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Destaques - Praia - 24 de janeiro de 2022

CBV contesta pontos de carta aberta dos atletas da praia

Entidade divulgou uma nota oficial em seu site neste domingo

Em uma notas oficial, publicada neste domingo, em seu site oficial, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) contestou pontos da carta aberta da Comissão de Atletas do vôlei de praia, divulgada no fim de semana.

A entidade nega não ter ouvido os jogadores e jogadoras antes das mudanças no Circuito Brasileiro de 2022, defende a nova fórmula de disputa e fala em aumento na premiação.

Confira na íntegra o comunicado da CBV:

“Como acontece ao fim de cada ciclo olímpico, a CBV fez estudos e análises e optou, entre outras decisões, por uma mudança no sistema de disputa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, com foco em renovação, emoção, performance e sustentabilidade. Desde o início, a Comissão de Atletas foi procurada para contribuir com sugestões.

O foco em renovação se mostra pertinente, uma vez que a média de idade dos atletas brasileiros em atividade que estiveram entre os 10 primeiros do ranking mundial no último ciclo olímpico é de 33 anos. Além disso, quase metade (48%) das atletas que disputam o Circuito Brasileiro tem 35 anos ou mais. Independentemente de resultados, é preciso olhar para o futuro. O novo modelo também comtempla maior equilíbrio nas partidas, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento de novas duplas. No modelo anterior, de competição única com 24 times no torneio principal, os confrontos eram definidos pela colocação no ranking: o mais bem ranqueado enfrentava o time de colocação mais baixa e assim por diante. Nas duas últimas temporadas, o índice de vitórias da dupla vinda do qualifying contra a mais bem ranqueada da etapa ficou abaixo de 10%. No caso da disputa feminina, o índice é de 5%.

A proposta atual aumenta a relevância de cada partida, estimulando o crescimento técnico dos jogadores, além de proporcionar melhor espetáculo para o torcedor. Perder no evento Top 8 significa estar mais perto de deixar este grupo. Ganhar no evento Aberto é a única alternativa para estar entre os oito melhores do Brasil. No antigo formato Open, os participantes do torneio principal podiam administrar resultados para se manter nesta posição. O sistema proposto traz emoção e tira os atletas da zona de conforto, sem tirar a possibilidade de atletas excepcionais subirem no ranking.

No dia 10 de dezembro de 2021, após a apresentação da proposta do novo Circuito Brasileiro, a Comissão de Atletas afirmou à CBV que havia gostado da ideia e tinha a intenção de avançar na discussão. O único ponto discordante foi em relação à proposta de premiação. Não foram feitas críticas técnicas ou propostas de novos formatos de competição.

No dia 13 de dezembro, a Comissão informou que “uma vez que o novo sistema proposto sofreu diminuição no orçamento da premiação, nosso posicionamento é de manter o sistema atual”, deixando claro que a questão era unicamente financeira.

Como um dos representantes da Comissão de Atletas de Vôlei de Praia no Conselho de Administração e na Assembleia Geral, Carlos Arruda teve acesso ao orçamento da CBV e pode solicitar esclarecimentos e tirar dúvidas. Portanto, não procede a informação citada na carta de que a Comissão não teve acesso às informações orçamentárias e aos valores envolvidos. Assim, a Comissão tem conhecimento de que o valor total da premiação do Circuito Brasileiro aumentou em 25%, na comparação com a temporada 2020/2021, mesmo diante da situação da redução do orçamento global da CBV para 2022.

Além disso, todas as informações sobre a CBV se encontram disponibilizadas para consulta pública no site da entidade (https://cbv.com.br/governanca/). Na seção transparência e governança estão todas as demonstrações, atas de assembleia e de reuniões de conselhos, e relatórios de auditoria independente. É possível consultar documentos na sede da CBV, mediante solicitação e agendamento prévios com a Unidade responsável pela gerência orçamentária.

