURILO

E o Murilo, eu não sei como ele não se separou de mim ainda (risos). Eu tinha medo de como ia ser na pandemia, porque nunca ficamos tanto tempo juntos como nessa quarente. Antes tinha sempre um viajando e tal. Mas deu certo. O Murilo era muito rabugento, rabugento do bem (risos). Hoje ele é outra pessoa.

Osasco
(TV Globo/Divulgação)

JOGAR SEM TORCIDA

A cara da equipe do Osasco é a torcida. Ali é casa cheia ou é casa cheia, independente contra quem a gente vai jogar. Vamos ter de nos adaptar com isso também. O elenco que o Luizomar montou esse ano… tenho muita confiança, tendo uma Tandara como jogadora de definição. A Brait me dá uma confiança muito grande. Eu sou uma jogadora de preparação, não sou de definição. E essas jogadoras mais novas. Eu sou a mãe (risos). Não sou a mais velha, sou a mais experiente (risos). Mas é uma molecada muito legal. Estou conhecendo algumas meninas agora, mas estão todas as meninas muito na base da vontade. Osasco é um clube tradicional e um time que a torcida cobra muito. Quero que elas evoluam e que elas possam chegar na seleção e possam arrebentar.

PÓS-CARREIRA

Tenho alguns sonhos. Desde pequenininha sempre quis ser apresentadora de tevê. Estou fazendo alguns cursos. Fiquei um ano parada, e já fiz cursos em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro para aprender a lidar com as câmeras. Fiz curso de teatro também, mas pe como jogar no juvenil: a gente leva umas lapadas. Tudo isso tem que ser feito devagar.

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