
Cachopa revela bastidores com Bernardinho: “Já abriu todo o repertório dele”
Levantador conta sobre as conversas do treinador com a Seleção e explica como o Brasil pretende lidar com a pressão no Maracanãzinho.
Às vésperas da estreia do Brasil no Sul-Americano Masculino de Vôlei 2026, Cachopa revelou um pouco dos bastidores do trabalho de Bernardinho com a Seleção Brasileira. Entre inúmeras conversas nos últimos meses, o levantador brincou que o treinador já precisou recorrer a praticamente todo o seu repertório para tentar fazer a equipe evoluir.
O Brasil entra no Sul-Americano pressionado pela importância da competição. Disputado no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, o torneio dará ao campeão uma vaga direta nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. E Bernardinho tem usado sua experiência para preparar o grupo também fora das quadras.
“O Bernardo dá uma palestra por dia para a gente. Acho que nesse período de dois, três meses, até ele já abriu todo o repertório que tinha para tentar ajudar a gente”, contou Cachopa, em tom bem-humorado.
Cachopa destaca experiência de Bernardinho
Por trás da brincadeira, Cachopa ressaltou a importância das conversas com o treinador durante um período em que o Brasil busca respostas para voltar a apresentar seu melhor vôlei.
“Foram inúmeras conversas que a gente teve com ele. É muito útil. Acho que é um cara com muita sabedoria, muita vivência também. Não tem como você não escutar e não absorver alguma coisa que o cara quer passar.”
Cachopa também reconheceu que a Seleção ainda busca reencontrar dentro de quadra o rendimento apresentado anteriormente.
“Praticamente é o mesmo grupo do ano passado. Este ano a gente não conseguiu colocar em quadra talvez o mesmo nível de jogo que conseguiu no passado. A gente analisa muito os números, o que precisa fazer melhor e o que está fazendo bem.”
Torcida como combustível no Maracanãzinho
Além do trabalho interno, o Brasil terá outro componente importante no Sul-Americano: a presença da torcida no Maracanãzinho. E Cachopa não esconde que existe uma expectativa grande em torno da Seleção jogando em casa.
Para o levantador, porém, o grupo precisa transformar essa expectativa em energia positiva.
“A gente tem falado isso direto: a torcida tem que ser um combustível e não uma pressão, um fator que deixe a gente pressionado, que seja um peso.”
Cachopa lembrou das experiências recentes da Seleção atuando diante dos brasileiros e espera novamente um Maracanãzinho empurrando a equipe.
“Jogar aqui é muito bacana. A gente passou a primeira semana em Brasília e foi muito legal. No passado a gente jogou aqui no Maracanãzinho e foi uma semana bacana também. Eu particularmente espero que seja a mesma energia, a mesma atmosfera que a gente sempre teve aqui.”
Para ele, o apoio das arquibancadas pode funcionar como uma força extra na busca pelo título e pela classificação olímpica.
“A gente está encarando isso como um empurrão a mais, um jogador a mais em quadra, e não um peso para ter essa pressão para a nossa equipe.”
Cachopa relembra dificuldades do último ciclo olímpico
O momento também fez Cachopa recordar a campanha brasileira no último ciclo olímpico. O levantador destacou que a trajetória anterior esteve longe de ser tranquila e citou especialmente as dificuldades enfrentadas no Pré-Olímpico.
“O último ciclo foi difícil também. A gente não teve resultados tão expressivos. No Campeonato Sul-Americano, em casa também, e na própria Olimpíada a gente não conseguiu desempenhar. No Pré-Olímpico aqui a gente sofreu um bocado.”
Uma das lembranças mais fortes de Cachopa é justamente da postura adotada pela equipe naquele momento.
“Eu lembro que era um time que pensava muito em jogar toda partida como se fosse a última.”
O Brasil chegou a ser derrotado pela Alemanha no Pré-Olímpico, em um resultado que surpreendeu naquele momento, mas conseguiu reagir durante a competição e conquistar a classificação olímpica.
“A Alemanha veio aqui e passou o carro em todo mundo. Acho que, nesse nível, agora é mais ou menos assim. Toda partida entre boas equipes é decidida ali no limite.”
Agora, novamente diante da torcida brasileira e com uma vaga olímpica em disputa, Cachopa espera que toda a experiência acumulada pelo grupo — e também o vasto “repertório” de Bernardinho — ajude o Brasil a iniciar o caminho até Los Angeles 2028.


