
Tietada pelas rivais, Gabi se emociona ao falar de legado: “Já estive no lugar delas”
Capitã celebra o crescimento do vôlei sul-americano e diz esperar que mais mulheres conquistem espaço e possam viver do esporte
A cena se repetiu no Maracanãzinho. Depois da vitória do Brasil sobre o Chile por 3 sets a 0, pelo Sul-Americano Feminino de Vôlei, neste sábado (12/9), jogadoras adversárias procuraram Gabi para fotos e momentos ao lado de uma das maiores referências do vôlei mundial. A tietagem emocionou a capitã da Seleção Brasileira.
Aos 32 anos, Gabi entende bem o que representa para as atletas mais jovens. Até porque, antes de ocupar esse lugar, ela também esteve do outro lado.
“Para mim é uma gratificação muito grande. Eu já estive no lugar delas, com os meus grandes ídolos e as grandes referências. Para mim, acho que é a confirmação de tudo que eu tenho feito”, afirmou Gabi.
Gabi fala sobre responsabilidade de ser referência
A admiração das adversárias também faz Gabi refletir sobre a responsabilidade que acompanha o reconhecimento construído ao longo da carreira.
A ponteira do Conegliano, da Itália, destacou a seriedade com que encara o papel de referência para jogadoras que estão começando a construir suas próprias trajetórias no vôlei.
“É continuar levando o dia a dia com seriedade, disciplina e consistência. Acaba sendo uma responsabilidade ser uma boa referência para essa geração. Espero que elas também continuem levando esse legado para o continente sul-americano e para o mundo.”
Gabi também destacou o crescimento do nível do vôlei na América do Sul. Para a brasileira, a rivalidade termina dentro da quadra. Fora dela, existe satisfação ao acompanhar a evolução das atletas e das demais seleções do continente.
“Eu fico feliz de ver outras equipes e outros países conseguindo se desenvolver, essas mulheres conseguindo conquistar o seu espaço e vivendo cada vez mais das suas carreiras, tendo a oportunidade de viver do voleibol.”
“Me emociona, para ser bem sincera”
Ao aprofundar o assunto, Gabi lembrou das jogadoras que foram suas referências quando ainda sonhava em construir uma carreira no vôlei. A geração campeã olímpica em Pequim-2008 ocupa um lugar especial nessa história.
“Me emociona, para ser bem sincera. Eu sempre fui muito apaixonada por vôlei. Sempre brinco que tive as minhas grandes referências, a geração de 2008, até hoje.”
Durante o Sul-Americano no Maracanãzinho, Gabi também se emocionou ao acompanhar a presença e a homenagem às medalhistas olímpicas brasileiras.
“Fiquei muito emocionada de ver as medalhistas entrando em quadra e sendo homenageadas.”
O momento fez a capitã olhar também para o futuro e para aquilo que a atual geração da Seleção Brasileira pretende representar quando deixar as quadras.
“A gente fala muito sobre isso com as meninas: qual o legado que a gente quer deixar para as próximas.”
De fã a referência de uma geração
Gabi construiu uma carreira marcada por protagonismo na Seleção Brasileira e nos principais clubes do vôlei internacional. Agora, além das conquistas dentro de quadra, começa a enxergar com mais clareza outro resultado dessa trajetória: a influência sobre quem está chegando.
“Levo com muita seriedade, com muita responsabilidade e espero, até o final da minha carreira, continuar sendo um exemplo positivo para elas.”
E, ao falar das jovens que hoje pedem uma foto, uma palavra ou simplesmente a oportunidade de estar perto da capitã brasileira, Gabi devolve a admiração.
“Tenho certeza que serão mulheres também que vão deixar um legado incrível para a próxima geração.”
A tietagem das chilenas no Maracanãzinho, portanto, representa mais do que a admiração por uma adversária. Para Gabi, é também um sinal de que aquela menina que um dia teve suas próprias referências passou a ocupar o mesmo lugar para quem começa agora.


