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Sem categoria - 14 de setembro de 2026

Sul-Americano: Cachopa rebate críticas sobre falta de garra e aponta o que Brasil precisa mudar

Levantador reconhece oscilações da Seleção Brasileira, cita erros e confiança nos momentos decisivos e diz que equipe chega mais consistente ao Sul-Americano.


Às vésperas da estreia no Sul-Americano Masculino de Vôlei 2026, o levantador Cachopa fez uma análise direta sobre o momento da Seleção Brasileira. Depois de uma temporada marcada por oscilações, ele rebateu a avaliação de que teria faltado garra ao time e apontou outros fatores para explicar os resultados do abaixo do esperado.

O Brasil estreia nesta terça-feira (15) no Sul-Americano, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. A competição vale uma vaga direta nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 e será mais uma oportunidade para a equipe de Bernardinho mostrar evolução depois dos problemas apresentados ao longo da temporada.

Durante a preparação para o torneio, a Seleção disputou amistosos contra Japão, Alemanha, Cuba e Itália. Para Cachopa, alguns desses jogos mostraram uma evolução, mas também reforçaram um dos principais pontos que precisam ser corrigidos.

“Acho que hoje a gente consegue ser uma equipe mais consistente. Foi o que faltou em vários momentos da VNL. A gente precisava arrumar várias coisas. Lógico que o time não está perfeito ainda, acho até difícil chegar a um nível assim, mas conseguimos corrigir bastante coisa para ser mais competitivos”, afirmou.

Cachopa rebate críticas sobre falta de garra

Os resultados da Seleção ao longo da temporada provocaram críticas de torcedores e questionamentos sobre a postura do time em alguns momentos. Cachopa, porém, discorda de que tenha faltado vontade aos jogadores.

“A gente comentou justamente de não ficar olhando muito o que os torcedores falam, o que vai para as redes sociais, o que as pessoas acabam falando, principalmente em momentos que não são tão legais. Nesse período, a gente tentou se concentrar no que podia fazer para melhorar.”

O levantador foi ainda mais direto:

“A vontade de vencer a gente tem. Eu acho que não é falta de garra, de espírito, acho que não é isso. Tem outros fatores que influenciaram os resultados que a gente teve este ano.”

Cachopa reconheceu que os resultados tiveram impacto sobre o grupo e que os jogadores precisaram se apoiar para atravessar o período.

“Foi um golpe duro para o time todo. A gente teve que dar força um para o outro. Acho que é o caminho que tem que ser seguido. Toda equipe que quer se fortalecer, que quer chegar a algum lugar, tem que passar por isso.”

Brasil precisa diminuir os erros

Na avaliação de Cachopa, um dos principais problemas apresentados pela Seleção foi a quantidade de erros, principalmente nos momentos decisivos das partidas.

“A gente precisava urgentemente diminuir o número de erros no jogo, decidir sets. Em momentos importantes, a gente precisa talvez ter mais confiança, ser mais convicto no que vai fazer. Acho que a base é mais ou menos isso.”

O levantador também citou a dificuldade brasileira para manter o mesmo rendimento durante toda a partida. Segundo ele, os amistosos realizados antes do Sul-Americano deixaram isso evidente.

“Contra o Japão foi muito bom. A gente fez um jogo-treino também, com portas fechadas, que foi muito bom. Depois, contra a Alemanha, fizemos um bom jogo também. Contra Cuba e Itália já não conseguimos manter o mesmo nível.”

Para Cachopa, essa oscilação não pode acontecer nos confrontos mais importantes.

“Muitas vezes a gente começa muito bem o jogo e, em algum momento, acaba se perdendo um pouco e não consegue manter o nível lá em cima. Em jogos importantes isso não pode acontecer. A gente precisa manter a concentração e o nível de jogo alto o tempo inteiro.”

Confiança e cansaço também pesam

Cachopa também falou sobre o aspecto mental. Para ele, não existe uma única explicação para as oscilações da Seleção.

“São diversos fatores. Em uma semana normal de VNL, por exemplo, você joga três jogos seguidos. É normal que no terceiro dia já esteja cansado. A concentração não é a mesma, o jogo não flui mais como no primeiro dia.”

O desgaste, segundo o levantador, também pode atingir a confiança durante uma partida ou uma sequência de jogos.

“Afeta a parte mental. Às vezes você não está conseguindo desempenhar e isso afeta um pouco a confiança também. Não é uma matemática exata, uma ciência exata.”

Apesar disso, Cachopa reforçou que uma equipe que pretende disputar os principais títulos precisa aprender a superar esses momentos.

“Cansaço com certeza influencia. Talvez as coisas não andem como você espera dentro da partida, mas é uma coisa que tem que passar por cima. Se quiser vencer, tem que continuar jogando e jogando bem.”

Agora, diante da torcida brasileira e com uma vaga olímpica em disputa, o Sul-Americano será o primeiro teste oficial para saber se o Brasil conseguiu transformar as lições dos últimos meses em maior consistência dentro de quadra.