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Destaques - Estaduais - 10 de outubro de 2020

Coluna: Você se acusaria?

Ainda sobre o lance polêmico do jogo entre Sesi/Bauru e Pinheiros, pela semifinal do Paulista

Ainda rende o lance polêmico do confronto entre Sesi/Bauru e Pinheiros, ontem, pela semifinal do Paulista, que daria vitória no segundo set para o time paulistano. O 1 a 1 no o placar mudaria a história da partida? Talvez sim, talvez não. Bauru é mais forte, ao menos no papel e provavelmente venceria.

Provavelmente. Em 2019 o São Paulo/Barueri ignorou a premissa e eliminou o Bauru na semifinal e foi campeão em cima de outro favorito, o Osasco. Nunca saberemos o que aconteceria no restante do jogo se Pinheiros empatasse o confronto naquele momento.

A bola bateu no chão. A gente viu ao vivo e comprovou no replay. O juiz e o segundo árbitro não têm replay. Teriam, se tivesse o Desafio. Mas não tem.

A crítica é: foi um ponto polêmico e gerou dúvidas, era final de set, momento decisivo. O árbitro deveria ter, no mínimo, mandado voltar o ponto. Juízes são humanos, erram e vão errar sempre, assim como jogador erra saque, ataque e passe; técnico erra na substituição; dirigente erra na contratação… No entanto, os dois árbitros pareciam convictos de que Brenda Castillo tinha feito a defesa. Nem titubearam.

Muita gente criticou a líbero dominicana nas redes sociais. A expressão corporal e a reação da jogadora no lance denunciaram que ela viu que a bola bateu no chão. Mas, como o juiz não marcou, o jogo seguiu, Tifanny colocou a bola no chão e o que seria 25 a 23 para o Pinheiros se transformou em 24 a 24.

Sejamos sinceros: Quais jogadores se acusam numa situação como essa? Quantos atletas se acusam? Você se acusaria num jogo sem desafio? Por que uma coisa é se acusar num jogo COM desafio, em você sabe que vai ser “pego” pelas câmeras e nesse caso é melhor poupar o seu time de perder um pedido.

Outra coisa muito diferente é você se acusar num jogo em que sabe que não tem imagem (pelo menos na hora) para te desmascarar. O problema é que tem o replay da TV. E existem redes sociais. E elas não perdoam.

Situações como essas dizem muito sobre quem somos nós. Não estou falando de um ou outro jogador especificamente. Mas diz muito sobre quem somos enquanto seres humanos. Mentimos quando nos convém. E quantas das pessoas que foram para as redes sociais acusar Brenda Castillo teriam se acusado num 24 a 23 sem desafio?

Fabizinha comentou sobre o assunto na transmissão. Disse que “com o tempo a gente aprende”, dando a entender que sim, já deixou de se acusar várias vezes ao longo da carreira, mas que com a maturidade vem cada vez mais a necessidade pessoal de se fazer o que é certo.

Tudo isso leva para uma mesma conclusão imediatista. Enquanto não somos evoluídos o suficiente (enquanto humanidade) para admitir num 24 a 23 que o ataque tocou no bloqueio, que a bola bateu no chão, que foi rede sim, é inadmissível ainda assistir a jogos decisivos, nesse nível, no maior Estadual do país, sem desafio.

Sesi Bauru
(Amanda Demétrio/Divulgação)

Isso vale para jogos da fase classificatória da Superliga também. Pelo que o Webvôlei apurou, a CBV adquiriu equipamentos que já seriam usados na fase final da Superliga 2019/2020, interrompida por causa da pandemia. Mas, a entidade ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

Fica a pergunta? De quem é a responsabilidade? Das Federações? Dos clubes? O video check custa cerca de US$ 100 mil (mais de R$ 500 mil). Existe uma versão mais simples um pouco mais barata. Mas ainda assim são valores altos, diante da supervalorização da moeda americana em relação ao Real.

As federações não têm dinheiro para tanto. Times investem R$ 1 milhão, R$ 1,5 milhão na contratação de um (a) jogador (a), mas não têm a mesma visão de clubes como o Sada/Cruzeiro, que adquiriu o seu próprio equipamento e o empresta para a Federação Mineira utilizá-lo nos jogos das equipes mineiras na Superliga e no Estadual.

Até quando vamos ver erros como esses decidindo sets, jogos e campeonatos, influenciando o destino de clubes e patrocinadores?

Por: Patrícia Trindade

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