
Semeniuk revela como lida com a reserva na Polônia: “Cerro os dentes e deixo o ego de lado”
Kamil Semeniuk voltou a mostrar na conquista do Campeonato Europeu Masculino 2026 por que é uma das principais armas de Nikola Grbic na seleção polonesa, mesmo sem ter lugar garantido entre os titulares. Na final contra a França, no sábado (26/9), em Milão, na Itália, o ponteiro saiu do banco, marcou 10 pontos e teve participação importante na vitória por 3 sets a 1 que garantiu mais um título à Polônia.
Considerado o “melhor reserva do mundo”, Semeniuk vive uma situação incomum para um jogador de seu nível. Aos 30 anos, o ponteiro canhoto de 1,95m é um dos principais nomes do Perugia, da Itália, mas enfrenta uma concorrência enorme na seleção polonesa, especialmente com Tomasz Fornal e Wilfredo León. Por isso, apesar do protagonismo no voleibol internacional, muitas vezes precisa esperar no banco pela oportunidade.
Foi assim também na final da Liga das Nações de 2026. Semeniuk foi acionado por Grbic durante a vitória por 3 sets a 2 sobre os Estados Unidos e voltou a fazer a diferença na conquista do título da VNL.
Em entrevista ao jornalista Arkadiusz Dudziak, do WP SportoweFakty, Semeniuk falou abertamente sobre como administra uma situação que poucos jogadores do seu nível precisam enfrentar.
“Você tem que cerrar os dentes, deixar o ego de lado e se adaptar à situação atual. O técnico comanda a seleção e é o responsável final pelos resultados. Eu tento me adaptar à visão dele para a seleção em determinada temporada.”
O polonês admite que nem sempre é fácil esconder a vontade de estar em quadra.
“O treinador também sabe que às vezes posso ficar um pouco irritado, um pouco chateado nos treinos. No entanto, acho que ele percebe que, se realmente precisar de algo de mim, pode pedir e eu sempre me adaptarei.”
“O sucesso vem com trabalho duro”
A postura de Semeniuk ajuda a explicar por que Grbic continua recorrendo ao ponteiro nos momentos de maior pressão. Mesmo quando não começa jogando, ele precisa permanecer preparado para assumir um papel importante durante a partida.
Semeniuk também falou sobre a disciplina que mantém fora dos jogos. Para ele, a dedicação não se restringe aos períodos em que está entre os titulares.
“Se vou fazer alguma coisa, quero fazer o melhor possível. Não gosto de fazer as coisas pela metade, e isso não se aplica apenas ao vôlei. É difícil, eu reclamo das coisas. Quanto mais velho fico, mais reclamo. Mas tenho disciplina e acredito que tudo valerá a pena no final. O sucesso vem com trabalho duro. Posso reclamar, mas vou fazer. Sou consciencioso e busco a perfeição.”
A relação com o esporte aparece ainda mais claramente em outra declaração do ponteiro.
“Posso estar doente, mas o voleibol é a minha vida. Ainda quero ser um jogador de voleibol ativo e não gostaria de perder todo o trabalho que venho desenvolvendo há mais de uma década em duas semanas.”
Semeniuk ainda brincou ao explicar uma das motivações para continuar cuidando da forma física.
“Tento manter-me em boa forma para que, quando for à praia com a minha esposa, ela possa dizer: ‘Ei, esse é o meu marido. Tão bonito, tão musculoso’.”
A relação de Semeniuk com Grbic
A confiança em Grbic não começou na seleção polonesa. Os dois trabalharam juntos no ZAKSA Kedzierzyn-Kozle, período importante para a transformação de Semeniuk em um jogador de primeiro nível internacional.
O ponteiro reconhece o peso do treinador em sua evolução.
“Ele realmente me colocou em forma. Ele me transformou em um jogador excelente em campo. Tento seguir todos os seus conselhos. Tenho que admitir que ele estava certo e que todos os seus conselhos foram certeiros.”
Semeniuk revela conversa com o treinador
Semeniuk também recordou um episódio do início da trajetória ao lado do sérvio. Antes de disputar sua primeira Supercopa da Polônia como titular, ainda jovem, foi chamado por Grbic para uma conversa.
“Lembro-me de que o treinador me chamou para o vestiário em Kedzierzyn para uma conversa a sós e me perguntou como eu estava me sentindo, se estava nervoso. Eu disse: ‘Nossa, estou muito nervoso porque é meu primeiro torneio’. Eu tinha um pouco mais de 20 anos.”
Grbic respondeu de forma simples. “Ele disse: ‘Relaxe, faça o seu jogo. Eu te ajudo se precisar de alguma coisa’. Ganhamos a Supercopa e, a partir daí, ganhei mais confiança.”
Anos depois, Semeniuk se tornou protagonista no voleibol de clubes e um dos principais ponteiros da modalidade. Na seleção que lidera o ranking mundial, porém, a concorrência é tamanha que até um jogador de seu nível precisa conviver com o banco.


