
Dirigente brasileiro da Volleyball World elogia VNL: “Vanguarda”
A transformação da gestão do voleibol internacional e os resultados alcançados pela modalidade nos últimos anos foram temas centrais da participação do brasileiro Marcelo Hargreaves, Chief Product Officer (CPO) da Volleyball World, no programa Sport Insider. Em entrevista ao jornalista Rodrigo Capelo, o executivo detalhou o modelo de negócios adotado pela entidade e explicou como a mudança de mentalidade da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) vem impulsionando o crescimento do esporte em escala global.
Segundo Hargreaves, a abertura da FIVB para investimentos privados, com a entrada da CVC Capital Partners, representou um marco na forma como o voleibol passou a ser administrado.
– Muito se fala no Brasil e, obviamente, nossa visão sobre gestão do vôlei, como modalidade, está positivamente “intoxicada” pelo que vimos aqui, com um desenvolvimento muito grande. A CBV é vista como uma confederação de destaque, principalmente comparando com outras confederações, em termos de desenvolvimento esportivo e resultado. Mas isso também acontece em um plano global. Hoje, dentro daquele ecossistema que se vive em Lausanne, onde há a grande maioria das federações internacionais, inclusive há conversas com o Comitê Olímpico Internacional, fala-se que o movimento feito de maneira voluntária pela FIVB alguns anos atrás é tido como movimento de vanguarda e exemplo para outras federações. Então, essas conversas acontecem muito porque acredita-se ser um modelo vencedor – afirmou.
A Volleyball World é responsável pela gestão e comercialização das principais competições da modalidade, incluindo a Liga das Nações (VNL), os Campeonatos Mundiais, os Mundiais de Clubes e eventos de vôlei de praia.
Hargreaves explicou que a estratégia da entidade passa pela consolidação de competições globais e pela criação de novos produtos para ampliar o alcance da modalidade.
– A VNL foi um processo de unificação da World League masculina e do Grand Prix feminino. Transformamos o Campeonato Mundial em Copa do Mundo, passando da frequência de quatro para dois anos. A entidade também tem os direitos dos Mundiais de Clubes e um espelhamento de eventos parecidos no vôlei de praia. Estamos prometendo entregar ao fim de 2026 um novo produto para o jogo na areia – disse.
Durante a entrevista, o executivo também abordou diferenças estruturais entre o voleibol e o futebol, destacando que a modalidade possui regras bem definidas para evitar conflitos entre competições de clubes e seleções, permitindo um calendário mais organizado.
Outro ponto destacado foi a força do voleibol feminino. Para Hargreaves, a modalidade alcançou um nível de maturidade comercial e de audiência raro entre os esportes coletivos.
– Hoje, o vôlei é o esporte coletivo feminino no mundo que produziu o evento de maior audiência presente. Foi um jogo da NCAA, em Lincoln, Nebraska, com 92 mil pessoas em um estádio de futebol americano. Isso não acontece em outros esportes – afirmou.
O dirigente acredita que essa força também se reflete no mercado.
– Vejo muitas marcas brasileiras investindo no futebol feminino. Isso já é uma realidade natural no vôlei há muitos anos – finalizou.


