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Destaques - Internacional - Seleção Brasileira - 8 de janeiro de 2026

Mari fala sobre corte em 2012 e relação com Zé: “Já está perdoado”


O polêmico corte antes dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, voltou a ser assunto para a Mari. Campeã com a Seleção Brasileira em Pequim-2008, a ex-jogadora voltou a abordar um dos momentos mais delicados da carreira em entrevista ao Basticast.

De acordo com a jogadora, uma decisão de renovar com o Rexona e não seguir para o Fenerbahce pesou para o seu corte, 14 anos atrás.

– Naquele ano, eu tinha machucado o joelho, e estava jogando no Rexona Unilever, eu joguei praticamente só a semifinal e a final. O Bernardo falou assim: “Eu acho justo você ficar mais um ano aqui, e jogar o ano inteiro”. Até porque eu recebi o ano inteiro. Eu falei que achava justo também. Nessa mesma época, o Zé estava indo para o Fenerbahce, aí ele falou: “Eu quero que você vá para o Fenerbahce, porque eu quero treinar você, ano que vem já é Olimpíada”. Aí eu fiquei assim: e agora, o que eu farei da minha vida? Fiquei nesse impasse. Pensando na minha vida pessoal também, tinham coisas que eu não queria deixar para ir para lá, e tinha essa questão do Bernardo que eu achava justa. E tinha o Zé que também era justa, que queria que eu fosse para poder me treinar. Pensando em tudo isso, decidi ficar mais um ano no Rio, eu acho que vai ser bom para mim, e também eu vou estar treinando com o Bernardo, elas por elas de treino, tudo certo, e o Zé não gostou disso – disse Mari.

REPERCUSSÃO INTERNA

Segundo ela, o corte antes da viagem para Londres pegou todo mundo de surpresa:

– No dia do corte, eu estava voltando da lavanderia, ele me chamou e falou: “Então, temos um problema, vamos ter que nos separar, porque eu não confio em você”. Aí eu falei, tá bom, vou pegar minhas coisas, posso ir embora? Ele respondeu que pode e foi assim. Curto, grosso, rápido. Eu entrei no quarto e falei que tinha sido cortada, ia arrumar minhas coisas para ir embora. Aí as meninas começaram a ligar umas para as outras para avisar. Todo mundo veio chorando me abraçar, pegou todo mundo de surpresa. As meninas levaram a minha camisa, todo pódio que subia, eu estava lá junto.

A ex-ponta/oposta admitiu, porém, que não teve o melhor dos ciclos para os Jogos de 2012.

– Foi um ciclo bem difícil, tiveram lesões, foi bem difícil readaptar. Foi um ciclo bem bagunçado para mim. Eu achei que foi muito injusta a forma que foi. O Zé poderia ter decidido que eu não iria para a Olimpíada, não era esse o problema, mas como foi o corte.

Mari reforçou que depois de muitos anos ela e o treinador voltaram a ter contato:

– Isso já está perdoado – diz ela. – Eu acho que ele se arrepende. Da forma como ele veio falar comigo pessoalmente, da forma que ele me abraçou, falou: “Você sabe que eu te amo”. Foi em 2024, no hotel antes de um evento no Maracanãzinho. Eu estava sentada, ele cutucou no ombro, aí eu falei: “Oi, José!”, pois eu chamo ele de José brincando, porque eu sempre tive uma relação muito boa com ele. Foi forte. O erro do final, não muda todo o contexto. O Zé foi fundamental na minha carreira, o cara que acreditou em mim, me colocou em tudo, que me fez acreditar que eu poderia ser uma ponteira. Ele falava todo dia para mim que eu tinha condição de ser a melhor do mundo todo ano.