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Coluna - Internacional - Vaivém - 10 de fevereiro de 2026

Caso Keita é a prova da mercantilização do jogador de vôlei


No dicionário, o verbo mercantilizar significa transformar alguma coisa (bens, serviços, direitos) em mercadoria com valor de troca, gerando lucro. E tem tudo a ver com o caso Keita no vôlei.

O ponta/oposto nascido em Mali, destaque do Verona, é disputado por Itália, França e Turquia para iniciar um processo de naturalização para defender uma nova seleção. Fico imaginando aquele leiloeiro gritando “quem dá mais?” antes de bater o martelo e fechar uma venda.

A mudança de nacionalidade não é uma novidade na modalidade. Vargas, Leal, Leon, Jack-Kisal, Carutasu, Rychlicki, Antropova, entre outros, contam essa história atualmente. Sem falar na tentativa da França de contar com Ana Cristina, do desejo da Turquia de ter Boskovic, ambos sem sucesso no passado. Mas o caso Keita é diferente.

Existe uma disputa aberta e pública pelo jogador. E com certa urgência para bater o martelo no leilão. A Federação Internacional colocará novas regras em prática para dificultar um pouco a naturalização. Assim os interessados em Keita precisam correr contra o tempo para tê-lo à disposição neste ciclo olímpico.

Não tenho a menor ideia sobre o que cada país interessado oferece para Keita mudar a nacionalidade esportiva. Mas seria muita ingenuidade achar que as discussões sejam apenas para mostrar qual projeto permitirá resultados mais expressivos em quadra para o jogador de 24 anos e 2,06m.

O jogador, neste caso, não tem culpa de ser muito bom e estar disposto a se naturalizar. Mas a regra atual equipara o atleta a um produto a venda numa prateleira de supermercado.