
Cachopa assume o comando: como o levantador se tornou peça insubstituível da Seleção na VNL
Vitória sobre o Irã. Vitória sobre a Bélgica. O Brasil abre a VNL 2026 com dois resultados positivos em Brasília, e o levantador Fernando Cachopa está no centro de cada ponto marcado. Com 30 anos e experiência acumulada em quatro temporadas no vôlei italiano, ele ocupa agora uma posição que durante anos foi sinônimo de um único nome: Bruninho.
A transição não foi imediata. Na VNL 2025, Cachopa já era apontado como o principal levantador do torneio ao lado de Darlan, Honorato, Lukas Bergmann, Judson e Maique, num grupo que deixou para trás a formação que encerrou os Jogos de Paris. Os resultados surpreenderam: 11 vitórias em 12 jogos na fase classificatória e o bronze na
competição. Em 2026, com o ciclo olímpico rumo a Los Angeles-2028 em andamento, Bernardinho confirmou o levantador como titular indiscutível.
O INÍCIO EM BRASÍLIA
Nas duas primeiras partidas da etapa de Brasília, Cachopa esteve em quadra desde o primeiro set, servindo de forma precisa para o ataque do Brasil. Na vitória sobre o Irã por 3 sets a 1, com parciais de 25-21, 23-25, 25-15 e 25-23, o oposto Darlan foi o grande destaque com 19 pontos e 75% de aproveitamento no ataque. O central Flávio ressaltou a resiliência do time ao vencer dois sets em que o Brasil esteve atrás no placar.
Contra a Bélgica, na noite de quinta-feira (11/6), nova vitória por 3 a 1, com parciais de 25-19, 23-25, 25-13 e 25-20. Desta vez, Darlan liderou o time com 19 pontos, seguido por Lucarelli com 16 e Darlan com 13. O ataque brasileiro fechou o terceiro set por 25-13, uma das parciais mais dominantes da equipe na competição.
DO SADA AO FENERBAHCE
A temporada de clubes de Cachopa espelha a trajetória de um levantador que foi amadurecendo em ambientes cada vez mais exigentes. No Brasil, construiu seu nome em uma longa passagem pelo Sada Cruzeiro, um dos clubes mais vitoriosos do vôlei nacional. Depois, cruzou o Atlântico para três temporadas em Monza e uma em Milão,
clube com o qual conquistou a Copa Challenge europeia em 2025/26, o seu primeiro título fora do Brasil, e com o qual dividiu elenco com Reggers.
Para a temporada 2026/2027, Cachopa assinou com o Fenerbahçe, da Turquia, onde será o primeiro brasileiro a defender o clube nas divisões principais. O time de Istambul vive uma reformulação após terminar em quinto lugar no Campeonato Turco, abaixo das expectativas. Além do levantador brasileiro, o clube já anunciou o ponteiro americano Matt Anderson, ex-Sakai Blazers, do Japão, que confirma retorno à seleção dos Estados Unidos em 2026 após a conquista do bronze em Paris-2024.
A ROTA PARA NINGBO
Com as duas primeiras vitórias garantidas, o Brasil volta à quadra do Nilson Nelson no sábado (13/6), às 11h, contra a Sérvia. No domingo (14/6), às 18h, o clássico sul-americano com a Argentina encerra a participação na etapa de Brasília.
Na segunda semana, os comandados de Bernardinho viajam para Ljubljana, capital da Eslovênia, com jogos entre 24 e 28 de junho contra Ucrânia, Itália, Eslovênia e Canadá. A fase classificatória encerra em Chicago, nos Estados Unidos, de 15 a 19 de julho, diante da França, dos Estados Unidos, da Polônia e da China. A fase final da VNL, entre os oito melhores classificados, está marcada para Ningbo, na China, de 29 de julho a 2 de agosto. O Brasil conquistou o bronze em 2025 e busca o título que não vence desde 2021.
Além da relevância esportiva, a competição também integra o calendário de eventos acompanhados pelo setor de apostas esportivas no Brasil. Dados de uma pesquisa anual realizada pela KTO apontam que o futebol respondeu por 90,48% das apostas registradas na plataforma ao longo de 2024. O mesmo levantamento identificou o vôlei
entre as modalidades com público consolidado, ao lado de tênis e futebol americano, refletindo o interesse dos usuários por competições internacionais como a Liga das Nações. A empresa está autorizada a operar no mercado regulado brasileiro pela Portaria SPA/MF nº 2.093/2024.
O NOVO DONO DA POSIÇÃO
Se o ciclo anterior da Seleção Brasileira ficou marcado pela liderança de Bruninho, os primeiros compromissos da VNL 2026 indicam que a equipe inicia uma nova etapa sob o comando de Fernando Cachopa.
Aos 30 anos, o levantador reúne características que Bernardinho buscava para a renovação do grupo: experiência internacional, estabilidade técnica e capacidade de acelerar a integração de uma geração mais jovem. Sua influência vai além das assistências para os atacantes. É ele quem determina o ritmo do jogo e organiza o funcionamento coletivo da equipe.
As vitórias sobre Irã e Bélgica representam apenas os primeiros capítulos de uma caminhada que tem como objetivo Los Angeles-2028. Mas os sinais iniciais apontam para uma mudança já consolidada: depois de anos como alternativa, Cachopa assumiu definitivamente a responsabilidade de conduzir a Seleção Brasileira dentro de quadra.


