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Superliga - 24 de novembro de 2020

Macris desabafa sobre novo piso: “É rir pra não chorar”

Levantadora do Itambé/Minas contestou a mudança no piso

A levantadora Macris, do Itambé/Minas, não escondeu a insatisfação com o novo piso utilizado nas competições nacionais brasileiras. Em entrevista ao Web Vôlei, a titular da Seleção Brasileira demonstrou contrariedade com a forma com que a mudança foi feita e apontou riscos para a integridade físicas dos atletas.

Na noite de segunda-feira, Macris ficou nítida chateada com um lance no terceiro set da partida contra o São Paulo/Barueri. Ao deslizar para fazer uma defesa, ela viu uma joelheira “travar” no piso. Um susto que poderia ter se transformado numa lesão (veja reprodução do lance abaixo).

– Realmente um absurdo. Fazer uma mudança dessas em um ano pré-olímpico? E para começar, uma mudança que não foi sugerida, argumentada ou testada. Foi imposta! Afinal, até onde eu sei, ninguém consultou os atletas anteriormente e, diante das retóricas negativas, aparentemente, continuamos na mesma. Foi uma mudança feita em benefício do esporte e dos atletas? Não! Foi feito para aumentar segurança, maximizar desempenho etc.? Não! Ao que parece, apenas um interesse visual, estético, seja lá o que for. Foi estudada a questão da cor, da tonalidade? Se ia atrapalhar visualmente a percepção da bola ou das linhas e até mesmo para a arbitragem? Se sim, acho que faltou um pouco de bom senso ao escolher esse tom de amarelo com linhas brancas. Sobre a questão do material, aparentemente dizem que é o mesmo, porém, obviamente não está tendo o mesmo resultado. Qualquer um que tivesse colocado uma joelheira e tentado cair no chão para testar o que aconteceria perceberia a diferença automaticamente. Foi feito algum tipo de tratamento no piso para não dar essa diferença e já poder começar funcionando de forma adequada? Não! Teremos que aguardar um tempo indeterminado de meses, anos ou décadas até o tal piso “gastar” e, quem sabe, se tornar viável? – comentou Macris, que completou.

– Sinceramente, para a alta performance, cada detalhe importa. E jogar em uma quadra onde você tem que mudar o seu jeito de se deslocar, de cair para salvar uma bola, da técnica de movimentos que às vezes exige um deslizar dos pés, mãos ou corpo, sem saber se a qualquer momento você pode escorregar se o piso estiver úmido ou ficar travada no chão perdendo a fluência dos movimentos de solo, faz muita diferença, traz insegurança, receio de lesões, exigindo adaptação muscular e mental extra para esse novo ambiente, além de ficar exposta ao ridículo esperando acontecer a próxima “vídeocassetada”. É rir pra não chorar.

A situação vivida por Macris é um dos problemas relatados por atletas. Alguns chegam a molhar o uniforme antes de treinos e jogos para evitar os “travamentos” durante peixinhos ou rolamentos. No outro extremo, o piso desliza demais em ginásios localizados em cidades litorâneas, por conta da umidade, aumentando o risco de escorregões. Até pó de magnésio chegou  a ser utilizado nas quadras da Gávea e das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, em jogos do Sesc RJ Flamengo e do Fluminense, respectivamente,

Duas semanas atrás, a CBV, após contato do Web Vôlei, disse estar em contato com o fornecedor do piso.

“Estamos monitorando a utilização na prática do piso. Esse foi o piso oficial dos Jogos Pan-Americanos de Lima e é homologado pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) com todos os testes de qualidade feitos em laboratórios no exterior. Tomamos todo o cuidado de adquirir um material que fosse reconhecido pela FIVB e estamos em um processo de análise em relação a cada um dos lugares”.

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