Como é de conhecimento geral, o patrocinador oficial da CBV tem participação significativa no orçamento da entidade, sendo fundamental para o voleibol brasileiro e para a definição dos valores de premiações das competições. O presidente da Comissão de Atletas do Vôlei de Praia tem direito a voto no processo de renovação do contrato entre CBV e patrocinador, mas preferiu declarar sua abstenção nessa importante votação.

Como a questão financeira é o principal questionamento da Comissão de Atletas ao novo modelo do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, a CBV demonstra abaixo o crescimento de 25% no valor total da premiação da temporada 2020/2021 para a temporada 2022. E como o novo sistema beneficia o grupo que joga o torneio Aberto, exatamente aquele que precisa de desenvolvimento e apoio. Os números também mostram que, quando é possível, como no caso da temporada de 2021, que teve apenas cinco etapas para ajuste de calendário, a CBV consegue aumentar significativamente a premiação destinada aos atletas.

Sobre a citação à Lei Pelé feita pela Comissão de Atletas, é importante lembrar que o texto da Lei deixa claro que não cabe ingerência da Comissão de Atletas na elaboração da política orçamentária da entidade. O inciso V do artigo 18-A esclarece que a atuação da Comissão de Atletas é direcionada a assuntos esportivos e representação nos órgãos e conselhos técnicos responsáveis pela aprovação de regulamentos das competições, não interferindo na gestão da CBV. Também cabe lembrar que a CBV cumpre integralmente todas as obrigações que lhe impõe a Lei Pelé, inclusive as constantes nos artigos 18 e 18-A, tanto que possui a Certidão de Registro Cadastral da Secretaria Especial de Esporte.

A criação da Comissão Especial para Validação do Regulamento, criticada na carta pela Comissão, é um exemplo das mudanças implementadas pela nova gestão da CBV, que ampliam o teor democrático dos processos. Essa iniciativa de diálogo e aproximação ocorre desde o início da gestão. Ainda em junho de 2021, a CBV convidou a Comissão de Atletas para um Programa de Integração, com a discussão de temas como governança, boas práticas, orçamento e prestação de contas. Na carta, a Comissão demonstra desconhecimento de sua própria função e natureza. A Comissão Especial para Validação do Regulamento foi composta por três integrantes da CBV e dois que, embora não façam parte da estrutura organizacional, participam como apoio e representação de classe: os representantes da Comissão de Atletas e dos técnicos de vôlei de praia. Quanto ao Conselheiro Técnico, que também compôs a Comissão Especial, é uma competência do cargo, estabelecida no Estatuto da CBV, que ele participe de decisões técnicas da entidade.

No dia 6 de outubro de 2021, o diretor de Novos Negócios, Marcelo Hargreaves, junto a outros executivos da CBV, fez uma apresentação sobre a visão de marketing e negócios da entidade para o novo ciclo olímpico, na Urca, Rio de Janeiro. Apesar de ter sido realizada durante uma etapa do Circuito Brasileiro no mesmo local, houve pouca adesão de atletas. Ao receber a solicitação da Comissão de Atletas para uma reunião sobre o assunto, o diretor da CBV se colocou à disposição e solicitou uma pauta para nortear a conversa. Nenhuma pauta ou sugestão sobre o assunto foi enviada.

Finalizando, pois a CBV entende que todas as explicações e informações já foram elencadas, é importante lembrar que a as decisões da CBV são tomadas por uma equipe técnica de qualidade e amplo conhecimento em todas as áreas. Essa equipe inclui dois dos maiores nomes do vôlei de praia nacional, a CEO, Adriana Behar, e o gerente de Vôlei de Praia, Guilherme Marques. Marcelo Hargreaves também é ex-atleta. Além das inúmeras conquistas esportivas nacionais e internacionais, e da imensa vivência como atletas, eles se capacitaram por anos para ocupar os cargos que hoje ocupam. Todos têm como objetivo maior o desenvolvimento do voleibol brasileiro e de seus atletas”.

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