
Conegliano é mais uma vítima do calendário desumano do vôlei
Escrever sobre o calendário do vôlei mundial é cansativo, já ficou repetitivo e, infelizmente, parece ter sido normalizado por grande parte do ecossistema da modalidade. Mas o caso do Conegliano, nos últimos dias, é o exemplo mais escancarado do absurdo atual.
O time jogou a semifinal da Copa Itália no sábado, venceu a final no domingo e, hoje, terça-feira (27/1), estará em quadra em outro país, a Turquia, para atuar pela Champions League. Quando as atletas viraram máquinas? Quando normalizamos tal cenário?
Vou desenhar, como dizem os jovens, para tentar deixar a realidade um pouco mais fácil de ser compreendida.
No fim de semana, o Conegliano jogou em Turim. Ganhou do Novara, no sábado. Após vencer o Scandicci, no domingo, e conquistar o título, o time pegou um ônibus para viajar quase 450 quilômetros, na madrugada, de volta pra casa. Tempo de chegar, trocar a mala e pegar outro ônibus até Veneza, para quase mais uma hora de viagem.
De lá, aeroporto, voo para Ankara e mais algumas horas até o destino na Turquia. E daqui a pouco estará em quadra contra o Zeren, valendo vaga nos playoffs da Champions.
Descanso comprometido, sono prejudicado, impossibilidade da recuperação física adequada, treinamento com menor intensidade antes de um jogo decisivo pela classificação no principal torneio europeu… Não tem nada saudável em todo esse processo. E estou falando das questões físicas neste momento, torcendo para que tal cenário não “ajude” a lesionar gravemente uma atleta.
Mas poderia abordar um outro viés: a saúde mental. As jogadoras não são máquinas, estão quase sempre sob pressão e convivem com um dos males dos novos tempos: os haters nas redes sociais. Basta uma atuação ruim numa maratona desumana como essa para ler e ouvir: “Amarelona! Pipoqueira! Não joga nada em decisão”.
Dirigentes do vôlei mundial, esse não pode ser o novo normal. Algumas mudanças no calendário já foram feitas, mas ainda são insuficientes. Está escancarado!


