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Coluna - Destaques - 22 de novembro de 2020

A relação estremecida entre Sesc/Bernardinho e Flamengo

Os dois lados não falam mais a mesma língua

A parceria entre o Sesc RJ, através do Rio de Janeiro Vôlei Clube, nome do projeto de Bernardinho, e o Flamengo dá sinais claros de desgaste nos bastidores. O incômodo começou a aumentar no dia 23 de outubro, quando o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro divulgou a aprovação do projeto incentivado “Flavôlei 20-21” com a empresa TIM, no valor de R$ 4 milhões. Uma notícia para ser comemorada, mas…

Pelo acordo da fusão dos projetos de vôlei para a atual temporada, deveria haver repasse de parte da verba, algo que não aconteceu. O Flamengo nega tal acerto, mesmo que tenha sido verbal. A decisão da diretoria rubro-negra motivou a saída de Delano Franco da vice-presidência de esportes olímpicos. Ele foi um dos idealizadores da parceria e se sentiu traído.

“A presidência do clube não recordou/reconheceu aspectos de uma negociação efetuada pelo diretor-executivo da área, por mim e pelo presidente junto a um parceiro importante dos esportes olímpicos, amparada pelo orçamento aprovado, ferindo significativamente os termos do acordo”, escreveu Delano em sua carta de despedida. Ele não citou ser o caso do vôlei, mas a informação foi confirmada e divulgada pelo Blog Olhar Olímpico, do UOL, na quinta-feira.

Na sequência, em notas oficiais, o Flamengo e o Rio de Janeiro Vôlei Clube demonstram falar idiomas diferentes sobre o assunto.

“Na realidade, o que existe é um contrato firmado entre o Flamengo e a empresa do Bernardinho, após longa negociação, desde o final de 2019, que estabelece que o Flamengo é um patrocinador do time. O Flamengo paga religiosamente o valor acordado à empresa do Bernardinho, fornece material esportivo e espaço para treinamento na Gávea e cede sua imagem para a empresa, o que aumenta bastante o poder de atração para outros patrocínios serem fechados pela empresa do técnico. O dinheiro destes outros patrocínios não iria para o Flamengo, mas apenas para a empresa do Bernardinho. Os demais contratos da empresa são firmados diretamente pela própria empresa, e não pelo Flamengo. Portanto, não cabe ao Flamengo colocar nenhum novo investimento nesta parceria. Em suma, o Flamengo está cumprindo rigorosamente o contrato feito com o técnico e não irá se manifestar sobre o posicionamento pessoal de Delano Franco”, garante o Flamengo.

“O Contrato de Patrocínio assinado com Flamengo, pelo prazo de uma temporada, tem como contraparte o Rio de Janeiro Vôlei Clube e não empresa ligada ao técnico Bernardinho, como equivocadamente mencionado na nota do Flamengo. Nossa política é no sentido de não nos manifestarmos sobre fatos que estão fora da alçada da nossa entidade. Não obstante, gostaríamos de registrar a correção e retidão do Sr. Delano Franco em todas as tratativas e negociações visando a celebração do Contrato de Patrocínio e o cumprimento das obrigações dele decorrentes. Tudo que com ele era combinado, foi cumprido. Continuaremos, como sempre, em respeito aos admiradores do voleibol, aos nossos parceiros e colaboradores, a cumprir nossas obrigações sejam elas objeto de instrumentos contratuais ou de acordos verbais”, escreveu Rio de Janeiro Vôlei Clube.

Nas entrelinhas das notas, a insatisfação do projeto de Bernardinho com o Flamengo, ao elogiar Delano, é nítida.

É uma pena o Sesc RJ Flamengo, visto com muito otimismo pelos dois lados no momento da celebração, meses atrás, ter chegado tão rapidamente a tal nível de desgaste. O projeto de Bernardinho é um dos mais longevos, sérios e vitoriosos da modalidade do país. O Flamengo também tem um esporte olímpico sólido, vinha tentando alçar voos mais altos no vôlei, sem falar do gigantismo da marca e da quantidade de torcedores. Parecia um casamento ideal. Mas já precisa, poucos meses após a lua de mel, fazer terapia para se manter.

Por Daniel Bortoletto

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