
Thaisa, aos 39: “O que mais me move é provar pra mim mesma o quanto ainda posso”
Capitã do Gerdau Minas fala sobre dores, superação e a motivação para seguir no alto nível depois de uma carreira marcada por títulos e desafios
Em 2017, Thaisa viu a carreira ficar ameaçada por uma grave lesão no joelho. Na Turquia, então jogadora do Eczacibasi, a bicampeã olímpica teve o futuro colocado em xeque. Durante a recuperação, ouviu que talvez nunca mais voltasse ao mesmo nível. Quase uma década depois, aos 39 anos, a central do Gerdau Minas segue em quadra e transforma justamente esses desafios em combustível para continuar.
“Hoje, o que mais me move é provar pra mim mesma o tanto que eu posso mais e o tanto que eu posso romper barreiras. Eu posso vencer coisas que as pessoas falam que eu não consigo mais, que não dá mais, que não está tão bom assim”, afirmou Thaisa, durante o evento de apresentação da Superliga 2026/2027.
Thaisa transformou a recuperação em combustível
Thaisa voltou a disputar uma partida oficial em fevereiro de 2018, pelo Barueri. A partir dali, reconstruiu a carreira e retornou ao mais alto nível do vôlei brasileiro e internacional.
Em 2019, a central voltou ao Gerdau Minas, clube que também havia defendido no início da carreira. Desde então, tornou-se uma das principais referências da equipe. Hoje, além de acumular títulos com a camisa minastenista, exerce a função de capitã.
Para Thaisa, porém, a motivação atual vai além da busca por troféus. Ela encara a própria trajetória como uma oportunidade de descobrir até onde ainda consegue chegar.
“Quando me perguntaram quando eu voltei para a Seleção: ‘Você quer provar o quê?’. Cara, eu não quero provar nada para ninguém. Nesse momento, é para mim. É para mostrar para mim mesma o que eu posso fazer, o tanto que eu sou forte, o tanto que eu sou resiliente, o quanto eu aprendi durante toda essa minha trajetória.”
Retorno à Seleção e medalha em Paris
A carreira internacional ganhou um novo capítulo em 2024. Depois de anos afastada da Seleção Brasileira, Thaisa voltou ao time comandado por José Roberto Guimarães. O retorno terminou com mais uma medalha olímpica.
Titular do Brasil, a central conquistou o bronze nos Jogos Olímpicos de Paris. A medalha se juntou aos ouros de Pequim-2008 e Londres-2012. Assim, Thaisa chegou ao terceiro pódio olímpico da carreira.
Aos 39 anos, no entanto, permanecer no alto rendimento exige cada vez mais do corpo. A central não esconde as dores, o cansaço e a rotina de cuidados para continuar treinando e jogando.
“Realmente vai se tornando cada vez mais difícil. Dores, cansaço, um monte de outras coisinhas mais”
“Não sou do tipo que fica dando palestrinha”
Além do desempenho dentro de quadra, Thaisa encontrou outro significado para sua permanência no vôlei. A experiência também permite que ela ajude as atletas mais jovens do elenco.
Essa influência, segundo a capitã, não acontece por meio de grandes discursos. Ela prefere compartilhar conhecimento nas situações do dia a dia.

“Eu vejo que ajudo tantas meninas. Consigo passar coisas para elas. E eu não sou do tipo que fica dando palestrinha, não. É uma coisa tão natural, porrada mesmo. É na conversa, numa troca de olhares, um gesto, uma coisa no momento do treino, um detalhe.”
“Você fala alguma coisa e elas te olham, parece que acende uma luzinha. Eu acho tão gostoso quando isso acontece. Ter esse papel é muito legal.”
Hoje, Thaisa também não mede sua contribuição apenas por pontos ou bloqueios. Para ela, orientar uma companheira, antecipar uma jogada ou ajudar a equipe em um momento difícil também faz diferença.
“Quando eu consigo ir para a quadra, não ser a melhor de todas, mas ajudar a equipe de alguma forma, seja pontuando, seja falando ‘faz assim, faz assado, olha, vai fazer isso, fica ligada’, e aquela coisa acontece… Esse tipo de coisa me dá um gás. Parece que me ilumina. Eu saio muito feliz.”


