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Seleção Brasileira - Tóquio-2020 - 6 de abril de 2021

A decisão de Thaísa: do choque à compreensão

Uma visão de Daniel Bortoletto após o surpreendente anúncio de Thaísa

A carta de despedida de Thaísa da Seleção Brasileira, a pouco mais de 100 dias dos Jogos Olímpicos de Tóquio, é um baque difícil de assimilar. Baque para torcedores, analistas, Zé Roberto e sua comissão técnica…

A comunidade do vôlei nacional ficou em choque. E pessoas próximas da jogadora também ficaram. Thaísa já pensava na possibilidade de não jogar a Olimpíada, mas só tomou a decisão depois da terceira partida da final da Superliga, em Saquarema. A vitória do Itambé/Minas sobre o Dentil/Praia Clube levou a central de 33 anos ao limite. Físico e mental.

As dores, tão comuns aos atletas de alto rendimento, acenderam o sinal de alerta máximo. Articulações, joelhos e tornozelos fizeram, no pós-jogo, Thaísa refletir profundamente e encaminhar a decisão de parar. Ela viajou para Belo Horizonte para cumprir os compromissos protocolares com clube e patrocinador. Até ali não havia decidido. Pessoas próximas foram ouvidas e várias delas tentaram fazer a bicampeã olímpica mudar de ideia. Não conseguiram. Mas respeitaram os argumentos FÍSICOS dela.

Apenas Thaísa, mais ninguém, tem como saber a intensidade da dor e o tempo necessário para recuperar “a qualidade de vida” depois de uma maratona como a de segunda-feira. Apenas ela compreende o quanto é preciso saber lidar com esse cenário para esticar a carreira nas quadras por mais alguns anos. Na Olimpíada é jogo dia sim, dia não. E isso pesa. Thaísa seguir jogando em altíssimo nível atualmente, depois da grave lesão no joelho de quatro anos, é quase um milagre. Ela foi desenganada por médicos, que fique claro. Dá para imaginar o que é isso para uma atleta? E novamente apenas ela sabe tudo o que passou, abriu mão e enfrentou nos últimos anos para provar que o diagnóstico estava errado.

É claro que eu gostaria de ver a camisa 6 da Seleção, em Tóquio, sendo vestida pela “patroa”, como os fãs gostam de tratá-la. Mas tenho de entender um posicionamento corajoso de uma atleta deste quilate, tendo de abrir mão da possibilidade de conquistar a terceira medalha olímpica por ter chegado ao seu limite físico.

Por Daniel Bortoletto

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