Bruninho na Seleção Brasileira
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Destaques - Seleção Brasileira - 24 de agosto de 2026

Bruninho faz alerta à Seleção: “É trabalho e dedicação diária”


O levantador Bruninho acompanha de longe os caminhos da Seleção, mas não deixa de cobrar a equipe. Fora do grupo desde 2024, o atleta do Vôlei Renata admite que o Brasil atravessa um momento de queda em relação ao período em que esteve entre as principais potências do mundo.

– Os últimos dois anos não foram bons. E é natural, estamos mal acostumados. Fomos número 1 do ranking por cerca de 20 anos. Ninguém conseguiu se manter tanto tempo no topo. Todas as seleções tiveram momentos difíceis. Hoje, há um equilíbrio muito grande, como jamais visto. O Brasil não está entre os três, quatro melhores times – começou Bruninho, em entrevista ao jornal “O Globo”.

Bruninho reconhece que o cenário atual do vôlei masculino é mais equilibrado e coloca Polônia, Itália, EUA e França à frente do Brasil. Ainda assim, acredita que a equipe tem capacidade para enfrentar qualquer adversário.

– Citaria Polônia, Itália, EUA e França. Mas o Brasil está no bolo das seleções que vêm na sequência. Temos time para bater de frente com qualquer uma, inclusive essas favoritas. Na VNL, tivemos derrotas que não poderíamos ter tido. Temos que dar um passo atrás, entender que este é outro momento, que podemos chegar, mas nem sempre brigaremos por tudo – acrescentou o atleta.

NOVAS GERAÇÕES

Ainda sobre a geração atual, ele pontuou que talvez esteja faltando aos atletas um senso melhor de lidar com as críticas e cobranças internas e externas.

– Não tem como ser um atleta de alta performance se não for 100% comprometido. É preciso lidar com essa pressão inerente. E não estou dizendo que ela precisa ser elevada ao ponto de antigamente. A gente avançava à decisão e sentia alívio, não era felicidade. Ninguém precisa chegar a esse copo totalmente cheio. Mas não tem como conquistar grandes coisas sem dar o máximo. É trabalho, dedicação diária, postura, é “engole o choro e vai do jeito que está”. Acho que eles podem fazer isso. E fazem muitas vezes. Talvez a porradaria de antigamente, a briga na quadra, que depois ficava tudo bem, não haverá. Mas essa parte de lidar com o sofrimento do dia a dia, com a abdicação, não tem jeito – pontuou.

MOMENTO

Bruninho, aliás, destacou que ele mesmo se cobra muito por um grande desempenho dentro das quadras, mesmo já aos 40 anos e com uma pilha de títulos conquistados.

– A crítica faz parte, mas o que digo é que não pode tirar a faca dos dentes. A postura e o legado do que foi feito lá atrás, em relação ao trabalho, à dedicação, ao sacrifício, isso não pode gerar acomodação em momento nenhum. E tem acontecido. Acho que a dor da eliminação da VNL e do Mundial do ano passado servirá de combustível. Isso não vai garantir o título Mundial, mas tenho certeza de que essa oscilação, essa postura, não haverá mais. Eles entenderam – revelou o levantador.

Apesar das críticas, Bruninho mantém a esperança no Brasil para o próximo desafio importante: o Sul-Americano, em setembro, no Rio de Janeiro, que dará vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. Ele prevê uma disputa principalmente com a Argentina e vê uma grande evolução da Colômbia, mas aposta na Seleção Brasileira para conquistar o título e garantir a classificação olímpica.

– Confio no Brasil. Esta competição é assim: não vale nada, mas tem de ganhar um jogo (contra a Argentina). Se não ganhar, você é marcado. Se ganhar, ninguém lembra. Os títulos sul-americanos não são citados no currículo dos atletas. O peso para eles é outro. O nosso é alto. Haverá pressão, a Colômbia cresceu, mas acho que ficará entre Brasil e Argentina. Eles têm um time que pode fazer frente ao nosso, mas acredito muito no Brasil – concluiu.