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Destaques - Entrevista - Superliga - 1 de outubro de 2026

Tifanny critica decisão da CBV: “Faltou empatia. Estou aqui para mostrar que eu existo”

Oposta do Osasco falou nesta quinta-feira, no lançamento da Superliga 2026/27, sobre a mudança nas regras de elegibilidade e criticou a exclusão de atletas trans


Tifanny Abreu voltou a falar nesta quinta-feira (1/10) sobre a mudança nas regras de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) para as competições femininas. Presente no lançamento oficial da Superliga 2026/27, em São Paulo, a oposta do Osasco São Cristóvão Saúde fez duras críticas à decisão da entidade, afirmou que faltou empatia na condução do caso e diz que pode acionar a Justiça.

Ao ser questionada sobre os sentimentos provocados pela situação, Tifanny disse não carregar raiva. A jogadora, porém, usou a palavra “desprezo” e falou em falta de consideração não apenas com ela, mas também com o clube e com as pessoas que se identificam com sua trajetória.

“A raiva, eu acho que não é um sentimento que a pessoa deveria carregar dentro do coração. A gente deveria carregar amor. E faltou muita empatia com o ser humano, com o atleta, com o clube, principalmente com todas as pessoas que se inspiram em mim no esporte. Estou  aqui para mostrar que eu existo”, disse.

Mudança nas regras tirou Tifanny da Superliga

A discussão começou em agosto, quando a CBV anunciou uma nova política de elegibilidade para as competições da categoria feminina. A entidade estabeleceu novos critérios para participação nos torneios nacionais e a mudança atingiu diretamente Tifanny, proibida de disputar a Superliga 2026/27.

Tifanny critica política para atletas trans

Tifanny também direcionou suas críticas às pessoas responsáveis pelas decisões no esporte. Na avaliação da jogadora, as novas regras representam uma política de exclusão das pessoas trans.

“Essa empatia infelizmente tá faltando do lado de pessoas que comandam o esporte, que comandam o esporte e infelizmente estão vindo com uma nova política transfóbica contra as pessoas trans”, declarou.

A classificação da política como “transfóbica” partiu da própria Tifanny. Ao divulgar as novas regras em agosto, a CBV informou que elaborou a política considerando parâmetros e diretrizes de entidades esportivas internacionais.

A oposta defendeu a possibilidade de discutir novos critérios para a participação de atletas trans, mas criticou uma solução que, na avaliação dela, resulte na exclusão.

“Eu acho que poderia, sim, ter novas regras, poderia, sim, ter novas formas de abrir portas para as pessoas trans, mas não de excluir.”

Tifanny prosseguiu:

“Quando você exclui pessoas do esporte, você tá proibindo pessoas de praticar o esporte. E o esporte não poderia ser político. Isso tá sendo político nesse momento.”

Dez anos de trajetória no vôlei feminino

Tifanny tem 41 anos e atua no vôlei feminino brasileiro desde 2017. Naquele ano, estreou na Superliga pelo Bauru e tornou-se a primeira mulher trans a disputar a principal competição feminina de clubes do país.

Em 2021, a oposta chegou ao Osasco e, desde então, participou de importantes conquistas da equipe.  Nesta quinta-feira, o Web Vôlei também apurou que o Osasco pediu à CBV uma regra de transição para que Tifanny possa disputar a temporada 2026/27. Neste momento, a entidade mantém sua decisão.