
Ariele celebra volta por cima no Tijuca: “Sabia que podia ser mãe e atleta”
Uma das principais pontuadoras da atual edição da Superliga feminina, a ponteira Ariele vive um momento especial com a camisa do Tijuca Tênis Clube. Protagonista dentro de quadra, a jogadora também abriu o coração fora dela ao participar do novo episódio do Basticast, no qual relembrou a trajetória no vôlei, os desafios da carreira e o processo de retorno ao alto rendimento após a maternidade.
Mãe de Hiro, de dois anos, Ariele contou que a relação com o esporte começou cedo, influenciada pela irmã, e passou por caminhos pouco convencionais. Antes de se firmar como atleta profissional, dividiu a rotina entre o vôlei e a carreira de modelo, até dar os primeiros passos no esporte em Araraquara (SP). Depois, construiu uma trajetória marcada por idas e vindas, incluindo uma passagem pelo vôlei de praia e experiências em clubes de peso como Minas Tênis Clube, Barueri e Sesc RJ Flamengo.
O retorno às quadras após a maternidade, segundo a jogadora, foi mais difícil do que o esperado. Ariele revelou que ouviu muitas negativas e questionamentos sobre sua disponibilidade como atleta.
– Escutei muitos “nãos”. Perguntavam se em um jogo importante, eu iria faltar se meu filho ficasse doente. Eu ficava frustrada, porque eu tinha estrutura e sabia que podia ser mãe e atleta – contou a ponteira.
Depois de mais um intervalo, novamente no vôlei de praia, a ponteira chegou ao Tijuca Tênis Clube, onde se sente acolhida e valorizada. No clube carioca, Ariele voltou a ter sequência, ganhou protagonismo e se consolidou como uma das referências ofensivas da equipe na Superliga.
Atualmente ela é a segunda maior pontuadora do campeonato, com 280 pontos marcados. No entanto, mostra que o coletivo é o mais importante para ela.
– Prefiro o Tijuca bem do que eu fazendo muitos pontos – disse.
BOAS RECORDAÇÕES
A passagem pelo Sesc RJ Flamengo também ocupa um lugar especial na memória da atleta. Apesar do carinho pela comissão técnica, pelo ambiente de treinos e pelo nível do elenco, Ariele explicou que sentiu a necessidade de buscar mais espaço em quadra. Foi nesse contexto que a gravidez mudou os rumos da carreira.
– Eu amava a comissão técnica, os treinos, o nível das jogadoras. Eu aprendia todos os dias. Mas chegou um momento em que eu precisava jogar, e aí eu engravidei – relembrou a jogadora.
Ariele relembrou o apoio recebido de Bernardinho durante a gestação, especialmente quando o treinador fez questão de comparecer ao seu chá de bebê. Para ela, o gesto simbolizou acolhimento e pertencimento em um momento decisivo.
– Eu nunca vou esquecer na minha vida quando eu fiz meu chá de bebê e convidei o time, mas como o Bernardo não sai, eu nem esperava que ele fosse. O pessoal foi chegando e quando eu olho para a porta chega ele com as sacolinhas e as fraldinhas. Eu nunca falei isso para ele, mas ele fez uma diferença tão grande na minha gestação, ali eu senti que eu era da família mesmo.
No bate-papo, a ponteira destacou ainda a importância do período em que trabalhou com José Roberto Guimarães, no projeto do Barueri. Segundo Ariele, foi com essa experiência que a ideia de se dedicar integralmente ao alto rendimento ganhou forma. O contato diário com o treinador foi decisivo para sua evolução técnica e mental.
– Foi ali que eu decidi que queria ser profissional de verdade. Ele é muito detalhista, gosta de ensinar, e tudo que você fazia dava certo – elogiou a ponteira.


