
Por que a tech brasileira adotou o “Modelo de R$ 1”?
De plataformas de notícias a casas de apostas, é notável a quantidade de provedores de serviços online que permitem depósito mínimo 1 real. Essa prática faz parte do “Modelo de R$ 1”, uma forma de precificação amplamente adotada no Brasil e que pode ser mais visto também no vôlei.
O que é o modelo de R$ 1 na prática
O modelo de R$ 1 consiste em cobrar R$ 1, ou um valor bem próximo disso, para que os usuários possam usar os serviços de uma plataforma online. Esse valor pode ser cobrado como um depósito único ou como uma assinatura recorrente.
Verdade seja dita, o valor fixo de R$ 1 é raro, o mais comum é que seja algo bem próximo disso. De qualquer forma, a lógica é simples: entregar valor e cobrar pouco.
Exemplos reais do modelo de R$ 1
Os jornais de notícias diárias que operam online são exemplos perfeitos de empresas que adotaram o modelo de R$ 1. O jornal mais popular que opera dessa forma é O Globo. Esse site de notícias mantém suas matérias trancadas.
Apenas assinantes podem ler o conteúdo. O valor cobrado fica abaixo de R$ 10 por mês, mas é algo que pode variar de acordo com o plano de assinatura escolhido. É um bom exemplo de plataforma online que só libera seus serviços para quem se comprometer com um valor quase simbólico.
A Folha de S. Paulo também opera de forma similar. Seus artigos e notícias estão disponíveis online, mas apenas quem se comprometeu com um valor simbólico todos os meses pode ler o conteúdo.
As famosas bets que operam no país seguem o mesmo caminho. Elas estão disponíveis para boa parte dos brasileiros e com depósitos de apenas alguns reais já é possível fazer apostas.
A ciência por trás do modelo de R$ 1
Ao contrário do que algumas pessoas podem pensar, não é a boa vontade das empresas que está por trás desse modelo de precificação. Na verdade, trata-se de uma estratégia com um potencial de lucro enorme.
Pense a respeito: o que é mais fácil, fazer duas pessoas pagarem R$ 500 cada ou mil pessoas pagarem R$ 1?
A resposta para isso depende de vários fatores. Por exemplo, qual produto está sendo vendido, qual é o público-alvo, a quantidade de clientes em potencial.
É aí que as características demográficas do Brasil entram em cena. De acordo com o IBGE, a população brasileira ultrapassou 213 milhões de pessoas em 2025. Desse número, mais da metade acessa a internet.
Agora, compare esse valor com as informações de renda e custo mensal no país. De acordo com os levantamentos mais recentes, a renda mensal do brasileiro é de R$ 3.367, enquanto o custo mensal fica em R$ 3.520.
Em outras palavras, o Brasil é um país onde há muita gente e pouco dinheiro sobrando. Dessa forma, respondendo à pergunta que fizemos mais cedo, no Brasil é mais fácil cobrar pouco de muitas pessoas do que muito de algumas.
Essa é a lógica por trás do modelo de R$ 1: alcançar um público enorme e cobrar pouco dessas pessoas.
O que o vôlei pode aprender com o modelo de R$ 1 adotado pelas techs
Se você é um leitor assíduo deste website, provavelmente sabe que muitas partidas importantes de vôlei geralmente são transmitidas na TV fechada ou em serviços de streaming pagos. Alguns desses serviços cobram em torno de R$ 40 por mês.
Então fica a pergunta: estaria o vôlei brasileiro desperdiçando uma oportunidade de alcançar um público maior ou é apenas o necessário para manter as transmissões viáveis?
Não há como decretar uma resposta definitiva para isso. O que sabemos é que o público certamente se beneficiaria de assinaturas mais baratas.
Na verdade, todo o modelo de R$ 1 pode ser útil muito por além das transmissões online. Afinal, em muitos casos, os ingressos para eventos importantes começam com custos acima de R$ 100. Imagine cobrar valores quase que simbólicos como R$ 20 ou R$ 30. Não seria uma maravilha?
O futuro do vôlei e dos preços
Apenas os produtores de eventos e as empresas responsáveis pelas transmissões dos jogos possuem dados suficientes para dizer se adotar o modelo de R$ 1 é viável ou não. De qualquer forma, é importante chamar a atenção para as possibilidades que o esporte tem.
Se as plataformas online, como jornais diários, podem se beneficiar do modelo de R$ 1, por que não as empresas responsáveis pela transmissão de jogos de vôlei? O que sabemos é que os fãs certamente adorariam.


