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Internacional - Seleção Brasileira - Superliga - 16 de agosto de 2026

Gabi sai em defesa de Tifanny: “Foi duramente desrespeitada”


Gabi, capitã da Seleção Brasileira feminina de vôlei, publicou um texto em defesa de Tifanny. Na noite deste domingo (16/8), ela postou um longo texto no Instagram.

A ponteira questionou a forma com que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) conduziu a política de elegibilidade, anunciada no fim da tarde de sexta-feira. Pela nova regulamentação, atletas trans não poderão mais jogar no vôlei feminino nas competições nacionais.

Além disso, Gabi defendeu Tifanny pessoal e profissionalmente. A ponteira do Conegliano e da Seleção também citou os ataques homofóbicos ao time masculino do Brasil após a eliminação na Liga das Nações (VNL).

Veja a postagem de Gabi na íntegra:

“Quem vai estar na guerra ao seu lado? E isso importa? Mais do que a própria guerra.”

Hoje abro o post com essa frase que tem feito cada vez mais sentido dentro de mim. Quem está verdadeiramente do seu lado? Quando algo importante acontece com você, quem segura a sua mão? Quem se expõe? Quem olha no seu olho e fica junto?

Reflito sobre isso fazendo também um balanço sobre como agi ao longo da minha carreira. Das oportunidades que perdi de falar o que sentia ou de me posicionar, porque não estava segura o suficiente, ou por medo, ou porque simplesmente é muito mais fácil e cômodo ficar quieta no me canto.

Mas o mais fácil e cômodo normalmente não é o caminho mais correto. Então hoje quero falar publicamente sobre a minha revolta e o meu incômodo com a forma como o caso Tifanny vem sendo tratado no nosso país.

Aconteceu uma mudança de rumo na última semana que foi apenas comunicada às pessoas envolvidas. Sem explicação plausível, já que a regra internacional já existia antes, e sem nenhum olhar para um ser humano que tem uma história, que está com uma temporada em andamento e que depende do seu trabalho para viver. A mudança foi planejada ou pensada por quem? Defendendo os interesses de quem? Em algum momento alguém pensou na pessoa da Tifanny, em como isso impactaria a vida dela? Já são nove anos disputando a Superliga. Ou só vamos reforçar que as pessoas trans devem ficar à margem da sociedade mesmo?

Para tudo na vida existe bom senso, existe timing e existe a forma de ser feito. É muito lindo ver no mês de junho todo mundo colocando arco-íris pra jogo e ganhando notoriedade com a causa. Mas o mês de junho passa e quem fica na guerra ao seu lado? Quem fica quando os homofóbicos destilam o seu preconceito? Quem te dá a mão e te defende? Quase ninguém, né?

Recentemente a Seleção masculina foi alvo de ataques gravíssimos e quase nada foi feito ou defendido. A gente só vai poder ter direito de ser quem somos se formos campeões olímpicos? Em caso de derrota, volta todo mundo pro armário? Porque esse é o recado que está sendo transmitido. E aí? Quem vai pra guerra com você?

Realmente se posicionar não é fácil, mas é uma escolha. Porque já dizia outro ditado: não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. É preciso enxergar além do superficial para ver o que realmente importa. Tifanny é um ser humano e merece todo nosso respeito. Mas, infelizmente, foi duramente desrespeitada.

“Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém. Ninguém se importa comigo”, publicou Gabi.