
Luizomar sai em defesa de Tifanny e condena ataques: “Comentários desprezíveis”
Técnico do Osasco critica a divulgação de decisão favorável à CBV, condena ataques contra Tifanny e reforça apoio à jogadora.
O técnico Luizomar de Moura fez um forte desabafo sobre a situação de Tifanny, que sofreu nesta sexta-feira (6/11) a terceira decisão consecutiva desfavorável na disputa judicial para voltar a atuar na Superliga Feminina 2026/27. Em entrevista ao SporTV, antes do confronto entre Osasco e Fluminense, no ginásio da Hebraica, no Rio de Janeiro, pela quarta rodada da competição, o treinador criticou a forma como a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) divulgou a nova decisão e lamentou os ataques pessoais sofridos pela jogadora.
Luizomar afirmou que a discussão ultrapassou os limites esportivos e demonstrou preocupação com as consequências da exposição da atleta, especialmente diante da repercussão das decisões judiciais nas redes sociais.
“Quando vem essa negativa, quando vem a nota oficial da Confederação Brasileira de Voleibol divulgando, entre aspas, uma vitória, né? Eu acho que ninguém tá ganhando com essa situação”, declarou.
A manifestação aconteceu poucas horas depois de a 14ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro negar um novo pedido de liminar apresentado pela defesa de Tifanny. A jogadora tenta suspender os efeitos de uma decisão do Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Voleibol (STJD) e recuperar sua condição de jogo.
Na nota oficial divulgada nesta sexta-feira, a CBV destacou que a decisão representou o terceiro resultado consecutivo favorável à entidade. Foi justamente essa maneira de comunicar o resultado que motivou parte das críticas do treinador.
“Acaba despertando uma enxurrada de comentários desprezíveis, né? Comentários que não cabem mais no dia de hoje. Não para a atleta, não pelo regulamento, mas pra pessoa, né? Pro ser humano”, lamentou Luizomar.
Luizomar reforça apoio do Osasco a Tifanny
O treinador destacou que a situação tem provocado desgaste emocional e reforçou que Tifanny continua contando com o apoio das companheiras e da comissão técnica do Osasco.
“Isso incomoda bastante, né? Mas o time tá unido, estamos dando apoio pra ela. E vamos… Eu acho que ela tem que continuar lutando, né?”, afirmou.
Luizomar também questionou o momento em que a nova regulamentação entrou em vigor, depois de anos de participação da jogadora na elite do voleibol brasileiro.
A oposta defendeu o Sesi Bauru e o Osasco, conquistou títulos importantes e se tornou uma figura conhecida do público nos ginásios do país.
“É uma pessoa que é extremamente querida, né? Em todos os ginásios que passam”, destacou o treinador, ao recordar o carinho dos torcedores pela atleta.
Para Luizomar, a controvérsia tem provocado consequências que vão além da ausência da jogadora nas partidas.
“Ninguém tá vencendo nessa guerra. Quem tá perdendo é o voleibol, quem tá perdendo é o ser humano”, desabafou.
Entenda o caso Tifanny e as decisões da Justiça
A situação começou em agosto, quando a CBV anunciou uma nova Política de Elegibilidade para a Categoria Feminina, estabelecendo critérios para a participação de atletas nas competições organizadas pela entidade.
Entre as exigências previstas na regulamentação está a comprovação de elegibilidade por meio de teste genético para identificação do gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino.
A mudança atingiu diretamente Tifanny, que atua na Superliga Feminina desde 2017. Até então, a jogadora estava autorizada a participar das competições nacionais mediante o cumprimento dos critérios hormonais anteriormente adotados pela CBV.
O Osasco manifestou apoio à atleta e questionou a alteração das regras, anunciada pouco antes do início da temporada nacional.
Tifanny recorreu à Justiça e conseguiu, em 16 de outubro, uma liminar que autorizou sua participação na Supercopa e na Superliga Feminina.
Liberada para jogar, a oposta participou da conquista da Supercopa diante do Praia Clube. Marcou 15 pontos, recebeu o Troféu VivaVôlei e ajudou o Osasco a vencer por 3 sets a 0.
Ela também esteve em quadra na estreia da equipe na Superliga Feminina, contra Brasília.
Terceira decisão desfavorável mantém Tifanny fora das quadras
A situação mudou em 23 de outubro, quando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a liminar que havia permitido a participação da jogadora.
No mesmo dia, o Pleno do STJD do Voleibol rejeitou, por unanimidade, um mandado de garantia apresentado pela defesa de Tifanny.
Nesta sexta-feira (6/11), a atleta sofreu mais uma derrota judicial. A 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro negou um novo pedido de liminar que buscava suspender os efeitos da decisão da Justiça Desportiva.
Com isso, Tifanny permanece impedida de atuar na Superliga Feminina, enquanto a disputa judicial continua.
A CBV reafirma que sua política de elegibilidade tem caráter geral e defende a aplicação dos critérios estabelecidos para as competições femininas.
Do outro lado, Tifanny e o Osasco seguem buscando uma solução que permita o retorno da jogadora às quadras.
Para Luizomar, independentemente da discussão sobre o regulamento, o tratamento dispensado à atleta precisa ser considerado.
“Eu acho que estamos apoiando o ser humano, né?”, afirmou o treinador, que encerrou seu desabafo lamentando a exposição e os ataques sofridos por Tifanny.
“E não precisava passar por isso.”


