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Destaques - Internacional - Seleção Brasileira - 9 de setembro de 2026

Gabi critica tratamento dado à Tifanny após decisão da CBV: “Faltou humanidade”

Capitã da Seleção Brasileira questionou a forma e o momento da mudança nos critérios de elegibilidade da CBV, que impede a oposta do Osasco de disputar a Superliga


Gabi voltou a se posicionar em defesa de Tifanny Abreu e fez duras críticas à forma como a oposta do Osasco foi tratada após a mudança nos critérios de elegibilidade para a categoria feminina nas competições nacionais organizadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Em entrevista ao sportv, a capitã da Seleção Brasileira afirmou ter ficado “muito triste” com a condução do caso e apontou falta de humanidade no processo.

— Sim, eu fiquei muito triste, na verdade, de ver a falta de humanidade como a Tifanny foi tratada nessa situação. Ela era uma atleta que estava elegível pela própria Confederação Brasileira a poder jogar, participar da Superliga já há oito, nove anos. Então, ela construiu uma história, construiu uma carreira. E eu acho que pouco pensaram nela como ser humano — disse Gabi, em entrevista ao Sportv antes da estreia do Brasil no Sul-Americano Feminino de Vôlei 2026 nesta terça-feira, no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

A CBV anunciou no dia 14 de agosto a adoção de novos critérios para a elegibilidade de atletas na categoria feminina em suas competições nacionais. A política exige que as atletas apresentem teste genético negativo para o gene SRY, com as exceções previstas na normativa. Os critérios passam a valer na Superliga A e B 2026/27, Supercopa 2026 e Copa Brasil 2027, além de competições nacionais de vôlei de praia.

Na prática, a mudança impede Tifanny, primeira atleta transgênero a atuar na elite do vôlei brasileiro, de disputar a próxima Superliga. A jogadora de 41 anos, no entanto, continua liberada para defender o Osasco no Campeonato Paulista, competição organizada pela Federação Paulista de Voleibol.

Gabi questiona momento da decisão

Um dos principais pontos levantados por Gabi foi o momento escolhido para a implementação da nova política. O anúncio aconteceu quando Tifanny já estava integrada ao elenco do Osasco e às vésperas da estreia da equipe no Campeonato Paulista.

— Eu falo que o comunicado aconteceu numa sexta-feira. Na quinta-feira ela estava treinando junto com o Osasco e, de repente, ela não pode mais atuar pela Superliga. A CBV diz que segue critérios aí do COI, mas ela não era obrigada a fazer nesse timing — afirmou.

Para a capitã da Seleção Brasileira, a adoção dos novos critérios poderia ter ocorrido de maneira diferente, levando em consideração o impacto da decisão sobre a atleta.

— Eu acho que poderia ter sido um timing diferente, pensando principalmente como que isso impactaria na carreira dela, na vida dela, e sem comunicação nenhuma.

O próprio Osasco afirmou, quando a nova política foi divulgada, que foi surpreendido pela decisão. O clube informou ainda que não havia participado da elaboração da normativa e que a mudança impactava diretamente Tifanny, que defende a equipe desde 2021.

“Poderiam ter um cuidado melhor”

Gabi também ressaltou a trajetória construída por Tifanny no vôlei brasileiro e defendeu um tratamento diferente para uma atleta que atua há anos no país.

— Eu acho que ela contribuiu muito, sim, para o voleibol brasileiro e poderiam ter um cuidado melhor. Acho que principalmente o timing do momento, né? Tudo em cima da hora, principalmente para a equipe de Osasco também, que foi pega de surpresa. Agora, felizmente, ela está podendo participar do Paulista, mas eu acho que isso poderia ter sido tratado de uma maneira diferente — completou Gabi, ao sportv.

Tifanny está no Osasco desde 2021 e segue atuando pelo clube no Campeonato Paulista. Já a nova política da CBV passa a valer para a Superliga 2026/27, deixando a oposta fora da principal competição nacional nas condições atuais.