
Schmitz avalia trabalho pela Colômbia e celebra metas alcançadas
O técnico brasileiro Guilherme Schmitz deixou a Copa Sul-Americana feminina de vôlei satisfeito com o desempenho da seleção da Colômbia. Vice-campeã da competição disputada em Lima, no Peru, a equipe foi derrotada pelo Brasil por 3 sets a 0 na decisão do último domingo (26/7), mas alcançou todos os objetivos traçados para o torneio, segundo o treinador.
Em entrevista ao Web Vôlei, Schmitz fez um balanço da campanha, analisou a final diante da Seleção Brasileira, falou sobre a evolução da equipe desde sua chegada e projetou a sequência da temporada, que terá como principal desafio o Campeonato Sul-Americano, classificatório olímpico, disputado em setembro, no Rio de Janeiro (RJ).
Confira a entrevista completa:
Qual o balanço você faz do vice-campeonato na Copa Sul-Americana?
Fazendo um balanço da Copa Sul-Americana, ele é muito positivo. Chegamos aqui com alguns objetivos traçados e todos foram cumpridos. O primeiro deles era terminar entre as seis melhores equipes para garantir a vaga no classificatório olímpico, que será disputado no Rio de Janeiro. Além de valer vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, esse torneio também dará três vagas para o Campeonato Mundial de 2027, no Canadá e nos Estados Unidos.
Outro objetivo era chegar às semifinais, e isso também foi alcançado. Depois, com a classificação para a final contra o Brasil, como a Seleção Brasileira já estava garantida nos Jogos Pan-Americanos por ter conquistado os Jogos Olímpicos da Juventude, no ano passado, nós também asseguramos a vaga para os Jogos Pan-Americanos de 2027, que serão disputados aqui mesmo, em Lima. Foi mais uma meta alcançada.
Além disso, um objetivo importante como equipe era terminar à frente da Argentina, que estava na porta de entrada da VNL. Jogamos diretamente contra elas, vencemos a partida e ainda conquistamos pontos importantes no ranking mundial. Estamos caminhando, e isso nos deixou muito felizes, com a certeza de que estamos no caminho certo.
Apesar do 3 a 0, a final com o Brasil foi bem equilibrada. Na sua visão, o que faltou na atuação colombiana?
A derrota por 3 a 0 não reflete exatamente o que foi a partida. Acho que, tanto no primeiro quanto no segundo set, tivemos até mais oportunidades de estar à frente no placar do que o próprio Brasil. Logicamente, a experiência das jogadoras brasileiras, por já viverem esse tipo de situação há mais tempo, traz uma tranquilidade que ainda nos faltou nos momentos decisivos. Faltou sermos um pouco mais efetivos nos finais de set. Se tivéssemos conseguido vencer o primeiro set, acredito que a direção da partida poderia ter sido diferente. Mas, no geral, jogamos bem. Não foi o nosso melhor voleibol, mas fizemos uma boa partida, e acho que quem assistiu viu um jogo de bom nível.
Você não pode contar com a ponteira Olaya na reta final da competição por uma situação “inusitada”. Explique melhor o motivo.
Em relação à Olaya, ela veio para a competição e jogou os três primeiros jogos da chave, inclusive o jogo da Argentina. Ela se graduou em psicologia e me parece que ela tem uma obrigação na regra da Colômbia, e que a pessoa tem que fazer lá uma prova, que é como se fosse uma prova da OAB, e lá isso é intransferível e não se muda, não faz online. Isso foi tentado com o Comitê Olímpico Colombiano, com o Ministério. Tentamos que a data fosse transferida para uma outra data mais tranquila para ela poder estar aqui na competição, mas isso não é possível lá. É bom que eles respeitam o processo da educação também. Eles valorizam essa parte educacional, então, nos próximos torneios, ela vai estar.
Fazendo uma análise da sua chegada à Colômbia até aqui, em quais aspectos você acha que o time mais evoluiu?
Acredito que conseguimos implementar alguns padrões técnicos e táticos que deram mais velocidade ao jogo, aumentaram o volume de defesa e melhoraram a qualidade dos levantamentos, mesmo quando a bola não passa pelas mãos da levantadora. São detalhes técnicos que ajudam a construir um jogo mais rápido e uma relação mais eficiente entre bloqueio e defesa. No início, elas sentiram um pouco essa mudança de postura, de posicionamento e da forma como os exercícios são propostos. Mas hoje já percebo que estão muito mais abertas a tentar executar essas mudanças. E, quando elas sentem que o resultado aparece dentro da quadra, tudo fica mais fácil.
Qual será a programação da seleção até o Sul-Americano?
Agora, depois da Copa Sul-Americana, nossa programação é disputar os Jogos Centro-Americanos. É como se fosse uma Olimpíada da América Central, um evento muito importante para o calendário do Comitê Olímpico Colombiano e de toda a região. Estarão lá seleções como República Dominicana, México, Venezuela e Cuba. Serão jogos importantes, e isso é muito bom para nós, porque chegaremos ao classificatório olímpico com pelo menos dez partidas disputadas em um bom ritmo, contra adversários de bom nível e com muita intensidade. Depois dos Jogos Centro-Americanos, vamos dar uma semana de descanso para as atletas. Em seguida, teremos três semanas de treinamento até o Campeonato Sul-Americano, em setembro.
Por fim, como está a sua ansiedade para disputar no Rio de Janeiro esse classificatório olímpico?
A ansiedade de poder jogar na minha cidade de origem, o Rio de Janeiro, com a presença da minha família e dos meus amigos é muito grande. Confesso que ontem não foi fácil, emocionalmente falando, disputar uma final. Foi a primeira vez que joguei contra o Brasil, contra o Wagão, que é um amigo, um companheiro e um professor. Ele já transcendeu a parte de companheiro de quadra, é um companheiro da vida. Todos ali da Seleção Brasileira são amigos de longa data. Trabalhamos juntos e tivemos grandes momentos na Seleção. Ontem foi um dia difícil escutar o Hino Nacional Brasileiro do outro lado da quadra, mas, como eu falo aqui para todos, o meu profissionalismo e a seriedade de todos que estão envolvidos no processo da seleção colombiana estão muito acima disso.
Vai ser um momento muito bacana no Rio de Janeiro. Poder receber a minha equipe de trabalho, fazer com que a minha família, meus filhos, minha esposa e os amigos que estão ao meu redor estejam lá no Maracanãzinho, o templo do voleibol mundial, para viver essa experiência, será muito especial. Eu não diria ansiedade, mas sim que será um momento único na carreira de qualquer profissional. Espero conseguir atingir todos os objetivos e que a Colômbia conquiste a classificação para Los Angeles.


