
Léia se aposenta das quadras: “É difícil tomar a decisão”
Uma das melhores líberos do vôlei brasileiro, Léia anunciou a aposentadoria. A jogadora encerra a carreira no Sesi Bauru, clube no qual atuou por quatro temporadas consecutivas, após mais de 20 anos dedicados ao voleibol.
– Eu me despeço do voleibol só agradecendo. É difícil tomar uma decisão, até porque eu já tive várias lesões, mas hoje não posso dizer que eu tenho uma lesão. Mas é uma despedida após anos e anos me dedicando, e acho que agora é hora de cuidar um pouco do meu marido, da minha mãe, ficar perto da família e amigos, coisas que a gente deixa de lado quando estamos vivendo o profissional – disse Léia, de 41 anos.
Na última temporada na equipe bauruense, Léia foi decisiva para os títulos do Campeonato Paulista e do Sul-Americano, seu sétimo título continental e o primeiro do Sesi Bauru.
INÍCIO
Nascida em Ibitinga, no interior paulista, Léia marcou a história do projeto de vôlei do Sesi. Além do título paulista e da Supercopa em 2022, a líbero consolidou o fundo de quadra bauruense nas três campanhas finalistas em 2024/25 e nos bronzes continentais em 2023 e 2024.
– Minha história começa lá nos meus 14 anos de idade, quando saí de casa, sem condições. Sempre estive longe de casa e muitas vezes tentei desistir. Minha mãe, meus irmãos, sempre me apoiaram e não desisti.
Além do time bauruense, a líbero teve passagem pelas equipes de Piracicaba, Mackenzie, Banespa, Osasco, Pinheiros e Minas. Léia foi tetracampeã da Superliga, heptacampeã do Sul-Americano de Clubes (eleita a melhor líbero em seis edições), bicampeã paulista, tricampeã mineira, tricampeã da Copa Brasil (sendo eleita a melhor jogadora de uma das finais) e ainda vice-campeã mundial.
– Eu agradeço a todos os lugares que passei. Não vou citar nenhum aqui, porque eu sempre fui bem acolhida em todos os lugares e se eu esquecer de alguém seria injusta. Todas as vezes que eu terminava a temporada, eu terminava a temporada feliz – comentou.
– Finalizando aqui no Sesi Vôlei Bauru, sou muito grata. Eu finalizo a minha carreira bem e feliz. A gente não conquistou tudo que gostaria, mas cresci e evoluí. É uma despedida com o coração transbordando de gratidão apenas.
CONVOCAÇÕES
A primeira convocação para defender a Seleção Brasileira foi em 2014, estando no grupo campeão do Grand Prix daquele ano. Logo na sequência, a líbero ajudou o time brasileiro na conquista do Sul-Americano e foi titular no Grand Prix 2016, conquistando seu segundo título.
Coroando a boa sequência, Léia teve a oportunidade de liderar o fundo de quadra brasileiro nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. A disputa olímpica foi também sua despedida da Seleção Brasileira, após a eliminação nas quartas de final. Anos depois, em 2019, a atleta atendeu a um pedido especial de José Roberto Guimarães, retornando para o time brasileiro exclusivamente para a disputa da Liga das Nações.
Após anos de dedicação dentro das quadras, Léia refletiu sobre os próximos passos fora do esporte profissional, aproveitando o tempo perto de familiares e amigos:
– Meu plano daqui em diante é fazer coisas que eu não tive oportunidade de fazer. Me dedicar a estudar, a fazer uma atividade física que não estava acostumada, pedalar, entrar na natação. Quero conhecer novos ares. Meu plano é tirar um tempo para evoluir e crescer em outras áreas, além de estar mais tempo com amigos e familiares, meu marido, minha mãe.


