
Vissotto conta como a carreira de jogador o levou ao Minas
Novo técnico do Gerdau Minas, o ex-oposto Leandro Vissotto abriu o coração ao site oficial do clube e, entre muitas respostas, comentou sobre o mais recente desafio de sua jornada profissional detalhou o processo de transição de carreira.
O carioca de 43 anos aposentou-se como atleta há pouco mais de três temporadas. Esta é a terceira passagem dele pelo Minas, mas agora em uma função diferente. Antes, representou o Telemig Celular Minas (2005/06) e pelo Itambé Minas (2021/22 e 2022/23).
– As duas passagens foram muito especiais. A primeira foi ainda mais marcante porque eu estava com uma lesão muito grave no ombro, pensando até em parar de jogar. Naquele momento, eu era o único atleta sem clube, e o Minas me deu a oportunidade de vir para cá para me recuperar. Fiz um processo de recuperação que demorou quase seis meses até eu voltar a jogar. Então, o Minas me resgatou. Naquele ano, chegamos à final da Superliga – relembrou.
– Foi bacana viver essa reviravolta na minha carreira. Dali, fui para a Seleção de Novos e, consequentemente, recebi uma proposta para jogar na Itália. Na época, era um sonho imenso. O Minas me proporcionou tudo isso e tive a felicidade de poder terminar minha carreira aqui. Foram anos muito especiais e agora poder voltar para um lugar que era a minha casa é algo muito significativo – comentou Vissotto.
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Transição de carreira
Não me imaginava como técnico de voleibol aos 30 e poucos anos. Parei de jogar aos 40 e, nos meus últimos anos como atleta, eu já tinha feito um planejamento para voltar para os Estados Unidos. Apliquei para o meu visto em 2020, durante a pandemia, quando estava tudo fechado. O processo demorou dois anos para sair e, graças à minha condição física, consegui jogar mais três anos, até 2023.
Eu já tinha o objetivo de ir para os EUA trabalhar como treinador e também tinha o sonho de trabalhar com o voleibol feminino. Naquela época, comecei a me aproximar do Nicola Negro e conversava muito com ele sobre o jogo feminino, as nuances e as diferenças em relação ao masculino. Inclusive, me fazem essa pergunta do porquê treinar o feminino. Sou o caçula de duas irmãs mais velhas que jogavam voleibol e sou pai de duas meninas. Então, também cresci nesse universo, cercado por duas irmãs dentro desse ambiente do feminino.
Essa transição para treinador acabou sendo um pouco natural. Uma inspiração também foi o treinador que tive em Campinas, o Horácio Dileo, que despertou em mim esse lado de ensinar. Ele dizia que eu tinha um jeito diferente de ensinar voleibol, principalmente com os atletas mais novos. Percebi que eu conseguia dar um toque, falar alguma coisa e aquilo funcionava.
Esse olhar um pouco mais técnico, aliado à minha experiência como atleta, me ajudou a desenvolver um feeling para entender como melhorar alguns aspectos junto aos meus companheiros. Naturalmente, isso acabou sendo transferido quando comecei a trabalhar como treinador nos Estados Unidos. Lá, tive uma oportunidade muito grande. Existem muitas universidades, o voleibol é muito forte, e milhões de meninas praticam o esporte nos EUA. Foi uma junção de fatores que me levou para o lado de treinador.
O Miami (University of Miami) subiu mais de 200 posições no ranking e, no último ano, terminou entre as 15 melhores equipes dos Estados Unidos, com a melhor temporada da história em número de vitórias. Foi um impacto muito grande no voleibol americano, e isso me levou a ser assistente técnico da Seleção Americana Sub-19.
Tive muitas oportunidades e fui muito abençoado por estar naquela condição, que me permitiu me preparar bem e conhecer uma escola muito diferente da nossa. A escola americana de voleibol é muito diferente da brasileira, então pude agregar tudo o que aprendi como atleta na Itália, no Brasil, e também com os treinadores que tive ao longo da carreira. Isso foi essencial!

Elenco do Minas
Cada uma, individualmente, tem uma personalidade e uma experiência diferente. Eu acho que, quando você consegue fazer essa mescla, pode acelerar o processo de amadurecimento das meninas mais novas, porque as mais experientes já sabem o que precisa ser feito para estar no alto rendimento. A Thaísa, bicampeã olímpica, é uma profissional super dedicada, está sempre fazendo o melhor para estar bem física, tática e tecnicamente. Ela exerce uma liderança não só pelo que já fez, mas principalmente pelo exemplo. Assim como Nyeme, Fran e todas as outras atletas mais experientes, elas trazem isso para as mais novas, mostrando que nada acontece por acaso.
Isso facilita a nossa vida como comissão técnica, porque elas dão o ritmo e o tom do trabalho. E é muito gratificante trabalhar com meninas mais novas, porque a gente vê a margem de crescimento que elas têm. Quando você pode impactar a carreira delas, transformar tecnicamente alguns déficits e também ajudá-las na questão psicológica, é muito especial. Eu vivi isso durante muito tempo como atleta e, hoje, estando deste lado, acho que consigo combinar esses dois cenários e usar a minha experiência para ajudar essas meninas a se desenvolverem.
Acho que o Felipe, que hoje está no Sada Cruzeiro, é um exemplo. Ele parou de jogar e já começou a ser técnico, tendo um sucesso excelente. Eu acho que, quando você se propõe a estudar, se preparar e entender o jogo, consegue acelerar esse processo. Nosso objetivo é ajudar essas atletas a serem a melhor versão que elas possam ser e a performar dentro de quadra. Em esportes coletivos, ninguém faz nada sozinho. Ter uma atleta muito experiente sozinha não vai resolver tudo, assim como uma jovem extremamente talentosa, mas sem a mentalidade correta, também não vai fazer nada sozinha. A gente precisa unir essas peças e canalizar tudo isso para o melhor do Minas.
Luzia, Jheovana e Maiara Basso
A Luzia vem da escola Zé Roberto, com muitos anos de trabalho lá no Barueri. Inclusive, disputou agora a VNL e terminou a competição como titular da Seleção Brasileira. Então, ela chega com uma bagagem muito importante, não só por ter sido protagonista no clube em que estava, mas também por ter tido essa experiência recente na Seleção, jogando ao lado de algumas das melhores jogadoras do mundo. É uma atleta jovem, muito alta, com um potencial enorme e uma margem de crescimento muito grande. Acho que ela vai agregar muito ao nosso elenco.
A Maiara já teve uma passagem aqui pelo Minas. Acho que é uma jogadora muito equilibrada e que vai trazer estabilidade para a nossa recepção, para o fundo de quadra e também para a rede. É uma atleta que sabe jogar, entende o que precisa fazer para ser eficiente e faz tudo muito bem. É o que a gente chama de uma atleta de equilíbrio, que vai trazer essa base e essa estabilidade para o nosso time.
A Jheovana é uma atleta jovem e com muito potencial. Acho que, por eu ter jogado nessa posição por muito tempo, vou poder ajudá-la bastante nas nuances do jogo. Ela ainda tem muita coisa para evoluir tecnicamente e, principalmente, nas tomadas de decisão durante as partidas. Foi uma grande sacada trazê-la para a nossa equipe. É uma menina que também está no radar da Seleção e tem muito a crescer.


