
Vissotto leva lições dos EUA ao Minas: “Tudo lá tem uma metodologia”
Novo técnico do Gerdau Minas explica como experiência no voleibol americano influenciou sua formação e a maneira de trabalhar com as atletas
Leandro Vissotto construiu uma carreira vitoriosa dentro das quadras, passou por algumas das principais ligas do mundo e conquistou títulos importantes com a Seleção Brasileira. Agora, o novo técnico do Gerdau Minas pretende aplicar no clube na Superliga 2026/27 uma experiência mais recente: o aprendizado que acumulou nos Estados Unidos.
Aos 43 anos, o medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 e campeão mundial em 2010 inicia uma nova etapa da carreira no Brasil. Durante o lançamento da Superliga 2026/27, Vissotto explicou como o período no voleibol americano na NCAA ajudou a formar o treinador que assume o Minas.
“Nossa escola é uma coisa mais empírica, cada treinador tem um pouco a sua receita de fazer as coisas. Eu acho que o americano é muito sistemático, muito metodológico. Então, tudo lá tem uma metodologia, um porquê científico, tático, técnico por trás de toda a forma que eles ensinam o voleibol”, comentou.
O ex-oposto, porém, pretende usar também a escola brasileira para moldar seus métodos.
“A escola brasileira dispensa comentários. As medalhas olímpicas falam por si só. Todos respeitam demais o Brasil. Onde eu passei no mundo, joguei na Coreia, no Japão, na Rússia, no Qatar, na Itália, todos olham para o nosso voleibol como referência”, afirmou Vissotto.
Currículo como treinador
Vissotto iniciou sua trajetória como treinador no voleibol universitário americano. Ele trabalhou na comissão técnica da Universidade de South Florida e depois seguiu para a Universidade de Miami. Ele considera essa passagem fundamental para construir sua identidade fora das quadras para o retorno ao Minas.
“Foi uma coincidência eu fazer essa minha transição num lugar onde eu me formei como treinador e, com certeza, tem impacto na minha forma de treinar, de trabalhar com as minhas atletas.”
Títulos como jogador não bastavam para Vissotto
Antes de iniciar a nova carreira, Vissotto construiu um currículo de destaque como jogador. Pela Seleção Brasileira, conquistou o Campeonato Mundial de 2010 e as Ligas Mundiais de 2009 e 2010. Também ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres-2012.
Nos clubes, o ex-oposto atuou no Brasil, Itália, Rússia, Japão, Qatar e Coreia do Sul. Com o Trentino, conquistou títulos da Champions League e do Mundial de Clubes.
Apesar desse currículo, Vissotto afirma que os resultados como atleta não garantiam sua preparação para trabalhar como treinador.
“Ter sido medalhista olímpico, campeão mundial não me capacitou para estar aqui hoje, e sim o estudo, a preparação, a curiosidade de ser um eterno aprendiz. Eu acho que, nessa condição de treinador, a gente está sempre aprendendo, não só com o jogo, mas também com as atletas. É preciso ter a humildade de saber que o aprendizado é constante”.

“A pressão é um privilégio”
Vissotto sabe que encontrará cobrança no comando de um dos principais times do voleibol brasileiro. Em vez de fugir dessa responsabilidade, o treinador vê a pressão como parte do novo desafio.
“Sei da pressão, pressão que sempre vai ter. E a pressão é um privilégio. Eu acho que esse privilégio que eu tenho de poder estar sentindo essa pressão aqui com a camisa do Minas, enfrentar adversários de excelente capacidade… Agora é trabalhar.”


