
CBV detalha falta de repasse para etapa da VNL em Brasília
A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) confirmou em nota oficial nesta quarta-feira (17/6) que não recebeu o aporte financeiro prometido pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para a realização da etapa brasileira da Liga das Nações (VNL). O posicionamento da entidade acontece dois dias depois de o Web Vôlei revelar o caso e apontar um prejuízo milionário assumido pela Confederação para manter a competição.
Em nota oficial, a CBV detalhou que as negociações com o Governo do Distrito Federal e a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer começaram em agosto de 2025 para viabilizar a realização das etapas feminina e masculina da VNL, disputadas entre os dias 3 e 14 de junho deste ano, na capital federal.
Segundo a entidade, o compromisso de apoio financeiro foi formalizado por meio do Ofício nº 870/2025, de 22 de outubro de 2025. O documento previa um aporte total de R$ 17,5 milhões para eventos de voleibol, sendo R$ 11 milhões destinados especificamente à Liga das Nações.
A CBV afirma que realizou diversos ajustes técnicos e administrativos ao longo do processo para atender às solicitações do governo local e aguardava a formalização da parceria. Entretanto, em 11 de maio de 2026, menos de 20 dias antes do início da competição, recebeu um novo ofício da Secretaria informando que o apoio financeiro não seria concretizado em razão de restrições orçamentárias e medidas de contenção fiscal.
POSICIONAMENTO
“A CBV atuou de forma transparente e colaborativa durante todo o processo de construção da parceria institucional, realizando inúmeros alinhamentos técnicos e administrativos, além de sucessivas adequações e ajustes no plano de trabalho para atender as solicitações”, escreveu a Confederação.
De acordo com a Confederação, a comunicação ocorreu quando a organização do evento já estava em estágio avançado. Contratos com fornecedores, compromissos junto à Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e à Volleyball World, além da venda de ingressos, hospedagens e logística das delegações, já haviam sido estabelecidos.
“A comunicação ocorreu em momento extremamente crítico. Um evento desse porte não se organiza de uma hora para outra. Recebemos a comunicação quando toda a operação da competição internacional já se encontrava avançada”, ressaltou a CBV na nota oficial.
A entidade ressaltou que situações semelhantes não ocorreram em eventos anteriores realizados em parceria com o GDF, como a etapa da VNL de 2022 e competições nacionais e internacionais de vôlei de praia disputadas em Brasília nos últimos anos.
Mesmo diante do impacto financeiro provocado pela ausência dos recursos previstos, a CBV decidiu manter a realização da etapa brasileira da Liga das Nações.
Segundo a entidade, a decisão levou em consideração os compromissos assumidos com atletas, delegações, patrocinadores, torcedores e organismos internacionais. A Confederação também argumenta que um eventual cancelamento poderia trazer consequências esportivas e institucionais relevantes para o voleibol brasileiro.
“O cancelamento poderia, em última instância, até afastar o Brasil dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028”, disse a Confederação.
IMPACTO NO VÔLEI DE PRAIA
No comunicado, a CBV informou ainda que aguarda o repasse de recursos relacionados a eventos de vôlei de praia realizados na capital federal. Segundo a entidade, um termo de fomento no valor de R$ 5,98 milhões chegou a ser assinado, mas os recursos ainda não foram liberados.
A Confederação afirma que fornecedores dos eventos seguem cobrando pagamentos e que depende da liberação da verba prevista para quitar os compromissos assumidos.


