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Coluna - Liga das Nações - 23 de maio de 2021

Quem, de fato, é favorito na VNL feminina?

Uma análise de Daniel Bortoletto sobre a Liga das Nações

Nos próximos 30 dias, o vôlei voltará a reunir, depois de um ano e meio, as principais seleções femininas do mundo em uma competição internacional, a Liga das Nações ou simplesmente VNL. Na bolha de Rimini (ITA), o título e a bolada em dinheiro da premiação, sempre tão cobiçados, ficam em segundo plano para vários participantes, mais preocupados com a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, a prioridade do ano.

Um cenário atípico e dificultador de prognósticos, com certeza, mas que não impede a VNL de ter os seus favoritos ao ouro (veja aqui a tabela completa).

Na mais alta prateleira, destaco três seleções: Estados Unidos, Turquia e Brasil. O trio estará na VNL com força máxima, fator preponderante para o status de favoritismo em um primeiro momento.

As americanas venceram as duas edições da VNL depois da mudança de nome do Grand Prix: 2018 e 2019. Coincidentemente, superando as turcas em uma final e as brasileiras na outra. Possuem um elenco experimentado, com atletas em grande momento no vôlei europeu e, em uma posição em especial, a ponta, com opções que causam inveja em qualquer adversário: Larson, Hill, Robinson, Bartsch, Plummer e Wilhite. Kiraly poderia ainda ter Courtney, mas ela jogará como líbero. Poderia ter também Thompson, mas ela briga por espaço na saída de rede. Mostra o poderio do elenco americano.

A Turquia, por sua vez, vem flertando com um grande resultado internacional na gestão Giovanni Guidetti. Seleção formada, quase na maioria, por um mix de atletas de Vakifbank, Eczacibasi e Fenerbahce, um facilitador para o entrosamento, algo que pode pesar depois de tanto tempo de inatividade das seleções. E com uma joia a lapidar para se firmar de vez entre os grandes: Karakurt.

O Brasil passou todo o ciclo olímpico tentando encontrar um time titular. José Roberto Guimarães nunca conseguiu colocar em quadra, por diferentes motivos, o que idealizava como melhor, como o trio Tandara/Gabi/Natália. Ter perdido Thaísa, após a Superliga, foi um baque extra e precisará ser superado. Definir o trio de centrais, inclusive, será uma das prioridades na VNL. A volta de Fernanda Garay, por sua vez, é um alento e pode se transformar no fator decisivo para a Seleção equilibrar o passe e permitir a imposição do conhecido jogo veloz de Macris. Admito estar curioso para ver como Zé escalará o time e como será a reação de Ana Cristina, 17 anos, em sua primeira competição adulta deste nível.

China, Itália e Sérvia, desta vez, não estão na prateleira dos favoritos. Decidiram não levar os principais nomes para a bolha. No caso das chinesas, ainda é possível dizer que um time misto jogará a primeira parte da VNL, podendo dar trabalho para qualquer rival. Do dia 9 de junho, em diante, Ting Zhu e mais cinco atletas estarão disponíveis para Lang Ping. Se o time ainda estiver na briga por vaga na semi, se juntará ao trio citado acima e brigará pelo caneco.

No caso de italianas e sérvias, a opção foi levar praticamente uma equipe C, já que titulares e reservas ficarão treinando para Tóquio, abrindo mão de uma disputa pelos primeiros lugares.

Coloco Rússia, República Dominicana e Coreia do Sul na prateleira de “quem pode incomodar sempre os favoritos”. São seleções acostumadas com as competições internacionais, com os principais nomes inscritos na VNL e em preparação para Tóquio.

Até pensei em incluir também o Japão, com toda sua tradição, excelência defensiva e disciplina tática. Mas resolvi deixá-lo numa prateleira única, batizada de “merece respeito sempre”, por achar que falta poderio ofensivo.

Polônia, Alemanha e Holanda poderiam estar em outro patamar caso estivessem com Wolosz, Lippmann e Djikema, suas maiores estrelas, inscritas. Sem elas e sem vaga na Olimpíada, ficam no grupo de “quem tem potencial e podem jogar a VNL sem responsabilidade”. Como uma vez batizou Bernardinho, são “minas vagantes” e podem explodir em algum momento.

Para encerrar, Canadá, Tailândia e Bélgica, também sem vaga olímpica, serão coadjuvantes na VNL. Quem quiser se classificar para as semifinais não pode cogitar perder pontos para elas.

Por Daniel Bortoletto, atualizado nesta segunda-feira, 24/5, às 11h

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