
Rui Moreira analisa conquista pelo Praia: “Temporada de muita resiliência”
O técnico Rui Moreira entrou para a história do vôlei brasileiro no último domingo (3/5) ao comandar o Dentil Praia Clube na conquista da Superliga feminina 2025/26. Após a vitória por 3 sets a 0 sobre o Gerdau Minas, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo (SP), o treinador destacou a trajetória da equipe e definiu o título como resultado de uma “temporada de muita resiliência”.
O triunfo garantiu ao clube do Triângulo Mineiro o terceiro título da competição em sua história. De quebra, Rui se tornou o primeiro técnico português a vencer a Superliga feminina, em uma final que já era inédita por reunir pela primeira vez dois treinadores estrangeiros na disputa pela taça.
– Imaginar, nós imaginamos sempre. Quando cheguei, disse que não estava aqui por acaso, conhecia o campeonato, acompanho a Superliga desde muito novo e sempre tive o sonho de estar aqui, numa final, com a possibilidade de vencer. Sonhar faz parte. Mas a temporada que fizemos foi mesmo de muita resiliência. Tivemos que construir um grupo forte em todos os aspectos, humano, técnico e tático, para chegar até aqui – afirmou Rui Moreira.
O treinador também relembrou o início irregular da equipe e o cenário de desconfiança enfrentado ao longo da competição, tanto em relação ao elenco quanto à própria comissão técnica.
– Sabíamos que tínhamos um grupo que pouca gente valorizava, além de um treinador desacreditado por vir de um país com menor tradição no voleibol. Começamos mal a temporada, mas sabíamos o porquê. Quando olhávamos para equipes como o Minas, víamos uma diferença física evidente, especialmente na estatura. Isso exigia de nós um nível de jogo muito alto o tempo todo, com grande desgaste e precisão técnica e tática. Leva tempo para construir isso – explicou.
Mesmo diante das dificuldades, o treinador ressaltou que a campanha já era, por si só, motivo de orgulho, independentemente do resultado final.
– Poderíamos sair daqui com vitória ou derrota, mas uma coisa eu não tinha dúvidas: só de estarmos aqui, já éramos campeões pelo percurso que fizemos. Claro que não existem vitórias morais — queríamos ganhar para validar o nosso trabalho, responder às dúvidas que enfrentamos ao longo da temporada e, principalmente, colocar mais um troféu na história do Praia – disse Rui.
– Essa vitória recoloca o Praia nas grandes competições. Ganhamos o direito de disputar o Sul-Americano em 2027 e, a partir daí, lutar por uma vaga no Mundial. Não é só sobre a Superliga, é sobre posicionar novamente o clube no mapa continental e mundial – destacou o técnico.
Dentro de quadra, o treinador valorizou a execução tática da equipe na final, especialmente na forma como o Praia conseguiu neutralizar os pontos fortes do Minas.
– O mérito é muito delas. Nós preparamos, estudamos e treinamos, mas são as jogadoras que executam. Taticamente, fomos exemplares. Fizemos ajustes importantes nos encaixes, assumimos alguns riscos para buscar vantagens e conseguimos. Fomos muito disciplinados nos sistemas defensivo e ofensivo, e isso fez toda a diferença – analisou.
– O terceiro set não traduz a diferença entre as equipes. O Minas vinha de muito desgaste, de lutar ponto a ponto, e chegou um momento em que sentiu. Talvez tenha sido um pouco do que já aconteceu conosco em outros jogos contra eles. Conseguimos anular muito bem os principais pontos fortes do adversário, e isso acabou sendo decisivo – concluiu Rui Moreira.


